Underneath: Qaya #28

     A luz do fogo iluminava, parcialmente, o rosto moreno do homem que tinha Violet no seu domínio. Os olhos dele, cinzentos como uma tempestade, brilhavam na direção de Troy e ele sabia que um movimento precipitado e Violet morreria. 
- Escuta, o que quer que o Tema te tenha feito, eu não tive nada a ver com isso. Juro-te. Eu não sou o Tema e nem sei o que pretendes com isto. Não te conheço. Agora, por favor, liberta-a.
     O homem carregou o semblante e Troy sabia que ele não acreditava em nada do que saía da sua boca. 
- Não finjas que não sabes o que me aconteceu: o que tu me fizeste. Quero a minha vingança. 
     O homem avançou, completamente iluminado, com Violet pela altura do seu peito. Troy viu o seu nariz curvado, o corpo treinado, extremamente alto e musculado, os olhos imensamente cinzentos, o cabelo negro com tom muito subtil de azul-escuro e a cicatriz que fazia o seu caminho no lado esquerdo (lado direito de Troy) do rosto dele que ia do canto de fora do olho até um pouco por cima do lábio superior, passando pelas bochechas angulosas. 
- Tu fizeste-me isto, e agora vais pagar o preço. 
     Ele avançou e fez um movimento repentino com o braço que soltou um som agoniante. O coração de Troy caiu-lhe nas mãos, a respiração parou juntamente com o coração e o seu sangue tornou-se tão gélido quanto um banho de gelo. Melody gritou: - NÃO! 
     Ouviu-se um riso torturante pelo pátio e Troy baixou os olhos enquanto os piscava aceleradamente. A respiração dele descontrolou-se, como se lhe tivessem sugado o ar, e os seus pulmões ardiam. Olhava em infinitas direcções excepto para ela. Se olhasse para ela tudo iria fazer parte da realidade e ele não sabia se conseguiria aguentar a imagem. O mundo andava à roda enquanto ele ficava ali, paralisado e consumido numa dor miserável. Não queria vê-la daquela forma, não queria vê-la com o sangue a percorrer pela sua pele descoberta até ao vestido porque a culpa era somente dele. Sentia a mão de Catarina a apertar-lhe o antebraço e qualquer sensação era melhor que a perda que tinha começado a brotar na sua alma. Ele inspirou e expirou, focando os olhos na Violet caída. Os olhos dela brilhavam, bem abertos e vivos, na direção dele e da irmã. O peito subia e descia num ritmo acelerado com os olhos arregalados. Troy sentiu as pernas a tremer, assim como as mãos e um sorriso gentil de alívio formou-se nos seus lábios. Uma onda de súbita felicidade refrescou-o. Ele quis pronunciar o nome dela, mas as palavras não saíam dos seus lábios. Ficaram meramente ali, a espreitar a vivacidade do olhar dela para ele, como se não tivessem visto nada mais belo. 
- Vi - Melody começou a andar até à irmã mas Ryan pegou-lhe no braço e impediu-a. - Deixa-me ir! Ryan! Larga-me! 
     Ryan puxou-a para si pelo braço e esperou que ela parasse de se debater para lhe dizer o que precisava de ser feito. 
- Melody, chama o monstro. 
- O... O quê? - disse ela, a limpar uma lágrima do rosto. 
- Chama o monstro. Já. 
    Posto isto, Melody nem teve de se concentrar. Os olhos vermelhos apareceram no momento em que se pôs a par do plano de Ryan. Uma mancha negra mexeu-se no chão e elevou-se até a uma altura que ultrapassava a do homem. A criatura virou-se para Melody e em seguida para o captor da Violet. 
- Que tipo de truque estás a usar agora, Tema? Devias saber melhor que ninguém que magia negra não me preocupa. 
- Liberta a Violet - disse num sussurro, ainda abalado pelo susto que tinha apanhado. Desta vez, reforçou a voz - Liberta a Violet. E ninguém precisa de sair ferido daqui - abriu as palmas, em sinal de não querer nada de mal. 
- Penso que não - disse. Assobiou e um grupo de três pessoas apareceu atrás dele.
     A criatura remexeu os seus tentáculos, mas não atacou ninguém.
     Assim que o grupo apareceu na luz, Troy viu que era composto por dois homens e uma mulher. A mulher, ao lado deles parecia especialmente baixa, mas tinha uma boa estrutura, e completamente invencível. Os olhos dela eram longos, negros. O nariz era pequenino e delicado com a cana do nariz perfeita e direita. Possuía os lábios finos e a pele clara. O cabelo, longuíssimo, ainda mais que a mãe das gémeas ou as próprias, estava numa longa trança preta. Vestia um casaco vermelho que era fechado com um cinto por baixo do peito, um top preto e umas calças justas. Nos pés, calçava umas botas de cano alto de salto alto. Melody achou curioso ela ter uma complexão asiática pois ainda não tinham visto ninguém assim em Qaya.
     O rapaz ao lado dela aparentava ser quase da idade deles. Tinha a pele morena, como o homem que prendia Violet, os olhos cinzentos claros e as feições acentuadas. O cabelo castanho caía-lhe até à altura da boca e a franja estava presa num rabo de cavalo curto. Ele e o homem, apesar de certas diferenças, como o nariz, eram extremamente parecidos. Ao lado do homem, encontrava-se outro, loiro com os olhos azuis e com a expressão vazia. Tinha as bochechas angulosas e um olhar cortante. O corpo bem formado e aparentava ser ligeiramente mais velho que os restantes. Também este parecia deslocado da população que viram em Qaya até agora. 
     Troy olhou para Melody de relance e viu-a a assentir. A criatura começou a mexer-se, sem direção ou ritmo e assim que os tentáculos começaram a girar, um fumo branco explodiu no ar. Troy fechou os olhos com o choque e o barulho e quando os abriu, não tinha ideia onde se encontrava. Tinha a cabeça a andar à roda e Catarina tinha desmaiado. O tempo parecia ter avançado muito de repente e congelado ao mesmo tempo. Ele não via as luzes das tochas, ou o céu - era apenas fumo branco. Troy pegou no rosto da Catarina e deu-lhe leves palmadinhas. Colocou o ouvido no seu coração a verificar se ainda batia. Ela teimava em não acordar.
- Ryan - gritou. - Melody!
     Ele ouviu risos femininos ecoar à sua volta e viu reflexos prateados. Manchas pretas dançaram à sua volta até ficar tonto. Troy começou a andar e avistou uma longa mancha preta a rodopiar em todas as direções. Sentiu alguém a correr atrás de si, um movimento tão perto que o sobressaltou. Troy abriu uma palma da mão e um golpe de ar cortou o fumo. O chão ficou visível mostrando que eles ainda se encontravam no pátio. O fumo envolveu-os outra vez. Catarina despertou.
- Troy - chamou baixinho.
- Nós temos de sair daqui, encontrar os outros e salvar a Violet - disse, a sussurrar. - Por favor, tenta andar - pediu ele.
     Catarina assentiu lentamente. Sentia-se tonta, com sede e com dores. Ainda possuía o choque electrizante da quase morte de Violet. O estado em que Troy ficara estava guardado na sua cabeça. Ela não tinha percebido o quanto as gémeas - ou talvez Violet apenas - significavam para ele. No entanto, apoiou-se no ombro de Troy e caminhou por entre o fumo. Eles chegaram até à rua e Troy disse-lhe para ficar ali enquanto ia procurar os outros.
- Troy, não... Deixa-me ir contigo - pedia ela, com os olhos desprovidos de energia.
- Não. Tens de ficar aqui, não me demoro - apertou-lhe a mão com um sorriso a implicar que tudo ia acabar bem  e entrou para dentro do fumo outra vez.


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     Violet encontrava-se numa estrutura superior onde o pátio era um palco duma perseguição. Ela conseguia ver Troy a entrar outra vez no fumo pálido e à volta dele estavam a mulher asiática e o homem loiro do grupo do seu captor. Os dois pareciam não ter nenhuma dificuldade em ver pelo fumo, mas ela sabia que não era o mesmo para Troy. Ela tentou alertá-lo, mas tinha a boca presa e por alguma razão, o metal que aprisionava as suas mãos deixavam-na com a impressão de que os seus poderes tinham sido sugados de si.
     O homem apareceu atrás dela. Violet fitou-o com desdém. Ele tirou-lhe o tecido da boca depois de lhe dizer para se manter calada.
- Violet, presumo? Desculpa lá esta porcaria toda, mas és um meio para atingir o meu fim. E já notei que és demasiado preciosa para te deixar ir sem ter o que eu quero.
- Era suposto ficar assustada? Não vais sair impune disto.
     O homem fez um ar surpreso.
- Já vi que não é só pela tua carinha que ele ficou apaixonado.
     O semblante de Violet mudou. O que é que ele tinha dito? Apaixonado, Troy?
     Ela largou esse pensamento. Não se podia agarrar a ele e naquele momento não queria. Tinha de se libertar. 
- Deixa-me ir.
- Ainda não, boneca - disse. Colocou-se de cócoras. - O meu nome é Kade.
- Não quero saber o teu nome - Violet virou a cara para o lado.
- Mas é melhor saberes o meu nome para quando eu matar o teu precioso Tema tu souberes em quem vingar o nome dele - ao dizer isto, Kade colocou o tecido de volta na boca da Violet e saiu da varanda. 


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     Troy tentou limpar o fumo com o seu Ar tantas vezes que os braços estavam a começar a cansar-se. Ele não conseguia encontrar Ryan ou Melody ou Violet. Andava às voltas, desesperado, e cansado. O fumo acumulava-se nos seus pulmões e ele começava a ter dificuldades em respirar. Onde é que eles estariam? 
     O fumo branco começou a dissipar-se. Ele viu uma mancha vermelha dançar à volta dele e com o fumo a sumir, ele encontrou os olhos negros da mulher a sorrirem para ele. Ela segurava um chicote na mão e ele viu uma adaga pendurada na sua coxa. Troy olhou de soslaio para trás e viu o homem loiro com duas espadas curvas na mão. 
- Espero que estejas a apreciar o espectáculo, Tema - Troy murmurou com os dentes cerrados e com as palmas das mãos bem abertas.  
- Sempre um prazer ver-te, loirinho. Apanhaste um bronze - comentou a mulher. Ela, agora muito mais perto dele do que da primeira vez que a vira, afinal não era assim tão pequenina apesar de não ultrapassar a altura dele. 
- Já não posso dizer o mesmo - disse Troy, com os pés fincados no chão. - Quem são vocês, mesmo? - perguntou, numa tentativa de fazer tempo. 
- Isso não resulta connosco, boneco - disse e com um movimento do pulso, o chicote enrolou-se no tornozelo de Troy. Ela puxou o chicote e Troy caiu. Ele viu a luz reflectir em algo metálico parecido com o que aprisionava as mãos da Violet. 
     Melody apareceu, juntamente com Ryan e a criatura dela tinha-se divido noutras pequenas que agora circulavam entre eles. Elas soltavam pequenos ruídos que enchiam o pátio de um som estranho e irritante. O terceiro rapaz do grupo apareceu com adagas na mão e foi lançando-as com tal facilidade pelas criaturas negras da Melody. As criaturas desapareciam e voltavam a aparecer noutro lugar. 
     Troy mentalizou-se que teria de usar os seus poderes melhor que nunca. Visto que não tinha jeito com armas - ao contrário de Ryan que agora manejava duas das adagas caídas -  ele uniu-se aos seus conhecimentos sobre o que Silver lhe tinha dito naquele dia de treino. Concentra-te no alvo. Tens uma força imensa dentro de ti que quer desesperadamente sair. Tu sabes imenso, liga-te ao Tema e ele guiar-te-à, disse ela, uma vez. Parecia ter passado uma eternidade desde que tinha partido de Srebaryan. De repente ficou com imensas saudades do sossego e da calma que conheceu no palácio cristalino do seu primeiro Planeta.  
      A reencarnação de Tema levantou-se e movimento contínuo apontou os dedos para a mulher de onde saíram espinhos de gelo compridos. Ele viu uma luz alaranjada, nesse exacto momento, circular o pátio e ele soube que Melody tinha agido. A mulher de casaco vermelho pegou na adaga quase imediatamente e cortou quase todos os espinhos e os que não partiu, desviou-se com a agilidade de um felino. Troy viu-a a avançar para ele e lançou-lhe uma rajada de vento que não foi suficientemente forte e ele foi novamente lançado para o chão com uma placagem. 
     Atrás de si, o homem loiro lutava contra as sombras da Melody, que atacavam furiosamente os forasteiros, enquanto que Ryan e Melody combatiam em conjunto contra o rapaz das adagas. Ryan sentia que ia descair-se a cada segundo que passava de tão assustado que estava. Ele nunca tinha enfrentado algo assim. O máximo de adrenalina que teve em toda a sua vida foi surfar uma onda de nove metros depois de sair do Hospital. Nada se comparava ao estar num Planeta doutra galáxia a lutar ao lado de uma representante e de um bandido claramente perito em facas. Ryan tinha a leve sensação que ele estava a facilitar-lhes a vida, até. Tinha essa leve sensação porque ele sorria para a Melody duma maneira tão descontraída enquanto lançava as adagas para todos os lados e conduzia ataques contra ele como se fosse automático. 
- És irmã da outra rapariga, não és?
- É assim tão óbvio? - respondeu ela com uma palma da mão direcionada para uma sombra negra e outra para o rapaz. 
- Um bocadinho - encolheu os ombros. Lançou uma adaga que passou mesmo ao lado da orelha de Ryan que acertou numa criatura preta. - Chamo-me Axel, já agora. 
- Boa. Não foi um prazer - Melody agitou o braço e um raio de luz ofuscante juntamente com uma rajada de vento levaram o rapaz para longe, deixando-o caído no chão arenoso. 
- Vamos. 
     Melody pegou no braço de Ryan e começaram a correr por entre as criaturas negras que se elevavam do chão. As criaturas ficaram cada vez mais densas e surgiam em maior número. Eles mal conseguiam caminhar. Eram demasiados monstros. Ryan podia sentir a frustração da Melody sem estar sequer estar a olhar para ela. Ele parou-a. Hesitou em colocar as suas mãos nos ombros dela e por isso colocou-as nos braços. 
- Hey, Melody. Acalma-te. Não vale a pena entrares em stress. 
- A minha irmã está presa por um grupo de bandidos qualquer. Eu tenho de ir salvá-la - respondeu, a tentar encontrar espaço no meio das manchas pretas. Ryan largou-a pensando que estava a irritá-la. - Onde está o Troy? 
     Troy estava a lançar o máximo de ataques que conseguia mas a mulher investia e defendia-se de maneira tão rápida e eficaz que ele teve dificuldade em encontrar um ponto fraco. Até agora o máximo que tinha acontecido foi ele ter conseguido fazer-lhe um arranhão da finura duma agulha no extremo da bochecha, e, mesmo assim, nem sangrava. A mulher sorria-lhe e agitava o chicote de couro perigosamente e Troy foi, inevitavelmente, atingido umas cinco vezes. O corpo doía-lhe, mas só de pensar que Violet estava a ser maltratada num canto qualquer fazia-o repensar a sua definição de dor e as suas acções eram baseadas nisso. Troy começou a perder forças ao ser atingido outra vez pela arma da mulher. As criaturas, ao aumentarem, dificultavam-lhe a passagem e ele viu-se encurralado com ela demasiado perto de si. A mulher segurava a adaga na mão que soltou um brilho ao encontrar-se com a luz. Troy estava a suar e a tremer de terror. Só lhe ocorriam pensamentos horríveis como Violet a ser maltratada algures, o Saeva a reaparecer, a Melody e o Ryan perdidos e a Catarina a morrer por falta de sangue numa esquina. E ele é suposto ser a Estrela Vital daquela galáxia! Nem conseguia pensar em que ataques fazer ou como contra-atacar. 
     Ele foi contra um grupo de criaturas. A mulher caminhava lentamente entre elas sempre a fitá-lo. Como uma predadora fita a sua presa. Ele levantou a mão e de lá saiu uma leve brisa que só atraiu mais monstros. Troy lançou-lhe espinhos de gelo. Ela desviou-se deles e alguns nem iam na direção dela. Troy viu a massa negra aumentar e a mulher girou o chicote até ter espaço para andar. As criaturas afastaram-se por instantes mas depois rodearam e abafaram-na. Os monstros soltaram ruídos e a mulher gemeu. Troy ficou parado por instantes mas logo percebeu que deixá-la morrer não era uma acção digna. Criou então uma rajada de vento que separou as criaturas da mulher. Troy viu o captor da Violet surgir por entre a multidão que começava a dissipar-se. Ele sentiu uma dor aguda pelo corpo todo e caiu de joelhos com as mãos na cabeça e com um grito preso na garganta.  


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     Troy Evans acordou com o olhar de Violet nele mas com a mão da Catarina a apertar a sua. Ele começou a sentar-se mas Catarina colocou a mão no seu peito, parando-o. Ele voltou a deitar-se. Sentiu o cabelo molhado, o corpo suado e peganhento. Não tinha sinal, porém, de ter sentido dor alguma. 
- O que aconteceu?
- Tu desmaiaste. Mas está tudo bem - assegurou Catarina. 
     Troy viu Catarina com um novo remendo no braço e a cor a voltar ao rosto moreno. Violet não estava acorrentada nem maltratada. Ele olhou em volta e não conseguia perceber onde estavam. 
- O que aconteceu? - repetiu. - Onde estamos? 
- Depois de salvares a Rouge, Kade libertou-me. Estamos agora no acampamento dele. 
- Ele deixou-nos ficar aqui assim, sem mais nem menos? 
- Não. Eu prometi curar a mulher, em troca de abrigo.
- Violet! - Troy sentou-se. Catarina não conseguiu impedi-lo. - Eles podem atacar-nos outra vez! 
- Troy...
- Temos de ir. Já. Onde estão a Melody e o Ryan? Catarina, consegues andar? Vamos...
- Troy - chamou Catarina, mais alto. 
- O que foi?! 
- Vocês não vão a lado nenhum - disse-lhes o rapaz mais novo do grupo, que se encostou à ombreira da porta, afastando o pano comprido que fazia de porta. Ele cruzou os braços.
     Troy lançou-lhe um olhar feroz. 
- Calma Estrela... É Troy, não é? Pronto, a tua princesinha já me colocou a par do que aconteceu ao Tema. Desculpa lá, pelos problemas - disse, muito casualmente. - O meu irmão consegue ser um bocado casmurro - encolheu os ombros. - Tudo acabou por se resolver, é o que importa. 
     Seguiu-se um silêncio constrangedor. Troy estava espantado com a lata daquelas pessoas e queria ir-se embora naquele instante. O rapaz voltou a falar. 
- Sou o Axel, muito prazer - outro silêncio surgiu. - Bem, a conversa foi muito interessante. Acomodem-se que o meu irmão não vai deixar-vos ir tão cedo. Ah! A tua irmã disse qualquer coisa sobre ir a Marte e desapareceu - disse Axel a Violet antes de se ir embora. 
- Catarina, tens alguma coisa contigo que precisas de levar? - perguntou Troy, logo depois de Axel sair. 
- Só tenho um saco com roupas. Porquê? Troy, não... 
- Anda - ele levantou-se e pegou-lhe na mão. 
- Troy - Violet pronunciou o nome dele num tom de aviso. 
- Eu não me vou embora, Violet - assegurou-lhe. 
     Catarina estava agora de pé, de frente para o seu namorado e com as mãos nas dele. Ela não estava a perceber o que se estava a passar apesar de no fundo, num canto extremamente escondido e escuro da sua mente, ter uma noção. 
- Desculpa - murmurou Troy.
     Uma luz branca começou a formar-se à volta deles como espuma e os cabelos deles começaram a rodopiar por entre uma brisa invisível. 
- Troy... O que estás... - ela então percebeu realmente. - Não! - apertou-lhe a mão. - Troy Evans, pára já com isto! 
- Desculpa - repetiu ele, com o sobrolho carregado. - Eu preciso de fazer isto, pare te manter salva. Não estás em segurança comigo. 
- Claro que estou! Que ideia louca é essa agora, Troy? 
- Não estás não. Olha só para essa ferida que tens no braço! Foi a Violet que te salvou a vida enquanto que eu só a pus em perigo. Catarina, não entendes? Eu já não sou bom para ti. 
- Troy, o que estás a dizer? Que disparate... - Troy levou uma mão dela aos lábios. - E vais deixar o Ryan ficar aqui também? Troy... Eu posso ficar aqui contigo. Pára com isto tudo - argumentou ela, com a voz a fracassar. Raios azuis começavam a entrelaçar-se com o branco. Catarina começava a ter a sensação de flutuar e Troy agarrou-se a ela com imensa força. 
-  Eu não quero... 
-  Então não me deixes ir. 
- Eu tenho - Troy beijou-a gentilmente. Ela beijou-o de volta, pondo todo o sentimento que fluía no coração dela por ele.  
- Amo-te - sussurrou Catarina, nos lábios dele, tão baixinho que não percebeu se Troy a tinha ouvido. Não tinha sido a primeira vez que o dissera, mas nunca sentira aquelas palavras como naquele instante. No momento seguinte, ela tinha desaparecido dos braços dele deixando-o a saborear a sua ausência.  

bright petals.