Delírios de Amor - XXIV

Diogo: Estou ?
Iara: Sou eu ! Olá .
Diogo: Sis, então, ligas-me só para urgências, que se passa ?
Iara: Pedro e Fábio.
Diogo: Já vi o drama, nem precisas de explicar.
Iara: Ainda bem então, que faço ?
Diogo: Bem, acho que primeiro tens que saber o que cada um significa para ti, depois ver com qual dos dois eras capaz de viver sem, e se não conseguires ter a certeza de qual escolher, escolhe nenhum deles. Tens-me a mim que chega. Ahahah.
Iara: Só tu mesmo, ahah . Obrigado bro.
Diogo: De nada sis, aqui para tudo, sabes.
Iara: Vá, beijinhos fofos, boa noite feio.
Diogo: Kiss no ass, brinca, beijinhos .
  Não, não consegui dormir com isto. Fiquei a noite toda a pensar, a repensar, a tentar que algo me dissesse com que devia ficar ou se devesse mesmo ficar sozinha.
Comecei a pensar no Pedro,
em aspectos físicos, diria que era perfeito. Alto, bom corpo, olhos lindos, cabelo "wow". Ele era um quebra-corações, sabia conquistar uma rapariga, sabia fazê-la sentir-se desejada e amada. E eu que o diga. Bem, ele era simpático, alegre, amigo, querido, mas também era mesmo mau e não sabia discutir. (se é que alguém sabe, mas ele discute de maneira muito bruta) Não queria perdê-lo, e ele provou-me. Pediu-me em casamento no meio de montes de gente e ainda por cima num lugar lindo ! Não podia negar que ele foi um grande amor em mim, foi talvez aquele grande amor, mas depois vem o Fábio.
O Fábio, é lindo como por dentro como por fora. Tem um ar de rapaz que anda com todas, mas ele só teve uma namorada a sério, essa que morreu e que se não tivesse eu não o teria conhecido e não teria-me envolvido com ele como envolvi. Então, que ele é assim megaaaaaaaaa querido, simpático, divertido, amoroso, sabe cozinhar (o que é bom), é alto, bonito, brincalhão, fofo, bem vou parar aqui. E digam-me, quem é que vocês acabavam por escolher ? É do tipo, quase impossível. E acho que esse "quase" está lentamente desaparecendo. Às vezes era tão bom desaparecer da face da Terra !
Por meras horas, consegui apagar-me de tudo, senti-me a flutuar e o vento a passar pela minha cara. O meu cabelo esvoaçava e naquele preciso momento, nem o Pedro nem o Fábio podiam estragá-lo.
   Essas meras horas, tornaram-se infinitas nos meus sonhos, pareciam ser uma eternidade que nunca me quereria livrar, é simplesmente perfeita. Perfeita de mais, até. O perfeito é impossível, mas neste sonho predominava. Como tudo o que é bom, não dura para sempre, este sonho não foi excepção. Acabou mais cedo do que queria, e o mais estranho é que, antes de acordar no meu sonho, estava um sinal a dizer "True Love" (sim, mesmo conveniente.) e havia uma seta a apontar para outro sinal com uma letra que não percebi qual era porque, acordei. Podia piorar ? Até os sonhos, eles conseguem estragar e invadir o meu pensamento. Fogo.
  Vá, lado positivo: hum, não há !
 Ai que nervos !  Não aguento mais isto.
 Quando pensava que nada se podia resolver, vi a luz no fundo do túnel: nada melhor do que faze "um-dó-li-tá" e se ficar desiludida com o que me calhar, escolho o outro porque esse é que me mais atrai.
Comecei pelo nome do Pedro e no fim acabou por eliminar o Fábio. Fiquei desiludida, mas seria com ele que queria e deveria ficar ? Bem, parece que isto quer que eu fique com o Fábio. Mas não me vou deixar manipular por uma coisa dessas, e vou ter que voltar a repensar tudo, again .  Estava farta de pensar e eram quase 6 da manhã. Portanto fui dormir.
Acordei mesmo tarde, tipo 5 da tarde. Não me apetecia estar com ninguém, e fui dar uma volta a pé por aí.
Fui andando e durante o caminho apreciava cada lugar por onde passava. A beleza de cada cor, flor, paisagem, enfim, tudo.
 Enquanto andava, ficava com uma fome, bem. E por isso decidi parar para comer e lá encontrei o André, o namorado da Marta.
André: Hey, oláá Iara !
Iara: Oh, olá André ! Por aqui ?
André: Pelos vistos, então e que fazes ?
Iara: Bem, para além de pensar na vida, vou comer. Ahah, e tu ?
André: O mesmo. - E revelou-se com ar abatido.
Iara: Que tens ?
André: Marta.
Iara: Que se passa ?
André: Ela acabou comigo.
Iara: O quê !?
André: Também fiquei assim, ela disse que não dava mais e acabou tudo.
Iara: Mas vocês amam-se !
André: Pois também não percebo, fiquei a pensar se tinha feito algo de errado, mas não. Não devo chorar ou pensar em pessoas que não me dão valor, e por isso vou desistir de vez dela.
Iara: Achas mesmo que é o melhor ?
André: Se não for, o que será ?
Iara: Pois não sei, mas ela parecia tão apaixonada da ultima vez que a vi.
André: Pois, enfim. Então e tu, a pensar no que ?
Iara: Amor, quer dizer, dois amores.
André: Pedro e quem ?
Iara: Fábio.
André: Quem é esse ?
Iara: Não conheces, ele mudou-se para cá há um mês e conheci-o numa festa que fui com a Vanessa.
André: Já estiveram juntos ?
Iara: Mais que isso, enfim. E eu o Pedro temos vindo a discutir quando conheci-o e ficava cheio de ciúmes ao ponto de fazer-me escolher ele ou o Fábio e é por isso que estou tão mal, não tens noção mesmo.
André: Oh miúda, onde te foste meter.
Iara: É, também acho. Que faço ?
André: Não sou o melhor para ajudar, mas acho que devias ficar com aquele que te faz mais feliz e que tens a certeza que não te vai desiludir.
Iara: Mas eu acho que eles me fazem feliz de igual maneira, e acho que nenhum deles me vai desiludir, apesar de o Pedro já o ter feito antes.

continua.

Delírios de Amor - XXIII

 Fui para o quarto dele, e o Fábio seguia-me.
 Não conseguia dormir, porque ele estava literalmente ao meu lado e pronto, foi meio esquisito.
Fábio: Consegues dormir ?
Iara: Não, e tu ?
Fábio: Também não.
Iara: Queres falar ?
Fábio: Vá,vamos a isso.
  Falámos de coisa de coisas super estúpidas, nem eu às vezes percebia o que ele dizia, ahah. Com isto acabámos por fazer directa e dormir só às sete da manhã.

Iara: Bem, acho que vou mesmo dormir agora.
Fábio: É, eu também. Ahah
  Acordei eram 16horas, e ele já estava levantado.
Iara: Já acordado ?
Fábio: Sim sim, vamos à praia.
Iara: Ai vamos ?
Fábio: Sim, está um dia lindo e no Verão vai-se à praia !
Iara: Eu não tenho bikini aqui .
Fábio: Tens sim, desculpa-me mas eu mexi na tua mala e peguei nas chaves da tua casa e tirei um bikini, não te importas?
Iara: Hum, na boa.  Então e já fizeste a mala ? Ahah .
Fábio: Sim, já. - E fez-me uma careta.
   Apressei-me a arranjar-me e fomos para o carro. Fomos para um praia ali perto, onde o mar era realmente bom para nadar, estar, era lindo.

Fábio: Lindo não é ?
Iara: Totalmente !
 E descemos do carro, e fomos arranjar um lugar que por acaso até foi fácil. Havia muita pouca gente na praia, sabe-se lá porquê.
Tirei o top que tinha vestido e logo depois os calções. O Fábio tirou a t-shirt e foi a correr para o mar.
Deu um mergulho e soltei um sorriso ao ver os olhos dele a brilhar com a água e a luz do sol.
Fábio: Vem Iara ! A água está óptima !
 Sorri-lhe e fui a correr para a água. Dei um mergulho, e sorri-lhe.
Iara: A água está mesmo óptima !
Fábio: Pois está !
  Atirei água para a cara dele.
Iara: Ahahahahaha , só a tua cara !
Fábio: É assim ? Vais ver.
 E começou a atirar-me água, e depois agarrou-me por trás. Os seus braços estavam em volta da minha barriga, e senti-me bem, muito bem aliás. Durante aquele momento, era como se nós estivéssemos naquela praia, ninguém mais. Sentia-me mesmo feliz, sentia-me protegida e segura. Sentia-me bem, muito bem.
 Segundos depois, senti uma sensação apoderar-se do meu corpo que eu própria não conseguia domar. Virei-me e fiquei frente a frente com o Fábio, nem precisámos de falar. Os nossos olhos falavam por nós e de novo, beijámos-nos. Só queria que aquele momento durasse para sempre. Esqueci tudo o que sentia pelo Pedro, e só queria o Fábio ! Era esquisito pensar assim, mas era o que estava a acontecer lentamente connosco. Não queria largar o Fábio, queria continuar a sentir os seus lábios nos meus, queria tê-lo sempre por perto e agora sabia que aquilo era mais que amizade, se era amor não sei.
 Não consigo imaginar eu e o Fábio namorarmos, mas se acontecesse era algo que investia a 101% .
Quando o beijo acabou, só conseguia sorrir-lhe, mais nada.

Fábio: Fica comigo, escolhe-me !
 Mais drama, digo que sim ou que não ? Bem, eu quero ficar com ele, mas uma parte de mim ainda ama o Pedro !
Iara: Fábio, não sei que te responder.
Fábio: Diz que sim, estes dias são apenas uma amostra do que te posso dar. Eu não sou como ele, não te faria mal, não duvidava de ti, amar-te-ia até ao fim.
Iara: Não duvido, mas sabes o que houve e o que há entre mim e ele.
Fábio: E o que há entre nós ? Não é especial ou importante ?
 E largou-me dos seus braços.
Iara: Claro que é ! Mas não sei o que decidir !
  Ele olhou para baixo, respirou fundo e veio até mim. Agarrou-me nas mãos, olhou-me nos olhos e disse-me.
Fábio: Eu sei que não temos uma história como a tua e a do Pedro, mas sei que podemos começar a tê-la e uma muito melhor. Uma história cheia de amor e carinho, confiança e sinceridade. Sei que não o rapaz perfeito para ti, mas eu quero tentar. Estes dias têm sido maravilhosos, sem falar no mês em que nos conhecemos, sem falar nas tardes que passámos. Iara, eu estou disposto a correr o mundo por ti. Eu não quero ser mais um namorado, eu quero ser o teu namorado. Aquele que te marcou para sempre e que te garante um futuro sem mágoas nem tristezas. - Nem acredito que ele estava a dizer isto tudo. - Fica comigo !
Iara: Fábio, nem sei que dizer. Surpreendes-me a cada segundo que passa, e nunca vou conhecer ninguém como tu. Estes dias significam imenso para mim como para ti, tens-te revelado no melhor que me podia ter acontecido neste meses e obrigada a sério. - Vi-o sorrir, e o seu olhar começar a brilhar. - Não te consigo dizer nada em concreto agora, desculpa-me. Prometo-te que vou pensar no assunto, mas agora não te posso dar uma resposta, há muita coisa para assimilar ainda, e eu preciso de tempo !
Fábio: Claro, eu percebo.
Iara: É melhor ir embora...
Fábio: Não ! Fica, a sério.
Iara: Não sei.
Fábio: Sei eu, vá. Fica ! Por favor, é só um dia de praia.
Iara: Só porque estamos na praia, que já não vou a algum tempo, e porque preciso de bronze.
  Sorriu-me, e dei um mergulho. Depois, fui para a toalha, secar e trabalhar o bronze.
Ficámos na praia mais três ou quatro horas, e ele levou-me a casa. Quando lhe ia dar um beijinho na cara de despedida, queria que ele virasse a cara e virou, mas ficámos desajeitados e sem jeito. Acabei por lhe dar um beijinho e ele a mim, e depois lembrei-me que por algum motivo qualquer tinha a sua camisola - a que ele me emprestou na praia - comigo. Cheirei-a e respirei fundo e seu perfume, e vesti-a. Que se passava comigo ? Nunca pensei que o Fábio se tornasse tanto na minha vida durante tão pouco tempo, será que este sentimento aumentou assim , de repente ? Será que o Pedro tinha razão ? Será que o Fábio não era apenas um amigo ? Tudo perguntas sem nenhuma resposta. Apenas sei que ele marcou a minha vida para sempre.
Bem, tenho que decidir alguma e não de barriga vazia. Encomendei o jantar e comi, logo se seguida comecei a pensar nos prós e nos contras. Pronto, não era bem prós e contras, mas sim o que sentia por cada um e qual dos dois seria melhor para mim. Até pensei na hipótese de escolher nenhum deles e seguir um caminho sozinha, mas acho que não seria capaz de tal coisa. Não consigo deixar nem o Pedro nem o Fábio. Precisava de ajuda, pensei na Vanessa mas a miúda só me ia dar na cabeça portanto ignorei a hipótese de lhe ligar. Pensei em todas as minhas amigas confiáveis, conselheiras e amigas. Mas não quis ligar para nenhuma. Até que me lembrei da pessoa certa, a única que me poderia ajudar.

continua. 

Delírios de Amor - XXII

 Durante a tarde eu o Fábio ficávamos cada vez mais inseparáveis. Conheci-o melhor, muito melhor mesmo. Finalmente passara uma tarde agradável.
Fábio: Ahah, nem sabes o que fazia quando era criança. 
Iara: O quê ? 
Fábio: Fazia birra durante a noite, gritava, berrava e só parava quando tivesse um chocolate para comer, os meus pais passavam-se tanto ahah ! 
Iara: A sério ? Ahahahah 
Fábio: Juro-te, é por isso que agora sou tão irresistível ! 
Iara: Ui ui, nem imaginas o quanto ! Ahah. 
  Enquanto andávamos tropecei num pedra e caí, ele ajudou-me a levantar e por uns instantes, os nossos olhares cruzaram de uma maneira tão única e de uma maneira que nunca tive oportunidade de  sentir. Os seus olhos brilhavam e cheguei a perder-me neles, até que as nossas caras começaram a aproximar cada vez mais e quando os lábios quase se tocavam, eu afastei-me brutalmente dele. Com um ar totalmente desajeitado, levantei-me.  Ele levantou-se segundos depois, e eu continuei a andar sem esperar por ele porque sabia que ele me seguiria.  

Fábio: Iara ! Espera... 
 Olhei para trás, e fui ter com ele numa timidez sem calculo. 
Fábio: O que se passou aqui ? Foi impressão minha ou estávamos prestes a beijar ? 
Iara: Não foi impressão tua, e acho íamos mesmo. 
Fábio: Desculpa, a culpa foi minha.
Iara: A culpa foi dos dois. Mas vamos esquecer, esta bem ? 
Fábio: Sim, é, é melhor. 
 Fomos todo o caminho com um ar constrangido. 
Iara: Não aguento mais este ambiente, fogo. 
Fábio: Nem eu, ahah 
 Rimos-nos os dois, e começámos a falar de coisas mais alegres e com piada.  

Quando demos por nós eram quase horas de jantar, mas desta vez, fomos para casa dele. 
Fábio: A minha casa, bem está num desarrumanço ! 
Iara: Desarrumanço existe ? 
Fábio: Provavelmente não, mas caga. Ahah .
  Quando ele abriu a porta de casa, fiquei bem deslumbrada. A sala era linda, apesar de haver alguns copos por aí espalhados, as paredes eram de um bonito azul, com mobília meio à surfista, mas era tudo do meu agrado e a sala estava 100% aprovada. Nem liguei ao que o Fábio me disse e continuei a espreitar o resto da casa. Fui directa ao quarto, que era azul mas noutro tom, tinha muitas t-shirts espalhadas pela cama, chão e puf. Os móveis eram sempre em tom acastanhado. Tinha fotografias da família (pareceu-me ser da família dele), amigos, e isso. Mas uma fotografia chamou-me a atenção. Estava na cama dele, rasgada em dois. Era uma foto dele com uma rapariga, muito bonita. Na foto ele estava a dar-lhe um beijo na cara e ela com a mão na cara dele e a sorrir bastante.  
Fábio: Ah pronto, agora já viste.
Iara: Queres falar ? 
Fábio: Vá, antes que perca a coragem. - Sentou-se na cama e fez sinal para me sentar também. E sentei-me. - Ela era sem dúvida nenhuma, a mulher da minha vida. Amava-a tanto mas tanto que nem eu podia descrever aquilo tudo. Ela era a mulher ideal. Era, passado.  
Iara: O que aconteceu ? 
Fábio: Ela, bem - E vi lágrimas no canto do seu olho. 
Iara: Se quiseres, não fales. 
Fábio: Ela teve um acidente de carro, e , e eu não consegui salvá-la. - Começou a chorar. Abracei-o.  
Iara: Nem sei que dizer Fábio, lamento imenso. 
Fábio: Pois. 
Iara: Bem, já chega de lágrimas, quero um sorriso nessa carinha e vamos lá fazer um jantar super delicioso e ver filmes ou o que tu quiseres, e depois vamos rir e rir e esquecer por um pouco isto tudo. 
 Ele abraçou-me durante um grande tempo e deu-me um beijo na testa.
Fábio: És a melhor, Iara. Obrigada.
Iara: Aqui para tudo Fá, amo-te feio. 
Fábio: E eu a ti gorda.  
Iara: Fábio ... 
Fábio: Diz . 
Iara: Preciso de tomar banhoooo ! 
Fábio: Na boa, a casa da banho é a porta a seguir, e se quiseres eu empresto-te uma camisola. 
Iara: Obrigada. 
 Tomei um duche, e fui ver um t-shirt dele para usar. Escolhi uma branca da Pull&Bear. Aquilo ficava-me mesmo grande, ahah. Não sei porquê, mas tinha umas leggins pretas na mala e usei-as. 
Fizemos o jantar e comemos a ver os Simpsons .  Depois fizemos uma luta de almofadas, e, quando ele já estava no chão e para ganhar definitivamente, caiu em cima dele e como da outra vez, volta-se tudo a repetir. A mesma sensação, o mesmo sentimento, e um desejo enorme de sentir os seus lábios nos meus. Desta vez não me impus, e o beijo, por conta dos dois, aconteceu. Foi um beijo lento, mas quente e sincero. Durou um pouco mais do queria, mas não me arrependo. 
 Quando finalmente terminou, não sabia com que cara olhar-lhe. Mas com um teria de ser, e a minha primeira reacção foi sair de cima dele, e sentar-me no chão. Ele sentou-se junto de mim, e começámos a falar sobre o que acabara de acontecer. 

Iara/Fábio: Desculpa, ah, ahah. - Dissemos em simultâneo. 
Fábio: Falas tu ou eu ?
Iara: Falo eu. Não sei bem o que se passou, nem o porquê deste beijo acontecer, pensei que o nosso sentimento fosse do tipo irmãos, percebes ?
Fábio: Sim, e é o que eu também acho, ou achava.
Iara: Achavas ? 
Fábio: Quanto a ti não sei, mas desde que começámos a dar assim, muito mais próximos não o que sentir. Não sei se é amizade mesmo ou mais que isso, mas eu não quero interferir na tua relação com o Pedro. 
Iara: Bem, nunca pensei assim. Tinha o Pedro comigo, mas tu és diferente dele. E és o meu apoio nestas semanas mais difíceis, e agradeço-te por isso. E se este beijo aconteceu, é porque há mais que amizade. Não achas? 
Fábio: Acho, mas também não sei se devemos assumir logo como se estivéssemos apaixonados. Acho que devemos deixar tudo acontecer a partir do natural, sem qualquer tipo de pressão ou lá o que seja e o que tiver que ser será.
Iara: Tens toda a razão. 
  Boa, lindo, magnífico, agora estava apaixonada pelo Fábio, sem dar conta ? Que rica vida. Já não basto eu e o Pedro estarmos como estamos, e agora tenho o Fábio a ocupar o meu coração também ? Ai, preciso de uma pausa. Muito drama para digerir.  
Iara: Ah, é melhor ir deitar-me. Arranjas-me uma ou duas almofadas e um cobertor mega fofo para eu dormir no teu sofázinho ? 
Fábio: Sofá ? Dormes na minha cama rapariga. 
Iara: E tu ? 
Fábio: Eu durmo na cama debaixo da minha, que é tipo, não sei o nome, mas é tipo que abre, opa isso ahah. 
Iara: Ahahah, percebi. Esta bem então. 

continua.

Delírios de Amor - XXI

  Os meses foram passando, e estava tudo na perfeição. Ajudei o João com o aniversário com a Vanessa, eu e o Pedro andávamos melhor que nunca, o meu irmão e a minha mãe estavam bem de saúde (toda a família aliás) e não havia mais nada que desejasse.
 Mas à uma semanas, tudo mudou, o mundo perfeito que vivera virou-se ao contrário. Eu e o Pedro começámos a discutir por coisas sem nexo, sem importância e cada vez mais isso era frequente.

Pedro: Iara, não entendes ?
Iara: Não há nada para entender, vê se enxergas !
Pedro: Isto é uma perda de tempo, não percebes que ele está a dar cabo de tudo ?
Iara: Não não está ! Ele é meu amigo Pedro ! Agora nem com eles posso estar sem a tua presença que pensas que te estou a trair ? O problema não sou eu, és tu !
Pedro: Óptimo, agora a culpa é minha .
Iara: Se vens com esse ar irónico falar comigo, podes começar a sair ! - E abri-lhe a porta . Não aguentava mais.
Pedro: É isso que queres ?
Iara: Óbvio que não, mas tu não me dás outra opção.
 E ele saiu furioso da minha casa.

Bem, o amigo que falávamos era o Fábio. Conheci-o numa festa em que eu e a Vanessa fomos nestes meses.  Começámos a falar muito, e ficámos do tipo irmãos, e o Pedro claro que ficou com ciúmes. Mas assim, já é de mais. Ele tem montes de amigas e eu não reclamo, porque sei que ele só me ama a mim, e é comigo que ele está.  Só queria resolver tudo, mas não vou deixar de falar com o Fábio por causa dele.
Passaram-se semanas. Semanas essas que foi cada vez mais difícil suportar isto tudo. Combinei encontrar-me com o Pedro, com o objectivo de sair dali à volta do seu braço, feliz de novo. Foi a caminho da Esplanada, e lá estava ele, à minha espera.

Pedro: Olá, senta.
Iara: Com-licença.
Pedro: Então, estamos aqui para falar como bem vai a tua "amizade" com o Fábio ?
Iara: Pedro, pára, por favor ! Não combinei isto para discutir. Vim aqui resolver tudo, não quero estar assim contigo, sabes bem que não.
Pedro:  Olha que não sei.
Iara: Não sejas assim ! Fogo Pedro, estas semanas não têm sido fáceis para nenhum de nós. Não podemos parar um pouco e conversar sobre isto ?
Pedro: Conversar sobre o quê ? O quanto gostas do Fábio e como estás feliz ao lado dele ? Queres falar de como a nossa relação era perfeita antes deste otário aparecer ?
Iara: Não falas assim dele Pedro ! Tu não o conheces, e ainda por cima não fazes o esforço ! Quero estar bem contigo, mas tu não facilitas !
Pedro: Queres que facilite ? - assenti . - Então ou sou eu ou ele ?, agora escolhe.
Iara: Estás a pedir-me para escolher entre ti e ele ? Pedro, não faças isto !
Pedro: Porquê ? Não sou eu que amas ? Não fui eu que te pediu em casamento no meio de um jardim ? Ele não te pode dar o que te dei até hoje, nunca vai puder !
Iara: Pedro , por favor, não me peças para escolher. - Estava a tentar fazer com que as lágrimas não me caíssem.
Pedro: Desculpa, mas ... é assim que tem que ser.  - Levantou-se. - É melhor ir embora, quando souberes de alguma resposta, liga-me.
  Já nem olhava para ele, e deixei todas as lágrimas caírem pela minha cara abaixo. Precisava de alguém, e esse alguém era o Fábio. Não sabia bem porquê, mas só queria o seu conforto naquele momento. Liguei-lhe.

Fábio: Estou ?
Iara: Fábio, sou eu . - Estava a falar aos soluços.
Fábio: Iara, que se passa ?  Estás a chorar ?
Iara: Podes vir buscar-me ? Estou na Esplanada.
Fábio: Estou a caminho.
 Ele chegou num instante, vi-o e fui directa a correr para os seus braços num choro incontrolável.
Iara: Não aguento mais, Fábio. Não sei o que fazer !
Fábio: Vais ver que vai tudo passar. - Afastou-me um pouco dele, limpou as minhas lágrimas com os seus dedos e sorriu-me. - Não te quero assim, vai ficar tudo bem, prometo.
 Não consegui sorrir, estava demasiado triste, só abracei-o como nunca o tinha feito. Os seus braços seguravam-me sem qualquer tipo de esforço, não o queria largar e pensar que tudo iria ficar realmente bem. Ele perguntou-me se queria ir para casa e disse que não. Então fomos para a praia. Estava vento. E estava a tremer um pouco quando lá chegámos.
Fábio: Queres o meu casaco ? - Era um casaco da DC, super lindo.
Iara: Tens a certeza ?
Fábio: Vá, toma. - Tirou o casaco e ficou com uma t-shirt básica preta.
 Vesti-o e estava quentinho.
Fábio: Iara, que se passou ?
 Respirei fundo e contei-lhe tudo.
Fábio: Isso tudo por minha causa ? Se for preciso afasto-me, se for esse o problema .
Iara: Não ! Isso não, Fá. Não vou abandonar os meus amigos só porque o Pedro quer.
Fábio: Tens a certeza ? Talvez seja ...  - Não o deixei terminar a frase.
Iara: Não Fábio, não quero que vás e o Pedro agora quer que eu o escolha ou a ele, ou a ti.
Fábio: E já sabes qual vais escolher ?
Iara: Não, eu não quero escolher. Vocês são o que melhor me aconteceu. Ele será sempre aquele com quem partilhei primeiras emoções, descobri coisas que nunca vi com mais ninguém. E já passamos por muito. Mas tu, tu és aquela pessoa simpática, alegre, divertida, amiga - E vi um sorriso a formar-se no seu rosto. -e eu não me quero desfazer desta amizade.
 Abraçou-me.
Fábio: Nunca pensei conhecer ninguém como tu Iara. És uma grande amiga, e sabes que agora não vivo sem ti.  - Sorri-lhe. - Mas se estou a causar problemas entre ti e o Pedro, é talvez melhor afastar-me.
Iara: Não me faças isso, tu não !
Fábio: É melhor assim, não achas ?
Iara: Não, não acho ! Tu és importante para mim, mas não é por causa do Pedro que vou deixar de te ver e de ser tua amiga ! Não posso permitir isso.
Fábio: Deves ter razão.
Iara: Eu tenho.
  Continuamos a conversar sobre outras coisas, a ver se me animava. Comecei assim do nada a observá-lo de uma maneira diferente. Comecei a reparar nos seus olhos azuis esverdeados, na sua pele morena e como o seu cabelo (aquele que todos os rapazes usam) combinava com os seus olhos. Eram de um castanho escuro. Ele era alto, uns dez centímetros mais alto que eu. Eu tenho 1.70 de altura, ele tem 1.80 mais ou menos. Tinha braços fortes, tinha um corpo forte, mas não em exagero. Um corpo cuidado.
Fábio: Terra chama Iara ! Alô ?
Iara: Oh, desculpa, estava distraída .
Fábio: Eu reparei, ahah.
Iara: Mas o que disseste ?
Fábio: Se queres ir jantar, está a ficar de noite.
Iara: Ah sim, já tenho uma fome.
Fábio: Eu também !
 Fomos para o carro dele, e fomos a um restaurante ali perto. Jantámos e depois fomos para minha casa ver um filme que tinha lá. No resto da noite, não pensei em nada de Pedro e nesse drama todo que estava a minha vida. Naquele momento era só eu a divertir-me com um amigo, coisa que finalmente podia fazer em paz. O filme era uma comédia, e juro que fartei-me de rir com aquilo tudo ! Depois do filme, ainda estávamos bem acordados e por isso fomos ver séries daquelas de crimes que dá na Sic e isso. Lembro-me de começar a ter sono, e começar a dormitar no sofá junto do Fábio. Depois disso, só me recordo de ter a cabeça no seu colo e de estar a dormir. Acordei na minha cama, e não sabia do paradeiro do Fábio portanto fui à procura dele. Estava a dormir no sofá, com o cobertor em cima. Não o quis acordar, e fui tratar do pequeno-almoço. Quando ele acordou já eu tinha acabado de comer e preparava-me para arrumar a cama.

Fábio: Bom dia ! Podias ter-me acordado .
Iara: Para quê ? Estavas a dormir que nem um bébé, não ia estragar isso. Tens o pequeno-almoço na mesa.
Fábio: Muito obrigado menina Iara. Ahah.
Iara: Ahah .
 Depois de ele ter comido, foi ter comigo à sala.
Fábio: É melhor ir andando, né ?
Iara: Oh, por mim é na boa ficares.
Fábio: A sério ?
Iara: Sim.
 Ele ficou cá em minha casa, estivemos a ver televisão e a falar, fizemos o almoço, os dois. O que fez com que a cozinha ficasse num caos total. Ele ajudou a limpar, e depois disso fomos dar uma volta por aí.

continua. 
 ps: desculpem não ter posto a parte como prometi, mas hoje escrevi uma pouco
maior que o costume e espero que gostem (: 

bright petals.