Delírios de Amor - VII

  Estava quase a chegar, e de repente paro. Penso que talvez é melhor nem ir, se for para acontecer o mesmo que da outra vez é melhor não. Mas eu quero ir.
Enfim , se ainda tiver juízo nada de mal vai acontecer.
Ele como da outra vez já lá estava, e ele percebeu logo a minha presença.

Pedro: Olá, queria mesmo ver-te ainda bem que estás aqui.
 Deu-me um abraço, mas de maneira constrangedora.
Iara: Hum , olá Pedro. Então , para que precisavas de me ver ? Temos ou tínhamos o encontro na quarta não é verdade ?
Pedro: Sim, mas tenho uma coisa para te contar ...
 Ele pareceu meio triste, nem percebi.
Iara: Então ?
Pedro: Os meus pais, eles receberam uma proposta de trabalho
Iara: Isso é óptimo, mas porque tens esse ar triste ?
Pedro: É fora do país.
  O quê ?! Estão a brincar comigo ?!
Iara: Não podes ir Pedro, quer dizer ... tens tudo aqui, a tua vida e não podes ir embora .
 Como sempre, ia quase começar a chorar.
Pedro: Pois é, foi o que lhes disse. Mas eles já estão quase a tomar a decisão definitiva, e eu não quero ir !
Iara: Mas qual é o país ?
Pedro: Alemanha .
  Morri de vez, Alemanha ? Tão longe ? Oh minha nossa Senhora.
Iara: Mas tens mesmo que ir ? Quer dizer, és maior de idade. Podes decidir o que queres .
Pedro: Sim mas sabes como são os meus pais, mesmo teimosos e querem que eu vá com eles.
Iara: Não vás, tens direito de decidir o que queres da tua vida e isso basta.
Pedro: Para os meus pais não, mas eu vou tentar de tudo. Obrigado princesa.
Iara: De nada Pedro. Estou aqui para tudo, sabes disso.
Pedro: Claro que sei. Iara ?
Iara: Sim ?
Pedro: Já tens alguma resposta para mim ?
 Hesitei em responder, mas tive de ser sincera.
Iara: Não, ainda nem um dia passou. Não tive cabeça para pensar, desculpa.
Pedro: Culpa minha, desculpa eu.
Iara: Não faz mal .
  O meu móvel começa a apitar, era uma SMS da Vanessa.
Dizia :
" melhor , eu e o João estamos mais que bem. obrigada pela ajudinha, ly "
Ao menos ela estava bem, já eu, enfim.
Pedro: É de quem ?
Iara: Da Vanessa.
Pedro: Hum, esta bem .
Iara: Talvez seja melhor ir andando, depois conta-me tud ...
Pedro: Não vás , fica aqui comigo.

continua.  

Delírios de Amor - VI



Vanessa: É sobre o João.
 Ui ui , nem queria ver o que aí vinha. 
Iara: Vá, o que aconteceu desta vez ? 
Vanessa: Encontrámos-nos sábado para estarmos juntos e acabar de vez estas discussões. 
Iara: E isso não é bom ?  
  Perdi-me completamente. 
Vanessa: Era até discutir-mos o motivo das discussões. 
Iara: Que era ... ? 
Vanessa: Eu disse que eram coisas sem importância na nossa relação, e ele disse que coisas sem importância nem valia a pena discutir. E eu perguntei, o porquê de discutirmos já que não eram coisas sem importância. E ele disse-me que talvez era melhor dar um tempo, porque estávamos sempre juntos e se calhar estávamos saturados um do outro. 
Iara: Espera, ele está farto de ti ? 
Vanessa: Pelos vistos... 
 Vi uma lágrima no canto do seu olho, e não estava mesmo a ver onde o João queria chegar com isto. 
Ia dizer-lhe umas quantas coisas sobre o que ela devia fazer, até que o João aparece. Fiquei mesmo surpreendida de ele saber exactamente onde estávamos. 

Iara: Olha quem vem ai ... 
Vanessa: Quem ? 
João: Olá meninas . 
Vanessa: Que fazes aqui ? 
 Nem me meti. 
João: Bom dia para ti também. Vim aqui para te ver, e o Pedro também me mandou cá vir ver da Iara, mas shiu não lhe contes o que acabei de dizer. 
 Sorri-lhe. 
Vanessa: Hum, depois de ontem não sabia que me querias ver. 
João: Não sejas assim, eu vim aqui para esclarecer tudo mesmo e não quero que acabemos por isto. 
Vanessa: Sabes bem o que sinto por ti, e também não quero acabar. 
Iara: Acho que estou a fazer de vela, por isso vou andando para casa. Liga-me depois V . 
 E saí dali para ver se iam para o marmelanço.  

Olhei para o móvel, e vi umas 3 mensagens do Pedro. E reparei que estava no silencio, e por isso nem dei conta delas.  

"Olá amor $:' - era uma delas. - "Preciso de te ver hoje, pode ser?" , " Responde-me quando puderes (:" . 
Eu nem tinha uma resposta sobre ele, sobre nós, nada !  Mas queria vê-lo, isso sim. 
" Sim, podemos encontrar-nos. Mas quando ?" 
Ele respondeu logo. 
" Agora, na casa velha. " 
" Vou lá ter. " 
E com isto, pensei que seria outro enorme erro.  

continua. 

Delírios de Amor - V

  Cheguei a casa, finalmente. Não estava a suportar estar mais naquele lugar, enfim. Abri a caixa do gelado, e coloquei metade nele numa taça, e o resto no frigorífico. Fui vendo séries, e mais séries. Até que adormeci.
 No dia seguinte, era de esperar, tinha pelo menos umas dez chamadas não atendidas da Vanessa, a minha melhor amiga. Afinal eu falo-lhe todos os dias e sábados e domingos não são excepção, e deve ter ficado a pensar o porquê de lhe falar sábado. Não tinha a mínima vontade de lhe falar acerca do Pedro. Ela no mínimo, se soubesse que íamos reatar ela matava-me a mim só com o olhar, mas ela é a minha melhor amiga e como tal, tem o direito de saber, e além disso não tenho vontade nenhuma de lhe esconder isto durante muito tempo. Não iria aguentar tanto tempo sem falar com alguém. Liguei-lhe.

Vanessa: Ah finalmente , começa já a contar o que se passou sábado.
Iara: É melhor nos encontrar-mos, por móvel não.
Vanessa: Como queiras, então vemos-nos no Jardim.
Iara: Tem mesmo que ser ai ?
Vanessa: Tem e acabou, vem e pronto.
Iara: Ai, está bem. Até já.
Vanessa: Até já.

 Vi logo na maneira que ela falou que se tinha também passado algo, ela não é de ficar de mau humor sem uma razão forte. Talvez, ela é a pessoa mais sorridente, mais animada e alegre que conheço. Enfim, logo se vê.  Vesti umas calças justas pretas, com uma blusa branca, e um casaquinho rosa claro. Calcei sapatos de salto alto (sim eu gosto de salto alto ) e peguei na minha bolsa castanha e saí de casa, sem pequeno-almoço! E por isso, levei dinheiro para comer no bar do Jardim.
Quando lá cheguei, ela ainda não lá estava e aproveitei para comprar um croissant e um sumo. Não me apetecia comer muito, o jantar de ontem já me tinha chegado. Entretanto, ela chegou. Tinha um ar abatido, mas ela quis que contasse o meu sábado primeiro.

Vanessa: Olá amor.
Iara: Hum, olá !
Vanessa: Vá que se passou ontem ! Estou mais que curiosa.
Iara: Não queiras, não vale a pena.
Vanessa: Vá conta !
Iara: Eu ontem, não perguntes porquê, mas eu telefonei ao Pedro. - Senti que ela ia dar um berro. -  Mas calma, o pior nem é isto.  - Agora sim ela soltou um grito.
Vanessa: Oh Meu Deus ! Iara, que foste fazer ?
Iara: Não me interrompas, se não, não consigo acabar de contar.
  Ela nem respondeu, simplesmente reparei que ela era de todo ouvidos.
Iara: Falámos ao móvel, que ambos tínhamos saudades um do outro, e decidimos encontrar-nos ontem às três, na casa abandonada. - Faltava mesmo a vontade de falar. Mas consegui dizer tudo. - Quando lá cheguei ele já lá estava, e ele quando me viu deu-me um abraço que ao príncipio estranhei mas acabei por retribuir. - Ela já estava para me matar com um abraço, e então com o beijo ? Ai , nem sei. - Depois, começámos a falar e ele disse-me que tinha saudades minhas, que ainda me amava, e que queria estar comigo de novo. É claro que disse-lhe que não, disse-lhe que não queria sofrer mais por ele, só que ele disse que mudou e disse ainda para eu lhe dar uma segunda oportunidade. Não consegui dizer-lhe que não , nem que sim e quando nos íamos embora, ele enganou-me dizendo que se tinha esquecido de uma coisa e beijou-me.
Vanessa: Não ! Não acredito que se beijaram , Iara isto é uma brincadeira certo ? Não dá para acreditar.
  E é por isto que eu não queria contar sobre o Pedro, parecia que a miúda me ia matar com os olhos e estava a ficar assustada.
Iara: Ele puxou-me e não consegui soltar-me, só que depois até fiquei a gostar e queria mais, só que ele largou-me e pediu-me desculpa pelo beijo pois estamos na situação que estamos. E logo a seguir fui-me embora.
Vanessa: Vocês beijaram-se ? E tu gostas-te ? E querias mais ?
 ( Ela fala como se ele fosse um alien viscoso, sei lá , algo nojento. )
Iara: Não sejas assim, sabes que ele foi muito importante para mim. Mas...
Vanessa: O que vem aí agora ?
Iara: Como já te disse ele pediu-me uma segunda oportunidade e eu não lhe disse nem se sim nem que não, e quarta-feira vamos-nos encontrar e eu tenho que lhe dar uma resposta.
Vanessa: Estás a pensar em quê ?
Iara: Não sei , ele até me parecia diferente , mas não quero iludir-me, sabes bem como foi.
Vanessa: Pois sei, mas enfim. Agora és tu e somente tu que tens que decidir, e apesar de achar que o rapaz é um traste, tu lá sabes o que queres.
Iara: Pois, logo se vê o que hei-de fazer. Olha, e então o que se passa contigo ?

 Estava a fazer torcer para que não fosse algo com o João. Eles andam há pelo menos seis meses, e que eu saiba ambos se amam imenso. Só que nestas últimas semanas têm discutido mais que o costume, e a V não estava nada feliz com estas discussões.

continua.  

Delírios de Amor - IV

   Raios! O que lhes respondo ? Uma parte de mim quer perdoá-lo e voltar a querer a sentir o amor que ele dá, mas outra diz-me que vou iludir-me de novo, cair na sua armadilha e sofrer.
Iara: Pedro, não faças isto, assim. Estás a por-me entre a espada e a parede !
Pedro: Não, não estou. Só quero que me deixes provar-to que sou capaz de te fazer feliz, e que nunca mais te irei magoar de maneira alguma. Por favor Iara, perdoa-me!
Iara: Não é fácil, não é nada fácil.
Pedro: Mas também não é fácil não te ter quando a única coisa que quero fazer é poder estar contigo. E não posso, porque te fiz mal.
Iara: Pois, mas eu não tenho culpa disso.
Pedro: Não tens, eu sei. Mas por isso, peço-te que me perdoes, que voltemos a ficar juntos !
Iara: Pedro, preciso de tempo para pensar.
Tempo?! Tempo era o que eu precisava?! Eu precisava de juízo, isso sim. Mas também não consigui dizer-lhe que não, dizer-lhe que não era rejeitar a minha felicidade. E sim, precisava de pensar mesmo  muito, se o perdoava ou não.
Pedro: Quanto tempo ? Quero-te para mim hoje, agora !
As palavras cada vez tinha impulso sobre mim, e não conseguia evitar.
Iara: Não sei quanto tempo, afinal os meus sentimentos não se esclarecem num piscar de olhos.
Pedro: Sim, mas sabes que eu não curto de esperar.
Eu sabia tanta coisa, que mais uma menos outra era indiferente. Ele era tão igual à perfeição, mas bem, aconteceu aquela noite o perfeito deixou de existir. Quer dizer, nem toda. Uma parte dele era um príncipe encantado, um perfeito amor de rapaz e agora quase que não resisto olhar para ele sem o querer beijar. Enfim.
Iara: Eu sei que não curtes, mas pronto. São que horas ?
Fiquei mesmo espantada quando ele me disse que já eram quase seis horas e meia. Tínhamos estado ali duas horas mais ou menos. Mas as horas agora nem eram importante.
Pedro: Hoje é sábado, domingo tenho almoço de família. Sabes como é. - Ele tem uma família meio rica e blah blah blah , e por isso tem almoços e jantares importantes com a família. - Quarta-feira podemos nos encontrar de novo ?
Hesitei em responder, mas acabei por aceitar.
Iara: Pedro, não me pressiones como fazes. Está bem ? Só ... , promete-me que não o fazes. Pode ser ?
Pedro: Claro que pode. Tudo para te ver bem princesa.
Princesa, agora sim desejei estar com ele de novo. Já não tinha dúvidas quando ele pronunciou princesa , é como se tudo o que se passou fosse esquecido. Tivesse sido levado pelo vento, e não houvesse rasto de tal.
Ele já se estava a preparar para ir embora .
Pedro: Só me esqueci de uma coisa.
Iara: O quê ? - não estava mesmo a ver o que era.
E de repente, ele rouba-me um beijo.
Ao princípio, estava surpreendida e disposta a negar o beijo, mas à maneira que ele beijava eu ia cada vez mais colando o meu corpo a ele, e já estávamos a abraçar-nos e quando estava realmente a gostar ele larga-me.
Pedro: Ah, desculpa. Não devia...
Iara: Não, eu é que peço ... desculpa. - Não, não peço ! Eu estava a gostar, por amor de Deus! Eu queria mais, mas não podia deixar tudo voltar assim e tive de me controlar. - É melhor ir andando.
Pedro: É, também vou andando.
Estava um ambiente meio constrangedor,  mas dissemos adeus um ao outro, e fomos para casa.

  Demorei uns longos de extensos trinta minutos a voltar a casa. Isto porque, só pensava no sabor do lábios dele, e como não queria largá-lo fosse o que fosse. OMG* controla-te Iara ! Tinha milhões de pensamentos na cabeça mas nenhum parecia correcto, nem mesmo rejeitá-lo. O que precisava era de um jantar de encher a barriga, e no fim uma taça enorme de gelado. Isso sim, vinha a calhar.
 Cheguei a casa e liguei o rádio, coloquei-o o mais alto que pude e ouvi a música aos berros na cozinha. Era assim que podia abstrair de tudo o que se passava na minha cabeça. Apetecia-me massa ao jantar, e fui tirando todos os ingredientes que podia colocar na massa. Quando acabei de cozinhar e de comer, já tinha os ouvidos a doer. Ouvir música rock aos berros não é fácil atenção.
 Reparei que não tinha gelado de chocolate no frigorífico e por isso vesti as minhas botinhas e fui comprar gelado à gela-daria que havia ao lado de casa. ( Não era propriamente ao lado, mas fingimos que sim )
Enquanto caminhava, lembrei-me que naquela gela-daria foi onde conheci o Pedro. Estava a suplicar a mim mesma para que hoje não acontecesse mais nada parecido do que isto à tarde. Enfim, só precisava de gelado e dormir.

continua. 

Delírios de Amor - III

  Peço-lhe que me largue e ele não o faz, começo a pensar no pior. Estou a pensar que talvez aquela noite vá repetir-se agora mesmo e não vou ser capaz de aguentar tudo de novo.

Pedro: Não te deixo ir de novo.
Iara: Como assim não deixas ? Pedro, larga-me. Vai ser melhor assim, é melhor assim.
Decido enfrentar-lhe de frente, afinal o meu coração já está despedaçado. Que mais pode ele despedaçar ?
Pedro: Tu não sabes o que passei sem ti aqui, nos meus braços. E não, não estou a mentir-te.
Começo a olhar mais atentamente a sua expressão, vejo que os olhos dele estão mais serenos, estão a brilhar como nunca brilharam antes, e quando estou a olhar fixamente para os seus olhos ele olha para mim. Fico deslumbrada como ele é simplesmente diferente.
Pedro: Passei muito tempo, a pensar o porquê de te tratar tão mal. E ainda hoje não sei. Mas eu estou arrependido, juro-te.
Iara: Quem mais jura mais mente, nunca ouviste dizer ?
Não consegui deixar de dizer isto, afinal estou tão mal quanto ele. Talvez ainda pior, mas enfim. Deixei-me levar pelas palavras que ele dizia, sem me preocupar com o meu sofrimento e deixando-me ir na sua cantiga de novo.
Ele aproxima-me e estamos peito-a-peito. Não consigo olhar-lhe nos olhos, não consigo. Por algum motivo, tinha vergonha. Ele coloca suavemente os dedos no meu queixo e levanta-me a cara para ver a dele. Começo a corar, como da primeira vez que nos beijámos. Mas afasto-me brutalmente dele, não queria iludir-me.
Pedro: Iara ? Que se passa agora ?
Iara: Não dá , Pedro. Se me deixar levar por ti outra vez, vou sofrer ainda mais e eu não quero, não posso permitir isso.
Pedro: Mas eu mudei.  - Agarra-me na mão e puxa-me para ele. - Deixa-me provar-to , prometo que não te desiludo, dá-me uma segunda oportunidade, por favor !


continua. 

perfume de rosas

 sinto o teu cheiro em cada lugar que vou . procuro-te em todos os sítios que já fomos , e no fim acaba sempre por ser em vão. não sei o que fazes, se foges de mim ou se sou eu que não sou capaz de ver que podes estar mesmo debaixo do meu nariz . enfim , espero encontrar-te de qualquer maneira .
  estou parada a olhar para um monte de flores, só me apetece ter o perfume que nelas há . encantam qualquer um . é com o simples cheiro a rosas, que te encontro . estás parado a olhar para um monte de flores, e só te apetece oferecer o perfume que nelas há a alguém . leio o teu olhar como se fosse a coisa mais fácil do mundo e como se fosse sem esforço . sorris, e eu percebo-te . não há palavras , o perfume , os olhares e aquelas rosas falam por si só .
  não queria ser interrompida por ninguém , mas a certo ponto percebo que as rosas murcharam . olha para ti , e o vento leva-te como se fosses cinzas . tento agarrar-te mas é tarde de mais, já partiste . olho há minha volta e vejo tudo escuro , o que se passa ?
  de repente , é como se acordasse de novo , e continuo sem perceber . abro os olhos num espanto, estou sem fôlego . olho há volta e estou no meu quarto , rodeada de pétalas de rosas , e perto da mesa de cabeceira vejo um bilhete . mas o que será , eu sonhei , certo ?

 Deixo-te um mimo de rosas,
  para que recordes de mim 
  sempre que adormeceres .  
 Bom dia princesa , 
 se lês isto, é porque já me encontraste . 
Podes para de me procurar , a minha alma 
 está contigo nessas rosas para sempre . 


Delírios de Amor - II

   Faltava cerca de meia-hora para as três da tarde, e estava nervosa, ansiosa, receosa, tudo e mais alguma se passa comigo naquele momento. mas decidi acalmar, respirar fundo e pensar que há coisas piores não é verdade ?
 Como o lugar ficava ainda um pouco longe decidi ir andando para lá, e ver se o ar que respirava durante a caminhada me fazia sentir melhor. algo surpreendeu-me quando vi um vulto perto do lugar combinado, uma casa abandonada nos subúrbios da cidade. quando observei mais atentamente, percebi que era ele, o Pedro. ainda faltava uns dez minutos até as três da tarde e pensava mesmo (!) que ele ia chegar atrasado e inventar outra desculpa para o mesmo. mas pronto, há uma primeira vez para tudo não é ? ele reagiu quando me fui aproximando dele, levantou-se, sorriu e deu-me um abraço do tipo "amigos 4ever" . estranhei, mas também não fiquei indiferente,   retribuí o abraço. gostei,confesso. é daqueles abraços que apenas ele pode dar e disso, já não tenho há muito tempo.

Pedro: É tão bom ver-te, nem sabes o quanto !
Wow , será que ele teve mesmo saudades minhas ? Iara , concentra-te miúda !
Iara: Hum , também é muito bom ver-te. Já passou tanto tempo ...
Pedro: Pois foi, tenho saudades desses tempos, em que todo o mundo desaparecia e éramos só nós.
No meu pensamento, quando ele acaba de dizer "todo o mundo desaparecia e éramos só nós" foi como se quisesse dizer-lhe que o amava ainda, e que ele era o meu mundo e estava cheia de saudades de nós, mas não! eu não podia fazer isso comigo, não podia voltar a sofrer por ele. e as palavras não me saiam...
Iara: Ah ... , hum , nem sei que dizer Pedro ...
Ele de repente , agarra na minha mão como se fosse sua outra vez, e olha-me nos olhos como da primeira vez que nos vimos. paraliso, fico quieta a observar a sua expressão facial enquanto ele me sussurra palavras de amor ao ouvido. estou a começar a delirar, estou a ter delírios de amor por ele. outra vez. basta!
Iara: Pedro, pára!
Pedro: Não negues o que desejas, volta .
Levanto-me e fico ciente do que se passa à minha volta, ele pensa que depois de tudo o que ele fez, eu esqueci, e eu não esqueci, não. deve ser a coisa que mais me lembro, durante dezoito anos de existência. e infelizmente é assim.
Iara: Queria dizer-te tanta coisa, tanta coisa mesmo! Mas tu não mudaste nada, continuas o mesmo egoísta, estúpido por quem eu um dia me apaixonei e que no fim sofri mais que tudo ! Eu não volto a cair na mesma armadilha Pedro, não aguento sofrer mais por quem não merece. E sinceramente, este encontro foi das piores ideias que já tive.

Viro-lhe as costas, mas ele agarra-me pelo braço. Não consigo olhar para ele depois de tudo o que lhe disse. E começa as lágrimas a cair pela minha cara.


continua.  


Delírios de Amor

 acordo, e olho para o telemóvel. não há mensagens, continuo a dormitar por uns segundo e decido levantar. acordo com uma fome insuportável, e o meu estômago pede urgentemente por algo bom para satisfazer-lhe. do quarto para a cozinha . vejo que não me apetece comer nada do que está nos armários ou frigorífico e faço leite com chocolate, só para acalmar a fome. faço a mesma rotina de sempre (...)
  de repente, quando nada de jeito passa na televisão, ocorre-me ligar-te. mas falta-me coragem, falta-me muito a coragem. poderias estar mal disposto e descarregar em mim de novo e não me apetecia ouvir as mesmas coisas que ouvi da outra vez. pela minha cabeça, passa milhares de coisas para te dizer e acabo por te ligar. atende! é o que peço, até que, atendes. suspiro, nem sei o que dizer. olá,tudo bem? talvez, mas isso seria demasiado amigável para 1 mês sem nos cruzarmos, falarmos ou termos qualquer tipo de comunicação.  durante este pensamento todo, foco-me em ti e na chamada que ainda estava em linha e oiço-te dizer :
- olá ?
  nem sei que dizer , mas fracamente sai-me um olá .
já não pronunciava o nome dele há tanto tempo, já estava tão desligada de ti, tão "offline" de nós. No meio da sala, disse Pedro, o teu nome.
Fiquei meio estranha ao dizer o teu nome depois de tudo. Mas , acabámos por conversar...

Pedro:  Então, ligaste-me porquê ?
Iara: Hum, nem sei. Achei que já estava farta da tua ausência.
Pedro: E estás ?
Iara: Estou, obviamente.
Pedro: Eu também estava, e estou farto da tua ausência.
Iara: Não me mintas!
Pedro: Não estou a mentir, digo-te a verdade. Agora é a verdade.
Iara: A sério ?
Pedro: Claro que sim, não te posso mentir mais,  se isso implica que nos separemos.
Iara: Podemos falar disto amanhã ? Quero falar isto,contigo cara-a-cara, pode ser ?
Pedro: Claro. Onde ?
Iara: No lugar do costume, às três da tarde.
Pedro: Lá estarei.
Iara: Então, até já.
Pedro: Até já.

Depois disto, sentia-me aliviada, com um peso fora dos ombros mas ansiosa e nervosa com o encontro. Até lá, tinha de estar consciente de tudo o que lhe queria dizer e não podia voltar a cair na sua armadilha. Só esperava tentar sobreviver até ao nosso encontro.


continua. 

bright petals.