O Diário de Jay #7

28 de Dezembro de 2004  


Enquanto admirava a Lara a ser simplesmente ela, durante o nosso jantar, pensei na Anita e na sua diferença. Na sua maneira de ser, que também não era muito distinta há de Lara, mas ainda assim, as duas conseguiam ser bem diferentes. No entanto, olhava para a Lara e via Anita a rir. Será normal? Será algo que não devia acontecer? Já nem sei o que pensar em relação a mulheres. A Lara compreende-me, mas será que essa compreensão vai durar como não aconteceu com a Anita? Era como se a Anita fosse a minha única, mas a Lara era a que me iria amar como a Anita não o fez. Não sei, se calhar eu estou só a levar isto tudo como se o destino me tivesse as colocado no meu caminho por algum motivo. Estou a levar isto demasiado a peito. Se calhar...bem..eu lá no fundo ainda a amo como não irei amar ninguém. Tenho saudades dela. Saudades essas que ninguém vai conseguir fazer-me esquecer, nem mesmo a Lara. 

O Diário de Jay #6

27 de Dezembro de 2004  


A Lara apareceu cá ontem. Fizemos o jantar juntos, sujámos a cozinha toda como era de esperar, mas a comida até saiu bem boa. Cozinhámos uma especialidade dela, esparguete à bolonhesa. Era delicioso. Fomos depois aninhar-mos no sofá, vimos um filme e namorámos um bocadinho. Nem sei se namorar era o termo certo. Não sabia se éramos namorados sequer, não que precise de colocar nomes em tudo, mas é sempre bom ter a certeza duma coisa tão importante para nós. Ela adormeceu no meu colo. Dormia pacificamente, e parecia cansada. Fui deitá-la na cama e fui preparar um chocolate quente. Continuei a ver televisão e a Lara levantou-se. Admirei-me porque nem fiz quase barulho nenhum. «Tinhas tanto sono, porque levantas-te?» perguntei-lhe. «Vim aqui para estar contigo, não para dormir» disse-me com um sorriso. Estiquei o braço de maneira a ela agarrar a minha mão e puxá-la para o sofá. Depois dei-lhe um beijo e ela colocou a sua mão no meu cabelo espesso e preto. Mordeu-me o lábio e sorriu-me. Eu não queria fazer nada com ela tão cedo. Nós nos conhecemos há tão pouco tempo, para mim seria insignificante.  Ambos percebemos, pelos nossos olhares, que não ia acontecer nada. Mas isso não nos impediu de pelo menos namorar um pouco mais. Ela acabou por adormecer outra vez, fui deitá-la e desta vez fiquei com ela. Ela adormecida e eu a observá-la. Dei-lhe um beijo, e adormeci. Desta vez ela fez o pequeno almoço. Preparou torradas com doce de morango, sumo, e café. Comemos, e passámos a manhã juntos, mais tarde teve que ir embora, mas vamos jantar daqui a bocado. Ela viu o álbum de fotos minhas com a Anita. Disse-me que se notava tanto que eu a amava. E que ainda amo. «Não interessa Lara, eu só penso em ti» disse-lhe. «Eu sei Jay, não duvido. Eu também só penso em ti. És tão diferente...Mas ela terá sempre parte do teu coração» disse Lara. Eu não lhe respondi. «Não faz mal, eu posso preencher o resto dele» disse-me sorrindo. Beijei-a e vi nela tudo o que a Anita não era. Tudo o que a Lara me dá a Anita nunca deu. E é por isso que Lara é tão importante para mim, eu estou a dar-lhe tudo o que daria à Annie. E o melhor é que o meu sentimento por ela é igual ao dela por mim. Foram aqueles olhos verdes que me conquistaram e neles eu vou-me perder sempre.  

bright petals.