The Discovery #29



Vénus 



      Vénus soltou um sorriso orgulhoso. Estava a conseguir o que queria: deixar Sol doido por ela de novo.
- Bem, já faltou mais. - disse para si enquanto ajeitava o longo cabelo ruivo e arrumava o vestido. Colocou-se à espreita perto da janela e observou os raios de Sol a brilhar enquanto brincava com os riscos de fogo que fazia no ar. Deitou-se na cama do seu antigo, ou talvez até atual, amante e sucumbiu a um sentimento de solidão que atingiu-a como uma flecha e os seus olhos rubis começaram a arder, encherem-se de lágrimas, por ser uma solitária, uma fraca e uma intrusa que ninguém precisava.
     As memórias que Mercúrio lhe trouxera deixaram-na de rastos. Apesar de Sol ser a perfeita distração para a sua solidão, o efeito borboleta atingiu-a: Sol era perfeito para lhe mostrar o quão só estava. Sentia saudades da sua família, dos seus. Sentia saudades do que nunca realmente teve: um amor duradouro. Fazer-se de forte começava a pesar-lhe nos ombros. A máscara, lentamente, ia-se partindo e Vénus não conseguia juntar os bocados.
     Vénus ficou assim até a chamarem para jantar: envolvida nos lençóis de Sol com a cabeça deitada em solidão.



Luna 



      O calor raivoso que Sol deixou pairado no ar deixou-me enojada. O que raio tem ele na cabeça? Nunca imaginei que ele deixasse o lado vingativo à solta. Não o conheço assim tão bem, afinal de contas.  
      Como se não bastasse o problema de Vénus, Sol tinha de juntar o Tiago ao barulho, e ainda por cima num jantar cá em casa. Suspirei. Caminhei em direção à cozinha para avisar avó de que Tiago vinha cá jantar. Apesar de ainda ser plena tarde, eu já estava mais que nervosa por isto. Ter os dois perto não é bom, ainda por cima com a Vénus cá.  Tornei a suspirar. Quero paz e sossego, será que peço de mais?





     Já eram quase horas do jantar. Os meus nervos estariam mesmo a chatear Sol. E ainda bem. Ninguém lhe mandou convidar o rapaz.
     A Lua estava brilhante e emanava um brilho relaxador. Por favor Lua, não deixes que nada de mal aconteça hoje, pedi.
     Vesti um vestido cor de safira, com decote em V, não muito profundo que me ia perto do joelho. Coloquei o meu colar , o que Sol me ofereceu, após o ter tirado para o banho e o anel que ganhei da minha mãe e desci as escadas, pronta para enfrentar a estupidez de Sol e Vénus.
     Sol estava no sofá juntamente com Mercúrio e o meu pai - avó na cozinha e Vénus certamente que estaria no quarto de Sol, a fazer sabe-se lá o quê. Fui ver se avó precisava de ajuda, mas ela já tinha acabado de cozinhar e estava a ler uma revista de receitas. Assim, fui para o alpendre, ignorando o olhar de Sol e de seguida, o de Mercúrio. Reparei que todos eles tinham camisas vestidas. Pareceu-me que este jantar estúpido até serviu para colocar algum senso comum naquelas cabeças.
Procurei alguma paz na luz de Lua e na magia do Ar. Comecei a fazer pequenos tornados em volta das minhas mãos. Faziam-me sorrir e esquecer tudo. Levavam os meus problemas para longe com aqueles rodopios. Mas logo voltavam. Principalmente quando eles dissiparam-se por entre os meus dedos quando a minha concentração se desvaneceu por ter ouvido o pior som do mundo: a campainha. Levantei-me mas obriguei-me a parar e respirar fundo umas quantas vezes antes de enfrentar o caos que Sol estaria a preparar.
     Finalmente entrei na sala e os meus olhos foram diretamente para os de Tiago. Os seus olhos azuis esverdeados guardavam um mundo que sempre ansiei descobrir, porém, o mundo que os de Sol guardavam eram o meu porto de abrigo, a minha felicidade genuína - o mundo que eu não queria jamais abandonar.
- Luna - sorriu-me.
- Olá, Tiago - sorri-lhe e caminhei em direção a ele. Abracei-o.
- Ainda bem que vieste - menti.
      Encolheu os ombros - Queria ver-te. Estás linda - sorriu.
- Obrigada.
      Mercúrio, Sol, Plutão e avó observavam-nos e Sol não estava nada a gostar do que via, assim como o meu pai. Obriguei-me a afastar-me dele e ter cuidado com cada gesto, palavra e sorriso que lhe fazia, dizia e mostrava. Tiago trouxe um bolo, feito por ele, para comermos como sobremesa. Estava tudo a correr bem. O meu pai, Mercúrio e até Sol o cumprimentaram. Eles ficaram a conversar sobre o jogo que passava na televisão. Até que Vénus desceu as escadas com um vestido de pasmar. Os seus olhos cor de sangue brilhavam de poder. O seu sorriso era magnifico, e o vestido - comprido, justo e branco - acentuava-lhe perfeitamente. Todos, incluindo eu, ficaram de queixo caído quando ela entrou na sala. Mas o meu espanto logo passou quando ela, após cumprimentar o Tiago, se sentou ao lado de Sol como sua namorada. Namorada? Ok, podia não ser. Mas notava-se que estavam íntimos. Muito íntimos. Íntimos de mais para o meu gosto. Se é assim que Sol quer jogar, tudo bem, eu jogo. Aproximei-me de Tiago, subtilmente, mas todos reparam. Sol ficou furibundo, mas não demonstrou. Apenas eu o senti.
      Quando chegou a hora de irmos para a mesa, Sol sentou-se ao lado de Vénus. Sentei-me ao lado da avó, que ficou na ponta, assim como o meu pai, e Tiago ficou ao meu lado. Vénus e Sol ficaram de frente para mim e Tiago mas Mercúrio, como estava ao lado de Sol, tentou acalmar-lhe os ânimos.
- Então Tiago, o que fazes? - disse Sol enquanto decidia o que comer - O que fazes da vida, digo.
- Bem, acabei a faculdade este ano por isso vou começar à procura de emprego durante estes próximos meses - respondeu e soltou-me um sorriso.
- Ena, não sabia que tinhas estudado. Formaste-te em quê? - perguntei.
- Direito.
      Todos olharam-no surpreendidos.
- Uau, temos aqui presentes um advogado - dei-lhe uma leve cotovelada e sorri-lhe. Tiago sorriu-me.
- Há que tentar.
      Nesse momento, o semblante de Sol mudou, o que sentia mudou. Não estava mais ciumento, ou irritado, estava chocado. Olhava Tiago como se tivesse visto um fantasma, estava pasmado. Tentei acalmá-lo através da nossa Ligação, mas Sol não queria ser acalmado. Senti-o nervoso e surpreso. Todos ficaram a olhar para ele, confusos.
- Sol, passa-se algo? - perguntou Vénus. ´
     Não obteve resposta.
- Sol - chamei, sem resposta. Irritada, exclamei - Sol!
- Hum? O que foi?
- Estás bem, meu querido? - disse Vénus.
- Hum? Eu... Eu estou ótimo. - Levantou-se - Desculpem, mas eu preciso de apanhar ar. Já volto, podem continuar o jantar sem mim.
     Olhámos todos uns para os outros, confusos. Levantei-me para ver como ele estaria, mas parece que Vénus teve a mesma ideia. Levantámos-nos ao mesmo tempo, o que me deixou super irritada. Ia fazer o meu caminho em direção a Sol quando avó falou:
- Na na. Mais ninguém sai desta mesa. Deixem o rapaz sozinho.
- Mas Mondy, porque haveria de fazer o que diz?
- Porque temos um convidado. Vais ser assim... Tão, indelicada? - Vénus lançou-lhe um olhar furioso, mas permaneceu com a feição calma.
- Pronto, tudo bem. - avó sorriu.
- Avó, eu vou ter com ele.
- Tu vais é sentar esse teu rabinho na cadeira e jantar. E não se fala mais no assunto.
     Sentei na minha cadeira, irritada, sem vontade alguma de ficar naquele ambiente agora vazio sem o meu Tal.
- Ouve, desculpa ser o motivo de te impedir de falar com ele - Tiago sussurrou-me.
     A voz dele fez-me arrepiar.
- A culpa não é tua. Descansa. Vamos aproveitar o jantar - consegui oferecer-lhe um sorriso.
     A minha preocupação com Sol foi quase esquecida. Algo em mim dizia-me sempre que devia ir ver como ele estava mas Tiago ocupava a minha atenção e eu não consegui descartá-lo. Outra vez.



Sol 



     Sol caminhou para o jardim e parou debaixo da árvore grande. Sentou-se e colocou as mãos na cabeça. Confuso e assustado. 
- Estou louco. Estou a ficar louco - dizia Sol para si. - Não pode ser, ele... Não pode ser...
     Ele tentava racionar. Poderia ter imaginado? Não, não podia. Um rosto daqueles não se esquece. Só não percebe que, se for realmente ele, como não reparou antes? Bem, reparou. Quando o viu à porta sentiu algo. Mas agora, antes de jantar, nada. Até que lhe ocorreu. 
- Ele não pode ser... 
      Acredita que pode Sol, é ele. A voz da Lua ecoou no ar e Sol acreditou. 
- Tiago... - Hesitou, com medo de dizer as palavras - Tiago é Tema - falou Sol surpreendido com a loucura na sua voz mas com certeza nas suas palavras. - Tiago é Tema e ele tem a Luna. 

Venus #28



Luna 



     Quando a luz enfraqueceu por completo, deu lugar a uma mulher esbelta. O seu olhar vermelho como sangue faziam Sol tremer, e não consegui perceber se era num bom sentido ou mau sentido, para mim. O cabelo de Vénus, ruivo brilhante, caía-lhe pelos ombros e era dum comprimento infinito, completamente liso. Trazia um vestido comprido, com decote em V, preto. Olhava somente para Sol, como se fosse ele a única pessoa que importasse. A única pessoa digna do seu olhar.
     Sentia o nervosismo de Sol, mas não podia interferir-me no caminho de Vénus para ele quando estávamos mal. Pior que mal. Tive que controlar-me para não armar-me em possessiva e ciumenta.
     Avó olhava Vénus intrigada. O meu pai e Mercúrio esperaram que ela dissesse o que estaria ali a fazer antes de tomar quaisquer atitudes.
- O que estás aqui a fazer, Vénus? - perguntou Sol, claramente perturbado. 
- Bem, decidi visitar-te. Estava a sentir saudades tuas - respondeu, enquanto se aproximava dele. - Tu nunca mais voltavas - acrescentou. - Imaginei que estarias muito ocupado e...
     Sol interrompeu-a - E estou. Não se nota? 
     Vénus não desviou o olhar do dele nem um segundo. Colocou a mão no seu pescoço. 
     Mas quem é que ela pensa que é? Sol é o meu Tal, eu sou a Tal dele! O que ela pensa que está a fazer? 
     Não consegui controlar-me. Estiquei a minha mão em direção a Vénus e atirei-a contra o muro. 
- Luna! - gritou avó num tom autoritário e chateado. 
     Não lhe liguei. Fui ter com Sol, meio envergonhada, meio orgulhosa. Coloquei-me ao seu lado e não liguei ao facto de toda a gente estar com os olhos postos em mim, espantados.
- Oh, olá Vénus. Sou a Luna, protetora e Tal do Sol. Como vais? - Soltei um orgulhoso e leve sorriso para ela. 
     Vénus levantou-se, ajeitou o vestido, tirou o cabelo da cara graciosamente e começou a soltar risinhos. 
- Parece que arranjas-te companhia enquanto estive ausente. Pelo menos, finalmente arranjaste uma companhia de jeito - falou para Sol. - Ou então... - fitou-me pouco convencida.
- Podes explicar o que estás aqui a fazer? - perguntou ele.
- Já te disse. Estou com saudades tuas. 
- Pelo menos podias parar com as mentiras, Vénus - disse avó como se a conhecesse à anos.
- Mondy. Nem te tinha visto... 
- Vê lá como falas, Vénus - disse Mercúrio irritado e a aproximar-se da avó. 
- Olá, Irmão. 
- Não venhas com a treta do Irmão, Vénus. 
- Já lá vão décadas, maninho. Podíamos esquecer esse assunto. Começar de novo... Que achas, Irmão?  
- Podíamos. Mas não o vamos fazer - abraçou avó com o braço esquerdo. 
- Pronto, pronto. Já não insisto mais. 
     Vénus virou-se para mim e para Sol de novo. Aproximou-se. Olhou para mim, a avaliar-me, e fixou os seus olhos em Sol, de seguida. Colocou a sua mão no pescoço dele e sussurrou-lhe algo ao ouvido. O que quer que tenha sido, deixou Sol chateado, mas não o demonstrou no rosto. Vénus olhou-me de cima a abaixo, sorriu, e começou a andar para dentro de casa. Até ela desaparecer completamente da nossa vista, nenhuma palavra foi dita. Quando a sua figura finalmente entrou em casa, a avó começou a ficar preocupada. Mercúrio acalmou-a. Eu ia ter com ela, se não fosse Sol a puxar-me pelo braço e a falar comigo. E já que ele começou, eu também queria dizer-lhe algumas coisas. 
- Luna, desculpa por esta situação. A Vénus é uma doida. 
- Não peças desculpas por isso. Eu não tenho moral - hesitei e fiquei de cabisbaixo - Mas quem é ela Sol? 
- Bem, ela é Vénus. 
- Isso sei eu, obrigada.
- Nós tivemos uma... coisa - disse hesitante.
- Uma coisa? - perguntei duvidosa. 
- Sim, Luna, tu sabes... 
- Oh. Já percebi. 
- Pois. 
- Mas Sol... - fitei-o. - Como ficamos nós no meio disto tudo? Eu sei que tu ainda não me perdoaste. 
     Sol olhou-me nos olhos. Reparei que no seu olhar já existia um fio de amor e perdão, um fio desprovido de desilusão e tristeza. 
     Ele demorou a dizer algo de tal maneira que pensei não ouvir nenhuma resposta vindo dele. E quando ele finalmente abriu a boca para dizer as palavras que mais ansiava, a campainha toca de uma maneira louca. Obriguei-me a afastar-me de Sol. Aquela doida da Vénus ainda abria a porta e fazia sei lá o quê. Suspirei. Mais um problema para as minhas costas.
      Avó, Mercúrio, Sol e o meu pai foram para dentro de casa. De certo que pensavam numa maneira de lidar com esta mulher. Reparei que Vénus só trouxera stress e preocupação cá para casa. E ela chamou Mercúrio de Irmão. Isso quer dizer que são família? Quer dizer que a minha mãe também fora Irmã de Vénus? Assim como o meu pai?
     Quando finalmente abri a porta, os meus olhos não estavam preparados para ver o rosto que me apareceu à frente.
- Tiago? O que fazes aqui?
- Desculpa ter tocado à campainha feito um louco. Mas eu estou farto de esperar, Luna.
- Esperar pelo quê? - questionei a tentar compreender a sua expressão.
- Por uma explicação tua! - Tiago aproximou-se de mim. O seu semblante estava carregado transparecendo tristeza e confusão.
- Desculpa Tiago, mas isto não é realmente boa altura.
- E quando será, Luna?
- Não sei. Mas de certeza que não é agora.
     Um calor abrasador começava a fazer-se sentir vindo das minhas costas. Que raio?
- És o Tiago? - perguntou Sol, possuído por testosterona.
- Sou sim.
- Oh, então finalmente conheço-te.
- Sol, o que estás a fazer?
- Nada Luna, queria conhecer o teu amigo.
- Pronto, já o conheces. Podes ir embora - afirmei sem encará-lo.
- Tiago, não queres vir cá jantar, mais logo?
     Tiago olhou para mim duvidoso. Olhei para ele tentando fazê-lo recusar o convite mas não consegui. Ele encheu o peito, como Sol, possuído pelo orgulho, e aceitou o convite. Sorriu-me, disse um até já e foi-se embora. Fechei a porta com uma raiva. Sol ficou a olhar para mim, a sorrir, como se tivesse ganho um prémio.
- O que foi isto Sol?
- Ora, chama-se conviver Luna.
- Porque estás a fazer isto?
- Acho que é mais assim: - aproximou-se de mim, colocou a mão na porta de modo a bloquear-me de lado com o braço, sorriu orgulhoso e concluiu - porque não haveria de fazer isto? - E com isto, Sol subiu as escadas em direção aos quartos.



Sol 



     Ver Vénus de novo causou náuseas a Sol. Detestava-a. Agora mais que nunca por interferir num momento destes, de novo. Detestava-a pelo que fez décadas atrás. Vénus fora uma diversão para Sol mas isso durou mais do que previsto e agora ela aparecia inesperadamente como uma chama longe de ser extinta - a ideia de Sol fazer o mesmo que Luna lhe fez enojava-o. Mas eles não estavam juntos. Ainda não. 
     No entanto, Sol pediu-lhe desculpa por este problema de Vénus mesmo sem ter culpa alguma. E quando Luna lhe perguntou sobre o estado da relação deles, Sol tentou procurar palavras, tentou dizer-lhe que ainda a ama muito e que, em breve, espera estar junto dela, como sempre irá estar. Mas um infernal barulho começou vindo da porta e as palavras escolhidas de Sol ficaram para segundo plano. 
     Luna começou a andar em direção à porta de entrada e sem ela dar conta, Sol seguiu-a. Ficou um pouco mais atrás, mas estava lá, atrás dela, a protegê-la de qualquer ataque inesperado de Vénus ou surpresa vindo da porta.  Quando se apercebeu da pessoa que estava lá fora, Sol não se conteve: olhou para aqueles olhos azuis esverdeados e algo dentro de si reconheceu aquela pessoa. Não do dia em que chegou e o viu com Luna, mas de outra altura, outro momento. Porém, logo largou essa sensação e meteu-se com o rapaz. Sol sentia a frustração e a irritação de Luna e isso só indicava de que estava a resultar, a sua tática. Convidou-o para jantar e fez Luna perceber de que a vingança está próxima. 
      Sol subiu as escadas e sabia que Vénus estaria à sua espera no quarto. Durante o caminho tentara preparar-se para não se exaltar, mas quando abriu a porta e Vénus o olhou com se fosse uma presa, Sol não se deteve. 
- Vou perguntar pela última vez Vénus - estendeu a mão para o lado, aberta, e, num ápice, uma chama apareceu para ameaçar Vénus -, o que estás aqui a fazer? 
- Calma, meu querido - aproximou-se devagar, hesitante por causa da chama - Não precisamos de ir por esse caminho. - Sorriu. 
- Acredita que precisamos. 
     Vénus tirou o charme do seu rosto e olhou para Sol com desprezo. Virou-lhe costas e deitou-se na cama, de frente para Sol.  
- Vim porque me apeteceu. Mercúrio e Plutão estão longe há tanto tempo, pareceu-me que a diversão estava toda cá em baixo, e parece que não me enganei. 
- Porque te apeteceu, hum? - Sol riu-se com a estupidez dela ao mesmo tempo que abanava a cabeça. 
- Sim. Estou farta de estar sozinha lá cima. Sabes perfeitamente que a Terra, o Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno são uns chatos. E Marte... - Vénus ficou de cabisbaixo.
      Sol, pela primeira vez, viu Vénus com uma tristeza genuína.  
- Eu sei. Mas não podes simplesmente aparecer. 
- O que perturba, Sol? 
- Não tens nada a ver com isso. Volta para casa, Vénus. 
     Vénus ignorou-o completamente, avançou para ele e agarrou-lhe pelo pescoço. Fitou-o e deu-lhe um beijo. 
Sol surpreendeu-se com a facilidade com que cedeu ao beijo de Vénus. Os seus lábios eram familiares, quentes, sedosos... Sabia o caminho até ela e ceder não lhe pareceu errado. A sua cabeça apagou-se envolvida somente em desejo de toques, beijos, paixão de que Luna lhe tinha privado. As suas mãos percorreram o corpo de Vénus num desejo incontrolável. Quando reparou, Sol e ela estavam deitados na cama, a querer mais e mais. Vénus estava pronta para reclamar Sol como seu quando ele afastou-a brutalmente.
- O que se passa agora? Estou a ficar farta dos vossos modos. 
- Fica longe de mim, Vénus. 
- Tenta tu ficar longe de mim, Sol. 
     Vénus soltou um sorriso vitorioso e orgulhoso. 
     Sol afastou-se dela e caminhou para fora do quarto a tentar similar o que acabou de acontecer. No seu corpo e mente ardiam a confusão, enjoo e raiva que eram maioritariamente dirigidos a si por ter sido fraco. 

bright petals.