O Diário de Jay #5

26 de Dezembro de 2004  

Nem me apercebi que era Natal. Apesar de todas as decorações na rua, nem quis saber. Temos idade suficiente para passar o Natal longe dos nossos pais e família. Pelo menos, já há 2 anos que o nosso grupo não o celebra em família. Parece que a Lara também assim o faz. Enfim, nem quero falar disso. Águas passadas. Passei a noite passada a fazer nada. Não tinha nada para fazer. As aulas recomeçam daqui a nada e não me apetece voltar a ouvir os professores e voltar à universidade. É só o meu primeiro ano e já me fartei de tudo aquilo. Mas tenho de me aplicar. Posso não falar com os meus pais, mas eles pagam-me os estudos. Não vou gastar assim o dinheiro deles. Acordei à bocado, não tinha nada para fazer, vim escrever. Estou a pensar em mudar de casa. Não agora, porque vivo perto da universidade, mas depois que acabar o curso, e arranjar um emprego decente. Quero uma casa grande, com um jardim imenso e piscina. Porque quando casar quero ver o jardim rodeado de alegria pelas crianças. As minhas crianças. Agora tenho é de me aplicar para concretizar isso tudo. E não vai ser fácil. 

it's cold outside

o que o vento não levou, eu guardei. o que o coração perdoou, a cabeça não esqueceu. o que o passado me trouxe, mudou completamente o meu presente. e tu deste um passo no meu esquecimento até caíres no abismo mais profundo que nele há. sempre guardado a sete chaves estavas tu, o meu sentimento mais precioso esquecido mas ainda protegido pelo coração. porque entre eles haverá sempre um conflito sobre os sentimentos. e eu também não sabia qual dos dois escolher, porque eu ainda queria ter-te comigo e ao mesmo tempo esquecer-te. o toque das tuas mãos ainda estavam na minha pele, o sabor dos teus lábios ainda estavam nos meus e o teu sorriso ainda era visto pelos meus olhos. sempre pensei que os espaços entre os meus dedos eram para ser preenchidos pelos teus. sempre pensei que os teus olhos eram encantados pelos meus. e agora, enquanto espero pelo vento sentada no canto de uma janela, agarrada a uma camisola tua, eu vejo as nossas memórias a passar em cada folha que cai da árvore lá fora. como elas, nós caímos, e no chão ficámos. e espero que o vento as leve, para que eu não as guarde. e que pelo menos essas voem para lugares melhores e me deixem em paz. já que para ti, não faz diferença alguma; o que o vento não levou, eu guardei. o que o coração perdoou, a cabeça não esqueceu. o que o presente me trouxe, fez esquecer completamente o passado. 

O Diário de Jay #4

25 de Dezembro de 2004 

Passei a manhã com a Lara e depois ela foi para a casa dela. Fui à praia na esperança de encontrar a Anita, ela ainda era a minha melhor amiga apesar de tudo, e queria contar-lhe da Lara. Ela poderia ter respostas para mim. Cheguei lá e chamei-a. Chamei-a umas mil e uma vezes e ela não aparecia. «Será que ela não estava mais por perto?» perguntei-me. Saí dali sem respostas. Começou a correr um vento enorme, frio e interminável. Apressei-me para ir para o carro e fiquei lá dentro a observar o mar. Quantos segredos vão por aquelas ondas. Nem eu sei metade deles. Liguei o carro e fui para casa. Bebi chocolate quente e fui-me deitar na cama. Adormeci e devia ser um sonho, mas vi a Anita. Ao meu lado, a sorrir para mim. Eu conseguia senti-la, parecia tudo tão real. Quando nos tocámos, eu senti. A minha mão sentiu-a.  
«És mesmo tu?» perguntei. «Sou eu Jay, voltei» disse-me a sorrir, «Mas como?», «Não sei, acordei na praia com as minhas pernas e vim para aqui», «Mas...», ela colocou o seu dedo indicador nos meus lábios de modo a calar-me e beijou-me. De novo, parecia tão real... Aproveitei cada segundo do seus lábios nos meus, eram o meu ponto fraco. A minha perdição. Ela era e ainda é o meu ponto fraco. Mas depois acordei, ofegante e confuso. Ainda me pergunto o que aconteceu, se sonhei com isto ou ela apareceu mesmo no meu quarto. Não sei...É tudo confuso. Vou mas é ver televisão, fazer jantar e ir dormir. Preciso duma noite normal. 

bright petals.