Leva-me Contigo - IX


O meu telemóvel começou a tocar, não sei como o ouvi da cozinha com a barulheira dos rapazes na sala.

- Margarida ! Tens o telefone a tocar - disse a minha mãe.
- Oh mãe eu ouvi ok. Estou?
- Hey princesa - disse o Tim.
- Oh, olá amor - disse eu a sorrir.
- Aposto que é o namorado - disse o meu irmão da sala.
- Lol cala-te Gonçalo - disse eu.
- Posso ir ter à tua casa? Preciso de falar contigo - disse o Tim, sério.
- Sim acho que sim, mas passou-se alguma coisa? Parece sério.
- Riu-se - Não é nada princesa, já te conto, encontramos-nos no café?
- Sim, até já - disse preocupada.
- Até já amor.

- Mãe, vou ter com o Martim ao café, volto daqui a 10 minutos beijo.

Não lhe dei tempo de responder, ela obviamente não me deixaria sair de casa com o jantar quase pronto, mas whatever. 
Ele já lá estava quando cheguei.

- Olá amor - beijei-o e sentei-me.
- Mar...
- Sim? Oh Tim, que se passa? Estás tão sério, preocupado.
- Vou ser operado.

O meu mundo parou e eu não sabia voltar a fazê-lo rodar.

- Mar, não é nada de mais - disse, tentando reconfortar-me.
- O quê? Onde? Se não fosse nada de mais não ias ser operado não é? E porque não me contaste que estavas mal? Oh meu Deus, e se tudo corre mal? Martim eu não vou aguentar estar sem ti , e agora? Tim... - comecei a chorar.
- Ele abraçou-me bem forte - Não vai acontecer nada de mal, eu prometo. Não te contei porque nunca foi nada de especial, não queria preocupar-te, e eu não vou a lado nenhum.
- Como tens tanta certeza?
- Porque a operação é no braço tonta - disse ele a sorrir.
- Opá ! Assustaste-me mesmo - disse enquanto ele limpava as minhas lágrimas.
- Ahah desculpa pequenina - disse ele.
- Mas porque vais ser operado?
- Há uns dias lesionei-me a andar de skate, a minha mãe levou-me ao médico e disseram que tinham de operar por causa de um tendão ou uma cena do género.
- Mas ainda hoje parecias tão bem.
- É, tenho uma boa ligadura no braço e uma dose enorme de pomada e medicamentos.
- Oh amor, devias estar no hospital.
- Para quê? Gastarem uma cama que outra pessoa possa precisar? Nah, eu fico bem - disse a sorrir.
- Mesmo assim... Isso pode piorar.
- Amanhã vou fazer a operação, vens comigo?
- Isso ainda se pergunta? Mas é claro.

Ia dando-lhe um beijo quando o meu telemóvel toca. Quem será? Mãe.

- Tenho que ir amor, amanhã fico contigo o dia todo se for preciso - dei-lhe um beijo.
- Esta bem amor, gosto muito de ti princesa - disse-me ao ouvido.
- Eu também príncipe - sorri.

Fui a correr para casa, para além de ter fome queria ver os gémeos que já devem ter chegado. Abro a porta de casa e quem vem a correr para mim? A Rafa e o Tomás, os gémeos mais lindos do mundo.

- Olá meus amores - disse eu a sorrir-lhe.
- Olá Mar ! - disseram em uníssono e deram-me um abraço.
- Heyy, como foi a natação?
- Foi ótima, aprendemos a mergulhar na piscina grande! - disse a Rafa.
- Pois foi e depois andámos a fazer bombas! - disse o Tommy.
- Meninos, vamos jantar, todos para a mesa! - disse a minha mãe. 

Eles foram a correr, deviam estar a morrer de fome. E depois o meu estômago fez questão de soltar o maior berro da sua vida para me lembrar de ir comer bem rápido.  
O jantar foi maravilhoso, gostei muito desta reunião de família, já não tínhamos algo assim à algum tempo. Os gémeos tinham crescido tanto desde a última vez que os vi e estavam cada vez mais fofinhos. Todos os meus tios tinham o dom da piada, não sei, ria-me com qualquer coisa que eles dissessem. Adoro-os, e não os trocava por nada. O meu irmão ficou a brincar com o Tomás, e a Rafa foi ter comigo ao quarto. 

- Anda para a sala - disse. 
- Oh já vou pequenina, estou só a mandar uma mensagem. 
- É para o Martim ? Ihih - sorriu. 
- É sim - sorri-lhe - pronto, vamos lá para a sala. 

Estava preocupada com ele, mesmo sendo no braço a operação podia correr alguma coisa mal e eu não quero que isso aconteça. 
Como o assunto de eu ter namorado não podia faltar à conversa, o meu tio Lourenço fez questão de dar a sugestão de tema. 

- Então Mar, como vai esse Martim? 
- Vai bem, tio. 
- É, ainda bem então. 
- Pois é - soltei um sorriso cínico. 

Sabia que ele ia mandar uma boca, portanto perguntei à minha mãe da sobremesa. 

- Ainda bem que me lembras Mar, vou buscá-las. 
- Queres ajuda? - perguntou Mia.
- Se quiseres também posso ajudar - sugeriu Nádia. 
- Obrigada, mas eu trato de tudo - sorriu-lhes.
- Eu vou ajudá-la - disse o meu pai. 

Quando vi aquela taça de mousse de chocolate na mesa de jantar o meu coração caiu e tudo dizia ao meu corpo para ir a correr para a mesa. 

- Calma Margarida , chega para todos ! - disse a minha mãe. 
- Bufei - Esta bem. 

Como é óbvio comi a maior quantidade de mousse, e já estava a prever uns 10kg a mais só por comer a sobremesa.
Eram quase duas da manhã quando o tio Lourenço e a tia Mia se foram embora, foram os últimos a ir. Despedi-me deles, fui tomar banho outra vez e liguei ao Martim.

- Acordei-te?
- Não princesa, não conseguia dormir - disse cansado.
- Podemos falar até adormeceres - propus.
- E tu? Também tens que descansar.
- Sim, mas assim dormimos juntos - sorri.
- Tudo bem então.
- A que horas vais ao hospital?
- Não sei, acho que vou a seguir ao almoço ou à tarde tipo 5 - disse.
- Estou tão nervosa Tim.
- Deves estar nervosa por mim e por ti, eu cá acho que não temos que nos preocupar.
- Talvez, mas tenho medo.
- Hey não tenhas, não vai acontecer nada - disse num tom mais descontraído.
- Gosto muito de ti está bem?
-  Eu também gosto muito muito de ti meu amor - falou como se estivesse com um sorriso.

Falámos a noite toda, adormecemos por volta das 5 da manhã e infelizmente tive de acordar às 8, logo, 3 horas de sono não foram lá grande coisa.

«Não não sou Jay...» 
«Porque dizes isso Anita?» disse revoltado, surpreendido e um pouco magoado.
«É ela...A outra é que está destinada a ser a tua única» 
«Não digas disparates Annie, eu gosto é de ti, não dela» - Anita estava a olhar para baixo - «Hey, olha para mim, - olhou - , não digas essas coisas esta bem?» 
«Mas Jay, eu tenho a certeza» 
«Annie... explica-me isso» 
«Eu devia ir andando Jay...as pessoas podem ver-me» 
«Não está aqui ninguém - ri-se -, não tenhas medo»  

Ficaram aninhados um no outro durante o máximo de tempo que puderam, Anita e Jay ainda eram os melhores amigos mesmo tendo um sentimento mais forte do que amizade, um pelo o outro. Jay ficou a pensar no que Anita disse: A outra é que está destinada a ser a tua única, estas palavras flutuavam na cabeça de Jay e pareciam não desaparecer. 

«Não penses mais nisso, Jay» 
«Annie, existe alguma hipótese de voltares ao normal?» perguntou, mudando de assunto. 
«Existe» Jay que estava deitado com Anita na areia, sentou-se e o amor apoderou-se de si. 
«Então volta, podíamos ficar juntos!» 
«Não é assim tão fácil, paguei o preço de te deixar para me tornar nisto - apontando para a cauda azul esverdeada - e agora teria de pagar outro grande preço, para voltar ao normal» 
«Só te tenho a ti» 
«Não, não tens Jay, tu sabes isso melhor que ninguém. Não faças isso» 
Jay começou a chorar, abraçou-a e disse «Não vás, por favor fica» 
Anita passou a mau pelo seu cabelo sedoso, preto e curto, sorriu-lhe, olhou nos olhos de Jay e disse «Vai tudo melhorar, eu prometo-te, basta continuares assim, bem sem mim como fizeste» 
«Mas An.. » - Anita interrompeu-o - «Nada de mas», beijou-o nos lábios, nas bochechas, no nariz e na testa. Jay sorriu, abraçou-a e fez-lhe o mesmo. Anita agora tinha desaparecido por entre as ondas da manhã de inverno e Jay ficou a observá-la o máximo que pode até o seu rasto se misturar com o mar.

Lara pensava no sorriso de Henry que antes lhe parecia tão verdadeiro e bondoso, e agora no final ele é aquele monstro. Era impossível não lhe passar pela cabeça que ela não seria boa o suficiente que ele teria de se tornar assim, mas realmente ninguém merece um rapaz daqueles. A tal ideia logo saiu da sua cabeça. Sophie não queria deixar Lara sozinha e mesmo sabendo que o assunto rapazes não eram os melhores, não conseguiu evitar perguntar-lhe o que achou do novo miúdo, o Jay.

«Pareceu-me porreiro» disse Lara tentando mostrar-se desinteressada.
«Lara, vá lá, admite duma vez que gostaste dele»
«Hey, não se gosta duma pessoa assim do nada sabes?»
«Vocês gostaram, e isso ainda vai dar que falar, escreve o que eu digo»
«Em letras grandes» disse por fim.

Ela não tinha uma ideia definida de Jay, achava-o um rapaz tímido que no fundo era um mundo novo por descobrir, mas também um rapaz que pode ser o pior do mundo só por ter um sorriso apaixonante na cara e uns olhos cinzentos que podem hipnotizar alguém para fazer o que ele deseja. 

Quando chegou a casa não foi logo dormir, ficou a olhar para a janela tentando encontrar algo nas estrelas. Nelas viu o rosto de Anita a sorrir para si, e sorriu-lhe de volta. Sentia tantas saudades dela, amava-la tanto ainda, e queria abraçá-la mais que tudo no mundo. Agarrou nas chaves do carro, eram quatro da manhã e as luzes dos vizinhos estavam todas apagadas, assim como nas restantes casas à volta. Entrou no carro na esperança que Anita ouvisse o seu chamar e viesse vê-lo. Ele sabia que era praticamente impossível, mas a palavra impossível já era subestimada. Colocou a música deles a tocar, Shakira - La Tortura ft Alejandro Sanz. Foi com esta música que se conheceram. Estavam numa festa com amigos comuns, Jay tinha acabado com a sua namorada na altura e não lhe apetecia fazer nada e foi então que Anita apareceu, para agitar o seu mundo. Ela puxou-o para dançar a música, conheceram-se e nunca mais se largaram, até agora. Lara passou pela sua cabeça no meio disto tudo, mas a presença de Anita não se comparava com a dela no coração e mente de Jay. Quando finalmente chegou, foi para o ponto mais alto da praia, uma rochedo enorme. «Anita! Anita! Aparece, onde estás? Anita?», gritava Jay sem fôlego e só pensava no desejo de querer vê-la. Passou horas a gritar por ela, andou pela praia toda e acabou por adormecer na praia, naquela areia que coloria o seu casaco preto. Acordou com o primeiro raio de sol da manhã, com as umas mãos suaves no seu rosto. «Anita? És tu?» perguntou. Acariciou-lhe o cabelo, sorriu-lhe e disse por fim, beijando-lhe em seguida as suas bochechas rosadas, «Olá Jay». Jay levantou-se de maneira a ficar sentado, olhou para ela e abraçou-a. Ela retribui o abraço e começou a chorar. «Anita, que se passa?» disse preocupado, «Eu amo-te tanto Jay...Queria ficar assim para sempre contigo, mas não sinto que esse seja o meu lugar, o meu destino, percebes?» disse meio tímida e receosa. «Não Annie, não percebo. Se eu fosse mau para ti, te trata-se como lixo, mas não trato porque és tudo para mim», «Eu sei Jay, eu sei, e eu odeio-me por isto. És a melhor coisa que me aconteceu e eu só continuo a estragar isso. Vês? Eu nem devia ter vindo, estavas tão feliz por teres encontrado com os rapazes e até conheceste uma outra rapariga», Anita chorou mais ainda. Jay não estava a aguentar vê-la assim, não sabia o que fazer e pensou como ela soube essas coisas, mas não era isso que o preocupava mais. Pegou na cara de Annie, esfregou as lágrimas com os polegares, sorriu-lhe e beijou-a como nunca tinha feito. «Tu és a única para mim» disse Jay com um sorriso nos lábios. 

bright petals.