Leva-me Contigo - IV


- Estás aqui a fazer o quê? - ela olhou-me bem, examinou-me com o olhar e reparou que estava pálida - O que é que te aconteceu rapariga?! - o Martim afastou-se para que a minha mãe tocasse na minha cara.
- Estávamos no duche e estávamos a brincar com a água e acho que brincámos de mais.. - explicou o Tim.
- Desculpa.. - disse eu.
- Não faz mal, mas que o teu pai não sonhe com isto - disse ela.
- Obrigada mãe - abracei-a.
- Agora vão-se secar, vestir o pijama e quarto - ordenou ela.

 Assenti-mos, secámos-nos e fomos nos vestir. Vesti o meu habitual pijama que consistia numas calças fofinhas  brancas, atualmente meio cinzentas, e uma t-shirt que o Tim me deu. Ele vestiu uns calções e uma t-shirt. Como não tínhamos sono, trouxe o pc para a cama para ouvirmos música.

- Não pensas ficar no pc a noite toda certo? - brincou Martim.
- Vou meter música, posso? - dei-lhe um beijinho na cara.
- Claro - agarrou a minha cintura e colocou a sua cara no meu ombro.

 Deixei tocar uma música qualquer da lista multimédia e ficámos a conversar.

- És linda princesa - disse Tim
- És um querido amor - dando-lhe um beijinho à esquimó e de seguida apertando-lhe as bochechas.
- Acho que sou sensual de bochechas apertadas.
-  Ficas a parecer inchado, tipo peixe balão - gozei.
- Ai é? Vamos ver quem é o peixe balão agora - fez-me cócegas até me doer a barriga.
- Está bem está bem ! Ahahahahahah, já chega , já percebi ahahah ! - tentei dizer a rir-me .
- Pronto, aí tens a minha vingança. - disse ele.
- Puf, agora devias compensar-me.
- Hum, porquê? - disse ele com ar de pouco convencido.
- Porque fiz isto - dei-lhe um beijo - e isto - dei outro - e isto - dei outro mas na bochecha.
- Ainda não me convenceste - exibindo um ar de descontente e a gozar comigo.
- Pronto - dei-lhe um beijo prolongado - e agora?
- Agora sim, anda cá.

 Como nenhum momento em minha casa pode ser perfeito, o meu irmão bate à porta com o ar mais feliz de todos por saber que arruinou-o.

- Que queres ?! - perguntei eu.
- Sabes onde há pilhas? - perguntou ele com a maior inocência do mundo.
- Oh god, pergunta ao pai.
- Ele também não sabe.
- Pergunta à mãe.
- Boa ideia Mar! Obrigada - disse ele a rir e saiu.
- Ahahah
- Estás a rir-te do quê Martim?
- Do teu irmão ahahah !
- Urgh, pestes vocês os dois.
- Anda cá pequenina - puxou-me para ele e deitámos-nos.

 Ficámos, pelo que pareceu horas, a olhar um para o outro. Adorava observá-lo. Ele era lindo, para mim era perfeito. Adorava a maneira como ele falava, a maneira como os seus lábios pronunciavam o meu nome.  A maneira como ele olhava para mim, a maneira de como os seus olhos verdes brilhavam por me ver. Adorava o facto de alguém finalmente conseguir fazer-me feliz como eu sempre quis. E mesmo que não dure, para mim vai durar, no meu coração. Ele sempre me terá. Sempre.

- O que estás a pensar, Mar?
- Em ti, em como és bonito - soltou um sorriso -, em como me fazes feliz e como me faz bem ter-te na minha vida. E tu? - soltei um sorriso envergonhado.
- Bem, estou a pensar numa casa. Numa grande, com jardim e piscina, para nós. Acho que vou começar a fazer esboços. Não quero casas compradas. Uma construída por mim, com os nossos gostos e tamanhos. É isso que estou a pensar, o nosso futuro. - caiu-me lágrimas - Então amor? - disse preocupado.
Beijei-o e abracei-o bem firme - Amo-te Martim. - Ele percebeu que eram lágrimas de felicidade, mas mesmo assim não me queria ver a chorar.
- Vamos lá limpar essas coisas a saírem dos teus olhos.
- Amor.. acho que já podemos ir buscar as coisas - disse a mudar de assunto.
- Vamos lá - levantámos-nos e ele colocou o braço à volta do meu pescoço.

 Chegámos à cozinha e fui buscar a Nutella e os morangos enquanto ele foi buscar os crepes para aquecer no microondas.

- Qual o filme? - perguntei eu.
- Não sei, já resolvemos isso amor.

um hábito


não consigo estar em lugar nenhum onde a porta não esteja fechada. então quer dizer que não posso estar numa sala de aula? não, eu consigo, mas sinto-me observada ou que não estou segura ali, ou que a minha privacidade está  a ser invadida por olhares desconhecidos. não gosto. sempre que vão ao meu quarto a segunda coisa que digo é - a primeira é não ligar à desarrumação - "fecha a porta depois de entrares se faz favor". não dá estar com ela aberta, especialmente em quartos. para além de sentir corrente de ar, o que é horrível, os olhares e a cusquisse são horríveis. detesto. 

my idea of love


"o amor é uma merda", "se for para sofrer no fim, nunca mais me apaixono" então o que estão ainda a fazer vivos ? nem tudo é um mar de rosas ok? aprendam isso. o amor não é um monstro de sete cabeças, as pessoas são. elas é que não sabem cuidar duma coisa tão linda que é o amor e depois metem-se a dizer estas porcarias. sim, o amor nem sempre resulta, nem sempre é bom no final, mas durante, não foi? não tiveram momentos que irão recordar para sempre com um sorriso na cara, mesmo tendo aqueles momentos menos agradáveis? pois. há sempre aquele que te faz mudar de ideias, porque a cena do amor é mesmo essa. ele faz-te feliz, ama-te, diz-te coisas lindas, e no final? pode ser feliz ou triste. depende de quem? da pessoa que te fez sentir assim e não do amor. c'mon, vocês não vão ficar agarradas àquele que vos fez mal ou vão? têm um oceano para pescar. se calhar o que estou aqui a dizer parece fácil e é. vocês têm que decidir viver a vida, escolher bem o rapaz, e se não acabar bem, não era para ser ele o tal. e se não for, estão cada vez mais perto de o encontrar.

bright petals.