Underneath #14

     Ela estava tão paralisada que não sentiu os braços que se envolveram à sua volta. Os gritos ainda ecoavam nos seus ouvidos, aquele rosto ainda assombrava a sua visão e para sempre teria aquele momento na sua cabeça como um lembrete de que era fraca e miserável. Melody não tinha conseguido superar o seu maior medo - a sua insegurança - quando chegou ao seu planeta. Ficara com os braços estendidos o máximo que pode até que os gritos vindos dos reflexos nos espelhos a deixaram surda e paralisada. A sua respiração estava acelerada e o seu coração ainda mais. Ela não conseguia perceber bem o porquê depois de tudo. Não conseguia perceber o porquê de se ter ido abaixo tão facilmente.
      Violet foi buscá-la depois de ter conseguido concluir o seu enigma. Para suceder no teste, Violet teve de refletir sobre cada porta. Não demorou muito, como ela pensava que iria, e concluiu que todas as portas que vira eram portas de entrada, portas da frente. Ou seja, a porta correta era uma das traseiras, de saída, que permitiram a saída daquela torre. Violet encontrou a sua porta de saída: uma branca, com uma pequenina janela, decorada por uma cascata de miçangas laranjas, douradas, azuis e brancas. As cores das luzes da sua família.
      Melody estava sentada em cima dos joelhos e com os braços derrotados. Os olhos ambarinos dela estavam apagados e o pensamento muito longe dali. Violet agarrou-se a ela e foram para o jardim de Troy. Quando ele a viu não quis acreditar.
- Violet? O que aconteceu? Estão bem?
- Os teus pais estão a chegar? - perguntou-lhe em resposta. Os braços dela pareciam galhos ao vento, fracos e trémulos.
- Sim. Mas vocês podem ir para o meu quarto. Anda. 
     Troy levou Melody ao colo até ao quarto. Ela tinha os olhos fechados agora mas ele sabia que ela não dormia. Pousou-a na cama e molhou uma toalha que lhe foi passada no rosto. Violet ajoelhou-se ao pé da cama e começou a usar o seu poder na irmã. As pequeninas feridas que tinha nos joelhos e cotovelos feitos pela areia desapareceram sem deixar vestígios, mas Melody não acordava. Aos mãos da Violet começaram a tremer e a luz da camada curativa brilhava cada vez mais devido ao seu esforço. Ela estava à beira das lágrimas. Troy não sabia o que fazer. Queria ajudar mas, como? E então Melody abriu os olhos. Muito lentamente e não muito segura, mas abriu-os. Ela murmurou: 
- Vi? 
- Mel! - abraçaram-se. - Desculpa-me, desculpa-me, desculpa-me - pediu. 
- A culpa não foi tua. Foi inteiramente minha - disse, passado um curto momento de silêncio enquanto averiguava o espaço onde estava. Concluiu a sua frase com brusquidão, sentido-se humilhada. 
- Não digas isso. Não sabias o que irias encontrar - disse-lhe Troy. 
- Estás bem? Não te dói nada? - Violet perguntou ao colocar as mãos no rosto da sua irmã. 
- Está tudo bem, Vi. Só quero ir para casa - suspirou.  
- Querem esperar pelo meu pai? Ele pode levar-vos. 
- Não, deixa estar. Obrigada por tudo - Violet sorriu-lhe. Melody recebeu um abraço de Troy, disse-lhe adeus e as duas desapareceram numa luz branca com fios violeta.  


     Nessa noite, Melody foi atacada por pesadelos com o rosto horrendo dos espelhos com a banda sonora dos seus risos. Ela acordou duas vezes a meio da noite e quando deu as cinco da manhã decidiu não voltar a fechar os olhos até ser atingida por cansaço extremo. Fez uma chávena de café e ficou a observar o céu a amanhecer pela varanda grande. Melody deparou-se com o seu planeta: um ponto vermelho visto da Terra. Ela fechou os olhos a tentar evitar o reflexo de voltar a aparecer diante dos seus olhos. Bebeu um gole de café, arrependida de não ter feito chá, e apoiou a cabeça nos joelhos enquanto os apertava. Encarou aquele ponto avermelhado. Era o seu planeta. Era ela. Só que vê-lo, sê-lo, só lhe trazia nojo. Sentia-se suja. Sentia a pele impregnada de areia e pó. Queria livrar-se desse sentimento a todo custo. Não queria sentir-se assim. Mas a verdade era que se sentia. Ela fechou os olhos e aquele reflexo surgiu-lhe no escuro pronto para a agarrar e enterrá-la na areia. Melody fitou aquele ponto avermelhado e, sem pensar duas vezes, jurou que nunca mais iria por os pés no seu planeta. Ela levantou-se e fitou-o uma última vez, murmurando: 
- Nunca mais. 


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     Troy acordou com um leve beijo nos lábios. Ele abriu os olhos.
- Catarina?
- Eu sabia.
- Hum?
- O pequeno-almoço? - Estas palavras fizeram-no despertar completamente. - Eu sabia.
- São que horas?
- Dez - ele suspirou de alívio.
- Ainda vamos a tempo, anda cá - e estendeu-lhe a mão. Ela não queria ceder. - Aaaaanda - arrastou ele a palavra como que a pedir de mansinho. Ela cedeu e agarrou na mão dele que a arrastou para a cama de solteiro. Estava quente e tinha o habitual cheiro de Troy: menta.
- Vai fazer-me o pequeno-almoço - disse antes de Troy lhe selar os lábios com os dele. - Mas primeiro, lava os dentes - sussurrou. Troy soprou-lhe para o nariz fazendo-a cheirar o seu terrível hálito. Ele levou um terrível empurrão para fora da cama. - És nojento.
- Também te amo muito - disse a rir e a cambalear para a casa de banho.
- Dormiste bem hoje? - Perguntou-lhe com a escova na boca.
- Sim. Finalmente - respondeu a tentar fazer-lhe a cama. - O teu quarto está uma porcaria.
- Se quiseres podes vir mais vezes para arrumá-lo - Troy saiu da casa de banho e abraçou-a por trás. - Mas tenho a certeza que se viesses mais vezes o quarto ainda ficava mais desarrumado, portanto. - Beijou-lhe o pescoço.
- Talvez. Mas só se eu deixasse.
- Mas só se conseguisses deter-me - corrigiu-lhe ele. - Anda, vamos tratar desse pequeno-almoço que estou esfomeado.


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     Há hora de almoço, Catarina foi para casa deixando-o sozinho com louça para por na máquina. Sem nada para fazer, decidiu pegar na prancha e ir para o mar. No caminho, foi bater à porta do Ryan.
- Bora ao mar?
- Entra, deixa-me buscar a Marley.
    Troy seguiu-o pela cozinha e deixou-se ficar por lá a comer uvas. Ryan saiu pela porta das traseiras e entrou em casa um gato cinzento malhado. Parecia muito velhinho, mas com energia suficiente para vaguear na casa dos outros.
- Ryan? - Troy chamou pela porta das traseiras. Ele logo apareceu.
- O que foi?
- Tens um gato? - Perguntou enquanto apontava para o bichano. 
- Não. Já nem tento fazê-lo ir-se embora, ele acaba sempre por voltar. É assim desde que cheguei. Encontrei-o a vagear pelo jardim - respondeu enquanto fazia festas no bichano.
- Ele tem coleira. Não diz lá o nome dele ou o telefone do dono?
- Tem o nome Persifal escrito. Só e apenas.
- Deve gostar do teu jardim, então - concluiu.
      Ryan encolheu os ombros.
- Pois deve ser isso. Vamos lá?
- Bora.


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     Os dois foram para a praia surfar. Fizeram uma breve pausa para comer umas tostas do bar e passado uma hora estavam de volta ao mar. Charlotte quase os acorrentava nos bancos para ter a certeza que tinham a digestão feita mas com eles não havia volta a dar. Quando o sol se estava a por, eles os dois foram para a gruta e Catarina foi ter com eles. Era a primeira vez que o trio estava reunido desde há muito tempo. Ryan contou tudo à Catarina que ficou em choque e abraçou-o com força. Ryan nunca a tinha visto tão triste. Mas os três estavam principalmente felizes por estarem juntos outra vez. Nenhum dos dois queria ir para casa. A conversa continuava e continuava, assim como as brincadeiras e as histórias do passado. Catarina sugeriu que acampassem na gruta. Todos concordaram, faltava eram os pais dos mesmos. Troy foi o primeiro a dizer que podia, seguido de Ryan e só faltava a Catarina. A mãe dela ficou hesitante mas depois de muito paleio ela lá deixou. Eles foram para casa buscar sacos-cama e meia hora mais tarde estavam eles reunidos na gruta outra vez. Troy tinha trazido a gigante tenda que tinha e Ryan o jantar. Catarina trouxe mantas e marshmellows. Eles não iam fazer uma fogueira na areia molhada, mas marshmellows sabe sempre bem. A noite passou a voar e a Catarina foi a primeira adormecer, por volta das cinco da manhã, seguida por Troy sendo que Ryan o último a ficar de pé. 
     Ryan viu a manhã nascer enquanto comia o que restava do pacote de Chipmix. O mar estava estranhamente apetecível. Ele caminhou até ao oceano para sentir a água entre os dedos mas não foi exatamente isso que sucedeu. A água envolveu os dedos dele, molhando e lavando-os da areia por alguns momentos, mas quando uma segunda onde deu à costa, ao tocar nos seus dedos, a água congelou. Ryan arregalou os olhos e viu o gelo a alastrar-se mar adentro. O mar estava lentamente a congelar-se. As nuvens começaram a descer envolvendo o oceano com um misterioso nevoeiro. Ryan deu dois passos para trás, incrédulo. Caminhou e pisou aquele mar congelado, certificando-se que era real. Agachou-se e viu uma mulher presa debaixo daquela camada de gelo. O olhar dela - familiar e desesperado - pedia-lhe ajuda. O que se estava a passar? Isto só poderia ser um sonho. Nada disto podia ser real. Ryan bateu com as palmas das mãos na cabeça para ver se acordava. Mas aquilo continuava a mostrar-se como a realidade. 
- Outra vez não. Outra vez não - murmurava baixinho. - Outra vez não... Outra vez não! - berrou e bateu o pé no gelo. 
     Ao bater com o pé, o gelo desvaneceu-se. A água ondulou e Ryan caiu para dentro do mar. O calor da água envolveu e deixou-o, por pouco tempo, paralisado. Nadou para a superfície. Olhou à volta e não havia sinal de nevoeiro e mar congelado, frio e uma mulher misteriosa. Ryan tentou acalmar a respiração acelerada. Ele estava a alucinar outra vez. Elas tinham voltado de rompante e a dor de cabeça que sentia garantiu-lhe que não iriam acabar por ali. Ryan saiu da água e procurou a toalha lilás para se secar. 
- Ryan? Foste mergulhar? - Troy perguntou com a cabeça fora da tenda.
- Sim - sorriu. - Para acordar. 
- Vou acordar a Catarina para irmos comer qualquer coisa em minha casa e depois dormimos por lá. Tudo bem? - disse, num longo bocejo.
- Tudo bem. Mas boa sorte ao tentar acordá-la. 
- Desenvolvi uma técnica ao longo dos anos. Chama-se "Acorda e Foge" - Ryan riu-se.
     Ryan não queria deixar transparecer o seu lado louco. Não queria que Troy descobrisse o que está debaixo do seu lado bom, do lado em que ele era o seu melhor amigo. Ele não queria que ninguém descobrisse o lado negro dele onde a principal atração era um miúdo que sofreu de cancro e que no final acabou "curado" com uma parte da cabeça disfuncional que só o sabia encher de alucinações como esta. Esse miúdo não era o verdadeiro Ryan. Pelo menos, era o que ele tentava convencer-se de todas as manhãs depois de acordar num sobressalto coberto de suores frios.


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     O bar estava a ficar mais calmo quando um homem alto e de estrutura magra entrou. Troy estava com uma toalha branca no ombro e com outra nas mãos enquanto limpava o balcão de migalhas. A mãe estava na cozinha e o pai lá fora a tratar de mercadoria. Ele estava cansado e por isso não prestou atenção com quem se dirigia. 
- Boa tarde. Já sabe o que vai pedir? - disse enquanto pegava na caneta e no pequeno bloco de notas.
- Sim. Quero um hambúrguer com batatas onduladas e - pausou subtilmente - que molho me aconselhas, Tema?
     Troy instantaneamente elevou a cabeça do bloco e encarou os olhos do estranho. O seu rosto era difícil de esquecer e logo soube quem se tratava.
- Mercúrio - disse baixinho. Olhou em volta muito devagar e teve a certeza de que os seus pais não estavam por perto. Se acontecesse algo, ele sempre podia inventar. Se acontecesse algo, ninguém iria ouvir os seus gritos.
- Já sabes o meu nome, que decepcionante. Lá se vai o meu elemento de surpresa - os seus olhos vermelhos sorriam-lhe sem nenhum sorriso nos lábios. Lentamente, as palavras das gémeas saltaram na sua cabeça: Mercúrio não gostava dele.
- O que queres? -
     Os olhos dele tornaram-se ameaçadores e perigosos como se Troy fosse a sua presa, e, depois de o observar durante, o que pareceu, uma eternidade, sorriu-lhe e disse:
- Por agora, basta-me o hambúrguer e as batatas. Ah, quero o que leva mais coisas - disse a ver o menu. - Traz o molho que achares melhor, Tema. Acho que posso confiar em ti durante uns minutos na escolha dum molho, não posso?

     O pedido do hambúrguer foi para a tabelinha de pedidos. Enquanto continuava a limpar o balcão e a lavar copos, Mercúrio e ele trocavam olhares e Troy não conseguia não estar arrepiado. Havia mais dois clientes no bar, a mãe estava na cozinha e o seu pai podia aparecer a qualquer momento. Mercúrio não arriscaria ser visto a acabar com ele com os seus poderes infinitos ou arriscaria? Troy estava desejoso que o hambúrguer demorasse anos a ser feito mas bastou apenas sete minutos para a mãe bater na campainha que indicava que o prato estava pronto a ser servido. Pegou num tabuleiro onde colocou o hambúrguer e as batatas - Mercúrio não tinha dito nada sobre a bebida - e olhou para as variadas saquetas de molho do bar. O que raio estou a fazer? É um molho, pelo amor de Deus. Troy pegou em duas saquetas de molho ketchup e levou-lhe a comida.
- Ketchup? Não és assim muito aventuroso, pois não? - Ele abriu o molho, despejou-o pelas batatas crocantes. Pegou numa batata e deu-lhe uma dentada. Pela sua careta, estavam muito quentes. - Traz-me uma bebida, sim?
- O que vai querer, senhor? - saiu-lhe demasiado naturalmente para poder filtrar o "senhor". Mercúrio sorriu.
- Tenho cara de senhor, Tema? - Troy abanou a cabeça em resposta. - Bem, podes trazer-me uma Cola. Com muito, muito gelo. Estou a ficar com calor - disse a afastar o colarinho da camisa.
     Troy foi ao frigorifico repleto de bebidas ao lado do balcão e tirou de lá uma Coca-Cola fresca. Abriu a lata e deitou o líquido para um copo repleto de gelo quase até ao topo e colocou uma fatia de limão para decorar. Mercúrio era, afinal de contas, um cliente. Levou-lhe o copo e a lata e ele agradeceu-lhe. Troy voltou para o balcão e fitou-o durante o tempo todo. Ele comia com bastante normalidade. Naquele cenário, Mercúrio podia integrar-se na clientela normal do bar, se não fosse por aqueles olhos vermelhos. Mas ele não podia estar aqui só para comer um hambúrguer e batatas fritas. Portanto, Troy ficou alerta.
     Os dois outros clientes já se tinham ido embora. O sol deitava-se no mar. Mercúrio agora apreciava um gelado de banana com chocolate e raspas de caramelo. As mãos de Troy tremiam involuntariamente. A mãe tinha deixado o bar por conta dele e o pai devia ter ido com ela. Eram só os dois naquele edifício. Mercúrio não emitia qualquer vestígio de perigo, mas os seus olhos diziam o contrário. Então, quando ele o chamou à mesa, Troy estava completamente petrificado.
- A conta, por favor - disse.
- São treze e setenta e seis. - Mercúrio colocou quinze euros em notas na mesa. Troy pegou no dinheiro e levou ao balcão para lhe dar troco. Mercúrio levantou-se e dirigiu-se para a saída com o casaco de ganga a balançar no antebraço. Troy caminhou até ele com o troco na mão.
- O seu troco - disse, atrás dele.
- Obrigado - colocou as moedas no bolso. - Bem, sabes perfeitamente que não vim aqui só para saborear a comida da tua linda mãe - fitou-o.
- Sei, sim.
- Então, deixa-me esclarecer-te algo, Troy. Tema. - Mercúrio virou-se para ele, os seus olhos ficaram vermelhos vivos e Troy podia jurar que via chamas neles - Ou seja o que for que queiras ser chamado. Não te atrevas a aproximar-te delas de novo.
- Delas? - Troy devia ter ficado calado. Mercúrio arrastou-o para a parede e prendeu o pescoço dele contra a parede com o braço.
- Não vou voltar a avisar-te, Tema - Mercúrio apertou o pescoço dele. - Tiraste-me a Vénus uma vez, agora a Mondy - o toque dele no pescoço de Troy começava a queimar. - Mantêm-te longe da Melody e da Violet, estamos entendidos?
     Troy estava completamente assustado. Ele, se quisesse continuar a viver a vidinha dele, teria de acabar a relação com as gémeas. Mas ele sabia que se o fizesse, nunca iria descobrir quem era, o poder que tinha e como parar o Saeva e possivelmente salvar toda a gente que gosta. No entanto, se morresse agora, quais seriam as hipóteses de Saeva deixar de o atormentar ou à sua família?
     Na sua cabeça, articulou um "Sim" mas a sua voz disse outra coisa.
- Acho que não vou poder fazer isso.
     Mercúrio apertou o pescoço dele ainda mais. Mal conseguia respirar e a única coisa que Troy via era a cor vermelha dos olhos diante de si.
- Acho que não me fiz entender, Tema - soltou um riso e ficou sério num segundo. - Fica longe da minha família ou vais passar a ser chamado de órfão. Fiz-me entender? - Ele moveu ligeiramente o braço para ele lhe poder responder. Troy não se armou em valente desta vez.
- S-sim.
     Mercúrio largou-o. Troy caiu de joelhos no chão a recuperar a respiração. Mercúrio ajeitou o colarinho da camisa e disse num tom demasiado amigável:
- Está muito calor hoje, não achas, Tema? - Sorriu, muito satisfeito consigo próprio, e saiu porta fora.



(Desculpem por não postar durante uma eternidade.)

bright petals.