lembras-te?

   julgo que demos por tudo acabado num recorde de cinco segundos. foi tudo rápido, como efeito relampago em nós.  bastou um começar a gritar dizendo estar farto de tudo, que o outro fez o mesmo, dizendo estar farto das queixas de um e de falta da amor da sua parte.  não percebi nada desta separação,  foi mais estranha que tive, mas também a mais explicita.  falámos de todo o mal que ambos fizémos, e esquecemo-nos dos momentos bons que passámos.  mas dei por mim contigo a sair porta fora. e deparei-me com a tua perda em mim.  senti-me com um peso fora dos ombros, livre depois de tanto tempo, mas também triste, com uma dor muito forte no peito e apetecia-me chorar sem saber tal razão.  e fiz o que o coração me mandou, chorar.  de certo que estaria a libertar-me de ti e de momentos passados em cada lágrima que derramava,  mas fazia sentir-me mais triste ainda sem ter-te a ti aqui.   o que estarás a fazer? estarás a chorar ou a pensar em mim?  espero que sim, pelo menos vivo pensando que um dia ainda te lembrarás de nós.

light

 

   olho para o lado e vejo o teu fantasma a perseguir-me, eu corro, mas cada vez que olho para trás parace que ainda estás mais perto de me apanhar, e eu corro ainda mais, porque não quero cair nos teus braços de novo. 
  deixa-me em paz, vai-te embora para sempre! afasta-te de uma vez, não voltes mais, não me artomentes mais. tento esconder-me de ti, mas tu acabas sempre por me encontrar, implorote que me deixes viver em paz, sem ti ao meu lado mas acabas por me assombrar ainda mais e eu continuo a correr e a correr e a correr.  continuo a olhar para o lado, e agora desapareceste. comecei parar a corrida, a olhar à volta e a perguntar-me o porquê de teres desaparecido. não sei a razão de tal, mas comecei a sentir-me só sem ti. mesmo que antes estavas a perseguir-me tinha companhinha, e agora não a tenho mais. afinal de contas, quem precisava de ti era eu. 
  fiz-me acreditando que ias voltar e durante tempos até mantive a esperança. mas ia desaparecendo, porque não voltavas nunca!  de repente vi-me a mim, fora do meu corpo, fantasma como tu.  apercebi-me da minha morte, da minha morte a pensar em ti. e fiquei pensando se terá acontecido o mesmo a ti, mas como já não estavas fiquei sem resposta.
  mas, do nada, aparece uma luz, um luz muito profunda de onde tu saíste. e em susurro disseste que não aprendeste a viver sem  mim e que um dia acabaste como eu, um fantasma. fizeste perceber o quão importante eras, e puxaste-me para a intensa luz que se abriu naquele mundo de vazio.  fechei os olhos, e imaginava-me num lugar sem explicação e sem definição. um lugar mais bonito que aquele mundo, um lugar mais senero. devagarinho comecei a abrir os olhos, comecei a sentir uma brisa, e quando abri totalmente os olhos reparo na beleza daquele lugar, ainda mais belo do que imaginára e tu estavas a olhar estupefacto com a minha reacção.  eu não acreditava totalmente no que estava a ver e seria só um mero sonho, até que vi realmente que estava mesmo a acontecer-me. fazias-me mesmo feliz, e só me apercebi quando de te perdi. felizmente vi isso a tempo de te reconquistar.

bright petals.