Delírios de Amor - XXXXVII

Adormeci em casa dele, num sofá confortável.
Quando acordei e vi as horas que eram fiquei desesperada! Já passava das nove da manhã e isso significava que não conseguíamos chegar à primeira aula da manhã a tempo. 

Iara: Fábio! Fábio, acorda, vá! Fábioooo ! 
Fábio: Hum, que se passa? - com a voz sonolenta. 
Iara: São nove e quarenta e sete Fábio! Perdemos a primeira aula, vá despacha-te que não posso faltar assim! 
Fábio: Han? Já? Oh, não faz mal. Vamos para a escola durante o primeiro intervalo, ficamos aqui vá. - puxando-me pela cintura para me deitar outra vez com ele.
Iara: Tu ficas aqui, eu tenho que ir. Principalmente tenho aula a seguir com a doentia stora Mónica.  
Fábio: Nunca ouvi tal nome - disse despreocupado. 
Iara: És novo na escola burro, óbvio que não. Mas ela é mesmo psycho, odeio-a, a escola toda odeia - disse a vestir-me.
Fábio: Então porque não a despedem? 
Iara: Porque ela é daquelas professoras muito bem qualificadas ou sei lá o quê. Veio do estrangeiro, dizem que é um génio, e não sei como um génio daqueles veio parar na nossa escola. Quer dizer, é meio esquisita, mas pronto. 
Fábio: Hum muito bem, acho que não fiquei com ela. 
Iara: Sorte a tua amor. 
Fábio: Deve ser, olha queres que te faça qualquer coisa para comer?
Iara: Que eu saiba também estás atrasado menino Fábio.
Fábio: E daí? Eu preocupado com aula de Matemática não estou, ahah. 
Iara: Devias, começar atrasado para aluno novo dá má reputação aos professores. 
Fábio: Eu depois compenso-os com notas maravilhosas, vais ver.
Iara: Temos aqui um cromo, han? Sim senhora. 
Ele levantou-se e deu-me um beijo, mesmo estando com o hálito horrível (eu e ele). 

Tomámos um pequeno-almoço rápido, arrumámos-nos e fomos para escola. Chegámos no início do primeiro intervalo e despedimos-nos.
Fui ter com o habitual grupo da turma, e todos começaram a fazer uma festa pela minha falta de manhã.

Marta: Mal as aulas já começaram e já faltas? Andas rebelde I.
Iara: Cala-te parva, atrasei-me só isso.
Marta: Eu digo o "atrasei-me" digo.
Iara: Ahah, parva.

Fábio: Olá - disse ele tímido.
Iara: Oi.
Fábio: Posso saber porque faltaste? - perguntou desajeitado.
Iara: Posso saber o interesse? - não percebia onde ele queria chegar com aquilo.
Fábio: Apenas curiosidade...
Iara: Hum, está bem.
Fábio: E então... Posso?
Iara: Não tens nada a ver com isso, Fábio.
Fábio: Calma, estava preocupado.
Iara: Lá por seres colega de turma e tudo mais não quer dizer que tenha que te contar a minha vida.
Fábio: Pois eu percebo, desculpa incomodar-te.

Soltei-lhe um sorriso fingido e sínico. Porque raio ele havia de querer saber da minha vida? Olha-me este agora. Já tenho o Pedro a controlar-me, agora tenho este cusco também. Lindo. Por falar no diabo (Pedro), mandou-me uma mensagem deveras esquisita. "Já percebi que não queres ter nada comigo, o que houve entre nós passou. Ok, já percebi. Vou desistir, mesmo sendo difícil pois estamos na mesma escola. Vou tentar, vou sempre gostar de ti, Iara."; A única coisa que me veio à cabeça foi paz, finalmente ele pensou como deve ser. Já não era sem tempo. Recebi outra mensagem, desta vez do Lourenço a pedir que fosse ter com ele ao bar.

Iara: Olá novo corte de cabelo que te fica perfeito!
Lourenço: Olá melhor amiga mais exagerado mundo!
Iara: Ahah, tás lindo gordo!
Lourenço: Eu sei Iara.
Iara: Tá. - ele abraçou-me e deu-me um beijinho, retribui. - Novidades para mim?
Lourenço: Ya. Preciso de conselhos.
Iara: Hum, sim senhora. Quem é ela?
Lourenço: Chama-se Mia, não sei se conheces.
Iara: Acho que conheço, mas apenas de vista. Pensava que estavas interessado numa rapariga loira quando saíste do bar ontem.
Lourenço: Nem sei quem é, ela quis conversar comigo lá fora mas ela era chata de mais, ahaha. Até me dava pavor de olhar para ela, que me irritava só de piscar os olhos.
Iara: Deve se ter juntado às bitches da escola, que nojo. Caga nisso.
Lourenço: Já caguei, vá, agora conselhos!
Iara: Mas pra quê? Conquistá-la?
Lourenço: Sim. Ainda não a conheço muito bem, mas é mesmo linda por dentro e por fora tipo simpática, engraçada, querida, sei lá. Perfeita.
Iara: Ohh, o meu menino apaixonou-se - apertando-lhe as bochechas.
Lourenço: Não sei, talvez. Ela faz-me sentir bem ao pé dela.
Iara: Oh que fofo! Estou ansiosa pelo romance!
Lourenço: Se houver um, ela não parece estar interessada.
Iara: Como é que não parece estar interessada?
Lourenço: Sei lá, não parece.
Iara: Se calhar estás a fazer filmes. Eu por acaso nunca a vi com ninguém... Talvez esteja à tua espera para aquele romance de anos e anos e anos e anos e ano...
Lourenço: Já percebi a ideia Iara - interrompendo-me.
Iara: Pronto, mas queres que vá falar com ela?
Lourenço: Sobre o quê? Como disseste só a conheces de vista.
Mia: Olá Lourenço! - a falar nela não é que aparece? ai destino.
Lourenço: Ah, hum, o-o-olá Mia - gaguejando - esta é a Iara, uma amiga.
Iara: Olá Mia, finalmente conheço-te. Ouvi falar muito bem de ti.
Mia: Olá! A sério? Quero ver isso, ahah.
Iara: Puxa uma cadeira e senta-te connosco.
Lourenço: Isso, senta-te connosco.
Mia: Oh não posso! Vim só aqui para ver se encontrava o Lourenço para dar-lhe um beijinho de "bom dia".  - Juro por tudo que os olhos dele brilharam e ele corou um pouco. Deu-lhe um beijinho bem demorado na bochecha rosa dele e foi-se embora com um sorriso para ele.
Iara: Ai que tomate que tu estás.
Lourenço: Estou nada, estúpida.
Iara: Bem fofinha a rapariga.
Lourenço: Eu sei. - colocando a mão na bochecha em que Mia lhe deu o beijinho e babando-se.
Iara: Estás a babar-te, há baba por todo lado Lourenço.
Lourenço: Cala-te couves.
Iara: Ahah, vou para a aula, beijinhos!
Lourenço: Até já. 

A caminho da sala deparo-me com o Pedro. E ele sem hesitar vem falar comigo.

Iara: Estou atrasada, sai da frente.
Pedro: Falta 5 minutos.
Iara: E? Sai da frente e pronto.
Pedro: Não, quero falar contigo.
Iara: Sobre o quê? A sms não chegou?
Pedro: Não, dizer cara a cara é melhor não achas?
Iara: Eu contento-me com um sms, obrigada. - O Fábio aparece e dá-me um beijo na cara.
Fábio: Então princesa, algum problema?
Pedro: Não, só estava a tentar dizer-lhe uma coisa.
Iara: Essa coisa já me tinhas dito por mensagem, e chega que venhas sempre ter comigo.
Fábio: Ouviste-a. Podes parar com essa cena da perseguição.
Pedro: Não estava a persegui-la, só queria falar com ela sobre nós.
Iara: O nós não existe, percebes?
Fábio: Vamos esclarecer uma coisa, ela está comigo não contigo. Portanto podes começar a baixar a bolinha. - chegando-se à frente do Pedro.
Iara: Calma Fábio.
Fábio: Não lhe vou fazer nada, ele não merece isso sequer.
Pedro: Ahah grande desculpa. - O Fábio deu-lhe um murro bem forte. Tive de agarrá-lo para não fazer mais nada.
Iara: Já chega vocês dois. Vai-te embora Pedro!
Pedro: Eu vou , mas quero falar contigo.
Fábio: Falas mas é para o meu punho.
Pedro: Já estou a tremer, ahah - e foi-se embora.  

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era tudo bonito quando começou, o meu coração nem imaginou que mais tarde ele bateria por ti. agora olha, tarde de mais não é? pois. era mais simples quando falávamos todos os dias simplesmente para nos picarmos, fazer-nos rir um pouco mais que o costume e falar de coisas que ninguém mais entende. era giro, era. e quando simplesmente me agarravas para tentar pisar-me, ou mandar-me ao chão só para me gozares um pouco mais? mesmo que me aleijasse não me importava, sabia que te tinha lá, comigo. mas depois, e depois afaste-te, afastámos-nos. superei isso, não me importei. ou melhor, nem reparei bem nisso, em nós quanto a amigos.
voltámos a aproximar-nos, não como dantes, mas o suficiente para dizer que já te tinha de novo. afastaste-te, ignorei pois não tinha mais nenhuma reação a ter. não iria ser a tua cadelinha que iria atrás de ti no matter what. e acabei por encerrar tal assunto, colocando o meu ponto final naquela história. sem ligar ao que sentia por ti, e isso já nem eu queria saber. pensava eu que tal coisa tinha acabado quando menos precisava tu voltas, com ainda mais impacto estando eu no estado que estava. na altura sentia-me vazia mesmo, e tu, tu vieste dar aquelas borboletas na barriga, vieste e com isso trouxeste tudo de volta. tudo o que estava mais que encerrado e enterrado vou a ter vida sem eu me dar conta. e quando dei, já era tarde de mais. já não podia recuar. no início pensei que não seria nada de mais, umas palavras trocadas, risos não tão iguais aos de antigamente mas também vivos. estavas tão diferente da última vez que falámos algo de jeito. mudado, muito. o teu encanto tinha mudado mas mesmo assim não deixava de me atrair. durante dias falávamos normalmente, tínhamos brincadeiras do costume, mas depois afastámos-nos. por culpa minha, desta vez. recuei na nossa amizade no medo de algo mais aquilo se tornar. e não consegui que isso me deixasse de afectar pois afectou-me imenso. não interessa o quanto nos afastemos, eu, ou tu, ou amigos em comum vai voltar-me a trazer para ti de qualquer das formas. é inevitável eu não procurar por ti, é inevitável eu não tentar chamar a tua atenção para me irritares e depois colocares os teus braços à minha volta mesmo sem sentires nada por mim. isso não me interessa nada mesmo, só quero que voltes e fiques para sempre, sem idas. percebe isso, duma vez por todas. agora, deparo-me com sentimentos por ti, mais fortes do que alguma vez senti por ti e eu nem sequer me importo. por isso abre os teu olhos e olha bem para mim e vais reparar em tudo o que sinto por ti.

bright petals.