like a dream

 

nós podíamos ir à praia, ficar lá até ao anoitecer. eu iria colocar a minha cabeça no teu ombro enquanto estávamos sentados na areia perto do mar. iria estar frio, mas o calor dos nossos corpos seriam o suficiente para nos aquecermos. davas-me um beijo na testa e eu que nem tonta sorria; sorria porque estaria a fazer algo que realmente ansiava, queria, desejava. e eu não me importaria que fosse contigo. conversaríamos acerca de tudo. da tua música preferida, banda ou cantor. da tua comida predileta. do lugar que nunca cansas de ir, e do momento que ambos estávamos a ter, um com um outro. irias desafiar-me a ir à água e eu com um ar sarcástico diria que sim, claro. levantavas-te e puxar-me-ias pela mão, levando-me assim para a água fria de inverno. eu iria puxar-te para trás, dizer-te que não, que não ia e tentaria ganhar-te naquela luta. obviamente que irias ganhar, eu estremecia da água estar tão fria como estava e tu nem parecerias te importar. estava a chegar uma onda, a onda que trazia com ela mais frio e tu, tu só me puxarias para ti, tentando em vão, fazer com que o frio não me atacasse o corpo. colocarias o teu dedo no meu rosto para olhar para ti, olhos nos olhos. irias ler o meu olhar como a palma da tua mão e darias-me um beijo. um beijo quente, duradouro, e que ao dares, me faria habituar-se a ele para sempre. depois voltávamos para a areia, sentámos-nos de novo, e eu sem conseguir esconder estava a tremer e a tremer, como se tivesse nascido para tal. sem hesitares tirarias o teu casaco amarelo que agora iria ser tão meu. eu recusaria e tu sorrias e para gozar comigo, vestirias-me o casaco fazendo-me parecer uma bebézinha a precisar que lhe façam tudo. eu amuada já com o casaco vestido, soltei um riso sarcástico e tu empurravas-me para ti e envolverias-me nos teus braços. ficávamos a falar de tudo e de nada, e eu decorava cada tom da tua voz cada vez que falasses. irias perguntar-me o porquê de estar tão calada e eu diria que não era nada, não acreditarias em mim e começarias a dizer montes de disparates como: o meu cabelo está despenteado? tenho um macaco? estou a falar de mais?; e eu iria rir-me e dar-te um beijo na bochecha para te consolar e mais uma vez diria que não era nada. desta vez já acreditarias e sorrias para mim. eu levantava-me e escreveria os nossos nomes na areia, e de seguida virias atrás de mim. eu fugiria de ti só para te fazer correr atrás de mim. eu perdera o fôlego, tu agarravas-me pela cintura e dirias para nunca mais voltar a fazer aquilo, sério. eu curiosa perguntaria porquê e tu dirias que eu ficar longe de ti era uma coisa que não querias que acontecesse. eu corava, como um tomate e sorria que nem uma tolinha sem noção. e a partir daí ficaríamos inseparáveis, seria tu e eu por tanto tempo que parecia infinito. como num sonho. 

00h23: chorando que nem um bébé (...)


acho que nunca vou ser corajosa o suficiente para deixar alguém atravessar este meu muro que construí envolta do meu coração. sou demasiado insegura, medrosa. independentemente de quem for. seja ele o homem dos meus sonhos, seja um amigo, qualquer pessoa. não é vergonha, mas não quero que vejam o quão fraca sou. sei lá... não quero. mesmo que acorde sem querer saber o que os outros pensam, isso mais cedo ou mais tarde vai  desabar e eu não vou aguentar e vou estar aqui a escrever sobre isso, como agora, com lágrimas nos olhos. se eu nem consigo acreditar que alguém, um rapaz, pode gostar mesmo de mim, e pode querer estar comigo, como posso acreditar em mim mesma? às vezes penso que estou tão sozinha, e volto a recuperar disto. esqueço isso, vejo os amigos que tenho. mas há pessoas que fazem comentários, que por mais pequenos que sejam me deitam abaixo. e este muro cada vez cresce mais, tornando cada vez mais impossível alguém conseguir atravessá-lo. já vi o meu futuro: sozinha, com uma casa cheia de gatos. sempre os adorei, serão os meus lindos. são melhores que pessoas, e ainda são mais bonitos. 
há coisas que nunca mudam, e eu? sou só uma delas. 

bright petals.