Delírios de Amor - XXXXV


   Monstros, é o que eles são. As coisas que partiram, graças a Deus não eram nada de especiais. E quanto ao sofá, eu colocava uma manta ou isso por cima e estava o problema resolvido.

 Infelizmente as aulas estavam a começar, era o primeiro dia e o maldito despertador não tocara a horas. Acordei foi com os gatos a lamberem-me e depois que vi as horas tive de despachar-me. Vesti rápido umas calças brancas, com um top rosa/bege, saltos altos bege, um casaquito e a mala. Penteei-me, lavei os dentes, peguei numa fruta e saí de casa muito à pressa. A ir para o carro, lembrei-me que não tinha o telemóvel comigo e lá fui eu buscá-lo.
  À entrada da escola estava o Fábio e o Lourenço a ter uma conversa que parecia estar muito animada, pelos vistos.


Iara: Que imagem maravilhosa, de vocês os dois a falarem e a criarem laços. Yey.
Lourenço: Que parva, logo de manhã. -O Fábio agarra-me, dá-me um beijo na bochecha e diz-me ao ouvido. - Não vim para a escola para aprender a ser vela.
Iara: Ahah cala-te. - Dei-lhe um beijinho na cara.
Fábio: Tás toda despenteada, ahahah.
Iara: Pois estou. - Ajeitando o cabelo. - O despertador não tocou e tive de me despachar à pressa.
Lourenço: Sabes que as aulas só começam daqui a meia hora não sabes?
Fábio: Acho que não sabe. Ahah.
Iara: O quê? São que horas?
Lourenço: Oito e dez. Ahahah.
Iara: Caraças, não acredito. O meu despertador deve tar avariado. Porra.
Fábio: Ou então se calhar és tu que não vês bem, talvez. Ahah.
Iara: Ai que piadão que vocês fazem. Tou com fome, vamos comer? Não digam que não, vá.
Fábio: Bora.
Lourenço: Siga.

 No caminho vi o Pedro agarrado a uma qualquer ao pé dum banco da entrada da escola. Simplesmente passei, sorri, dei a mão ao meu namorado e senti-me mais feliz que nunca. Saber que ambos estamos bem finalmente, faz esquecer as partes más do passado.

Iara: A escola pintou o bar, não acredito!
Fábio: Que fixe para ela.
Lourenço: Mesmo Fábio.
Iara: Cromos.
Lourenço: Sim, tá bem.
Fábio: Vais comer o quê? Não pode ser muito que acho que ainda não recuperaste da dose de pastéis.
Lourenço: Também acho, daqui a nada tás mesmo obesa Iara. Tens que te cuidar.
Iara: Calem-se. Olhem que você também não ficam atrás. Essa barriguinha até já se nota mais e tudo. - Dando palmadinhas nas barrigas deles.
Fábio: Bébé, chama-se músculos.
Lourenço: Exacto.
Iara: Chama isso chama, coitados. - eles nem responderam e como se estava a tornar um silêncio simplesmente irritante disse - Quem me paga o pequeno-almoço? - olhei para o Fábio. E de seguida para o Lourenço.
Lourenço: Não olhes para mim. O teu namorado que pague.
Iara: Fábio! - A agarrar-me a ele, a dar graxa.
Fábio: Que remédio. - Dei-lhe um beijinho.

  Eu e o Fábio fomos para uma mesa e o Lourenço viu uma rapariga, nova na escola pelos vistos, e foi meter conversa. O que deu para namorar um pouco até as aulas começarem.

Iara: Vá, vou ter que ir.
Fábio: Não tens nada. - Agarrando mais a ele e dando mais beijos na bochecha.
Iara: Tenho sim, vá. Já chegaaa ! Ahah. Pára! Ahah. - Estava a fazer-me cócegas. Deu-me um beijo, retribui e fui para a sala.

  Estava lá toda a gente da turma antiga com um aluno a mais, que deveria ser aquele tal Fábio. Estava disposta a falar com ele, meter conversa. Até que metade da turma decide meter-se no meio do caminho para falar comigo, contar novidades, etc. Com isso tudo a stora chegou e tivemos que ir sentar embora a primeira fosse toda à balda na nossa turma. Começámos com a habitual apresentação e daí confirmei que aquele era mesmo o Fábio, que tinha 19 anos e por surpresa minha morava a poucos minutos da minha casa. Quem diria. Depois de 90 minutos a falar sempre das mesmas coisas dos anos anteriores, saí da sala muito rápido para dar um grande abraço à minha melhor amiga super desaparecida! Olhei para o telemóvel e liguei-lhe para ela ir ao pátio principal e para ficar lá. Assim que a vi, depois de correr que nem um pinguim a morrer, dei-lhe um abraço gigante!

Iara: Vanessaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !
Vanessa: Iaraaaaaaa, sua estúpida! Ahh, que saudades tuas!
Iara: Digo o mesmo gorda! Parece que não te vejo à 1 ano !
Vanessa: Engordas-te? Ahahah.
Iara: Tou normal parva! - Sentámos-nos no banco à nossa frente.
Vanessa: Claro! Então, conta-me novidades que aposto que tens.
Iara: Tenho pois! Eu e o Fábio andamos!
Vanessa: Isso não é novidade minha amiga, até parece que ias para o Brasil com ele e não acontecia nada.
Iara: Ahah, tens razão.
Vanessa: Always .
Iara: Então e tu?
Vanessa: Afonso, Afonso, Afonso. O meu príncipe I'.
Iara: Já viste? Nós, as duas, com namorados podres de bom, felizes como não sei o quê. Ai ai V', que sorte a nossa estar assim juntas.
Vanessa: É mesmo I', portanto é para continuar. Mas nem sabes quem  foi que me mandou uma sms ontem. Urghh. - Ela ficou com o olhar mesmo furioso.
Iara: Quem?
Vanessa: O imbecil do João. Mandou-me uma mensagem a dizer "Desculpa por tudo, sabes bem que ainda te amo, por tudo o que tivemos. Perdoa-me V', não volto a falhar contigo! Prometo-te isso(...)" Blah blah blah...
Iara: Jesus! E tu, respondeste?
Vanessa: Óbvio que não, bloqueei o numero dele para não repetir. Estou feliz, apaixonada, tudo e mais alguma coisa pelo Afonso. Ele é simplesmente aquilo que o João não era. Fiel e sincero.
Iara: Acredito que sim amor. O Fábio também não igual ao Pedro e que já agora, esse aí anda agarrado às bitches cá da escola. Passei por ele, agarrei a mão o meu Fá, sorri e ignorei. O Fá é aquela coisa, perfeitita que vai ser sempre meu.
Vanessa: Aw, somos tão fofas.
Iara: Claro! Olha, como é que é o teu horário? Eu tenho aula a seguir e tu?
Vanessa: Hoje também, pelos vistos.
Iara: Então almoçamos juntas .
Vanessa: Sim sim. Tenho de ir amor, beijinhoooossss. - Esmagou-me a cara com os seus lábios de preta, mas que são lindos! E retribui-lhe o beijinho.
 Estava "inclinada" para o meu lado direito a arrumar as coisas na mala, quando de repente me tocam nas contas. Eu pensava que era a Vanessa, mas afinal enganei-me.

Delírios de Amor - XXXXIV

Fábio: Já estou cheio, não quero ficar obeso !
Iara: Então estás a ir no caminho certo.
Fábio: Parva.
Iara: Muito. Hum, olha ali em frente ! - Ele olhou e quando reparou que não havia nada olhou para mim de novo e trau! Ketchup na cara dele ! Ahahah. Ele olhou-me com um ar passado e pegou na maionese. - Não eras capaz ! Para já Fábio. Fábio !
Fábio: Chama-se vingança minha amiga ! - E atirou-me maionese para a cara que foi quase para o cabelo, o meu lindo cabelo!
Iara: Já chega, o meu cabelo não pode sofrer com isto portanto chega ahah.
Fábio: Quer dizer, então o meu já pode? É bem Iara.
Iara: Cala-te vá.

 Pagámos os pastéis, e ainda levei outro para comer no caminho, mas mais pequenino. Não queria ficar mesmo obesa não é? Encontrámos depois uma fonte que por sorte não estava ninguém por perto e lavámos a cara porque os guardanapos só limpavam, não deixavam a cara totalmente limpa. O ambiente estava perfeito, calor mas não demasiado, vento mas não era frio. Estava realmente agradável.

Iara: Bora tirar fotos... isso, vamos tirar fotos ! Anda!
Fábio: Vamos nada, tenho maionese no cabelo Iara.
Iara: Então deixa-me tirar, vá. Chega-te para lá.
 Sentei-me ao lado dele e comecei a tirar água da fonte e passá-la no cabelo dele, tentando tirar aquela maionese.
Fábio: Estou a ficar com pingas na cara Iara! Nem limpar o meu cabelo sabes.
Iara: Desculpe se não fui para limpadora de cabelos ok?
Fábio: Está desculpada.
Iara: Estou sempre.
Fábio: Nem sempre, Iara.
Iara: Ai é? Então? - Ele ficou sério, que até tentei dar uns risos para ver se o ambiente ficava melhor, mas nem isso adiantou.
Fábio: São coisas que já passaram, e agora o que importa mesmo é que me tires esta maionese. - Ele soltou um sorriso entristecido.
Iara: Então Fábio? Conta-me. - Colocando a minha mão na cara dele, acariciando-a.
Fábio: Tu sabes o que é, és tu. Desde de hoje de manhã que me viraste a cara quando ia-mos dar um beijo que penso que tu já não queres nada comigo. Ya, eu sei que estou sempre a falar disto, mas quando és a única pessoa que tenho por perto é difícil não parar de pensar. - Ele baixou a cabeça e ficou a olhar para baixo.
Iara(coloquei a minha mão entrelaçada na dele): És tão parvo!
Fábio: Um rapaz a confessar os seus sentimentos a uma rapariga e ela diz "és um parvo". Muito bom Iara, a sério!
 Beijei-o. Beijei-o como se fosse da primeira em casa dele, o mesmo sentimento e atração.
Fábio: Amo-te. Mesmo. - A sorrir, disse.
Iara: Eu também, mesmo!
 Afastamos-nos um pouco.
Fábio: Anda cá! - Agarrou-me na mão e puxou-me para o centro da praça cheia de pessoas. - Iara, namoras comigo? - Disse gritando, fazendo com que toda a gente parasse e começasse a olhar para nós. Toda a gente começou a dizer 'Aceita', e eu a corar !
Iara: Fábio, que vergonha, ahah. Tou toda vermelha, aposto.
Fábio: Tás linda meu amor! Não te preocupes com isso!
 Beijei-o e de seguida disse-lhe ao ouvido "Aceito"

A partir daí eu e ele começámos a namorar e passado três dias voltámos a Portugal.
O Lourenço estava lá à minha espera no aeroporto, e fui a correr dar-lhe um abraço! Contei-lhe do Fábio, e ele respondeu-me com "Já estava à espera, não reparaste na maneira que olhava para ti e tu para ele? Eu reparei, ahah".
 Quando cheguei a casa, como é que ela estava? O sofá estava meio rasgado, tinha coisas espalhadas pelo chão e algumas partidas.
Iara: Não acredito, ANGEL E BENNY! - Começaram logo a miar e a vir em direção a mim a pensar que lhes ia dar uma festinha. - Seus monstros, já viram o que fizeram? Estragaram-me a casa! - a Angel miou e o Benny limitou-se a espirrar para cima de mim.

bright petals.