Delírios de Amor - IV

   Raios! O que lhes respondo ? Uma parte de mim quer perdoá-lo e voltar a querer a sentir o amor que ele dá, mas outra diz-me que vou iludir-me de novo, cair na sua armadilha e sofrer.
Iara: Pedro, não faças isto, assim. Estás a por-me entre a espada e a parede !
Pedro: Não, não estou. Só quero que me deixes provar-to que sou capaz de te fazer feliz, e que nunca mais te irei magoar de maneira alguma. Por favor Iara, perdoa-me!
Iara: Não é fácil, não é nada fácil.
Pedro: Mas também não é fácil não te ter quando a única coisa que quero fazer é poder estar contigo. E não posso, porque te fiz mal.
Iara: Pois, mas eu não tenho culpa disso.
Pedro: Não tens, eu sei. Mas por isso, peço-te que me perdoes, que voltemos a ficar juntos !
Iara: Pedro, preciso de tempo para pensar.
Tempo?! Tempo era o que eu precisava?! Eu precisava de juízo, isso sim. Mas também não consigui dizer-lhe que não, dizer-lhe que não era rejeitar a minha felicidade. E sim, precisava de pensar mesmo  muito, se o perdoava ou não.
Pedro: Quanto tempo ? Quero-te para mim hoje, agora !
As palavras cada vez tinha impulso sobre mim, e não conseguia evitar.
Iara: Não sei quanto tempo, afinal os meus sentimentos não se esclarecem num piscar de olhos.
Pedro: Sim, mas sabes que eu não curto de esperar.
Eu sabia tanta coisa, que mais uma menos outra era indiferente. Ele era tão igual à perfeição, mas bem, aconteceu aquela noite o perfeito deixou de existir. Quer dizer, nem toda. Uma parte dele era um príncipe encantado, um perfeito amor de rapaz e agora quase que não resisto olhar para ele sem o querer beijar. Enfim.
Iara: Eu sei que não curtes, mas pronto. São que horas ?
Fiquei mesmo espantada quando ele me disse que já eram quase seis horas e meia. Tínhamos estado ali duas horas mais ou menos. Mas as horas agora nem eram importante.
Pedro: Hoje é sábado, domingo tenho almoço de família. Sabes como é. - Ele tem uma família meio rica e blah blah blah , e por isso tem almoços e jantares importantes com a família. - Quarta-feira podemos nos encontrar de novo ?
Hesitei em responder, mas acabei por aceitar.
Iara: Pedro, não me pressiones como fazes. Está bem ? Só ... , promete-me que não o fazes. Pode ser ?
Pedro: Claro que pode. Tudo para te ver bem princesa.
Princesa, agora sim desejei estar com ele de novo. Já não tinha dúvidas quando ele pronunciou princesa , é como se tudo o que se passou fosse esquecido. Tivesse sido levado pelo vento, e não houvesse rasto de tal.
Ele já se estava a preparar para ir embora .
Pedro: Só me esqueci de uma coisa.
Iara: O quê ? - não estava mesmo a ver o que era.
E de repente, ele rouba-me um beijo.
Ao princípio, estava surpreendida e disposta a negar o beijo, mas à maneira que ele beijava eu ia cada vez mais colando o meu corpo a ele, e já estávamos a abraçar-nos e quando estava realmente a gostar ele larga-me.
Pedro: Ah, desculpa. Não devia...
Iara: Não, eu é que peço ... desculpa. - Não, não peço ! Eu estava a gostar, por amor de Deus! Eu queria mais, mas não podia deixar tudo voltar assim e tive de me controlar. - É melhor ir andando.
Pedro: É, também vou andando.
Estava um ambiente meio constrangedor,  mas dissemos adeus um ao outro, e fomos para casa.

  Demorei uns longos de extensos trinta minutos a voltar a casa. Isto porque, só pensava no sabor do lábios dele, e como não queria largá-lo fosse o que fosse. OMG* controla-te Iara ! Tinha milhões de pensamentos na cabeça mas nenhum parecia correcto, nem mesmo rejeitá-lo. O que precisava era de um jantar de encher a barriga, e no fim uma taça enorme de gelado. Isso sim, vinha a calhar.
 Cheguei a casa e liguei o rádio, coloquei-o o mais alto que pude e ouvi a música aos berros na cozinha. Era assim que podia abstrair de tudo o que se passava na minha cabeça. Apetecia-me massa ao jantar, e fui tirando todos os ingredientes que podia colocar na massa. Quando acabei de cozinhar e de comer, já tinha os ouvidos a doer. Ouvir música rock aos berros não é fácil atenção.
 Reparei que não tinha gelado de chocolate no frigorífico e por isso vesti as minhas botinhas e fui comprar gelado à gela-daria que havia ao lado de casa. ( Não era propriamente ao lado, mas fingimos que sim )
Enquanto caminhava, lembrei-me que naquela gela-daria foi onde conheci o Pedro. Estava a suplicar a mim mesma para que hoje não acontecesse mais nada parecido do que isto à tarde. Enfim, só precisava de gelado e dormir.

continua. 

Comentários