tempting

consumida por uma paixão cega e sem sentido assim me encontro. agora, tudo o que sou está nas tuas mãos, mesmo sem teres consciência de tal coisa. em poucos segundos perco-me num mundo desconhecido, longínquo daqui, onde protagonizamos a melhor peça de amor alguma vez vista. porém, isso não é a realidade e isso esmaga-me com uma força tremenda deixando-me em pedaços, pequenos e curtos pedaços.  se alguma vez o guião que escrevi, e reescrevi, sobre nós se concretizar, se por um instante partilharmos o sentimento mais bonito que tanto desejo, estarei por alguns momentos, completa. 
se nada dura, eu farei os possíveis para sermos a exceção. 
e assim estou eu, cega por ti. se voltasse atrás, cega ficaria de novo porque és demasiado tentador para conseguir escapar. pergunto-me o que vai na tua mente demasiadas vezes, e não devia. não devia importar-me com isso. não devia. mas agora é tarde, não há volta a dar e meu amor, eu também não quero. vou sempre preferir ficar presa a ti.

your ghost

o meu coração acelerava cada vez mais, a minha respiração era inconstante e o motivo era ter-te tão perto de mim e ainda assim tão distante. não conseguia lidar com esse aborrecido e triste facto. o desejo de apenas poder abraçar-te de novo como dantes consumia-me por inteiro e apoderava-se de mim de uma forma incontrolável. desculpa, não sou capaz de nada. nem de ficar longe de ti sou. a verdade, a triste e cruel verdade, é que nós morremos. uma morte acidental mas fatal. destruiu-nos por inteiro, deixando para trás apenas a memória do que antes foi o melhor momento das nossas vidas e agora? agora é simplesmente isso, uma memória. a melhor memória. contudo, eu ainda te vejo com os mesmos olhos de antes. ainda te vejo a sorrir como um miúdo na manhã de natal aguardando o seu mais desejado presente, ainda te vejo corar por um gesto inesperado meu, ainda oiço a tua rouca voz no início da manhã. ainda vejo a brisa fresca de outuno a passar por entre os teus curtos cabelos e o sol a refletir o seu último raio na cor verde primaveril dos teus olhos. e ao virar-me para finalmente encarar-te o meu coração foi invadido por saudade e tristeza imensa. os teus olhos postos mim com uma emoção indecifrável, o teu corpo só, a tua mão sem a minha, os meus lábios sem os teus. tudo isto condicionou a um momento constrangedor em que não foram precisas palavras para termos a certeza de que tudo o que tivemos estava acabado e que só éramos fantasmas a flutuar por aí, algures. 

The Decision #15

      Sol confirmou a minha teoria e fiquei ainda mais sem reação do que imaginava. O meu pai está na Terra. 
     Com isto, mil e um pensamentos vieram à minha cabeça, como o porquê de ele não ter vindo procurar-me e de onde ele estaria realmente. A partir daí só queria encontrá-lo. Ele se calhar também podia estar à minha procura... Eu preciso de o encontrar, preciso de respostas, preciso dele.  
     Desde que fui ao espaço com Sol e soube que o meu pai estava na Terra que não paro de procurar informações. Seja na internet, seja em jornais, em qualquer lado que me indique o paradeiro do meu pai. Lembro-me que avó falava muitas vezes duma vila perto daqui que os meus pais gostavam muito de visitar... Desde que me lembrei disso que comecei a procurá-lo a partir daí. Ele podia ir de vez em quando a esse lugar, para se relembrar da minha mãe talvez. 
      Sol dizia para parar com esta pesquisa toda... Que eu estava a ficar demasiado obcecada. Mas ele não percebe. Eu tinha de fazer tudo para o encontrar, ele afinal de contas é o meu pai. A avó não questionava nada do que fazia, ela sabia que nada do que pudessem dizer ia fazer-me mudar de ideias. Mercúrio agia como Sol e avó. Preocupava-se mas também sabia que não ia desistir facilmente, sabia que eu sou demasiado teimosa. 
Eu tenho de encontrá-lo. Eu tenho, eu preciso.


 

4 dias depois


      Já se passaram 4 dias. Não ando a dormir ultimamente, não tenho tempo e também não tenho sono. O café tem-se tornado o meu melhor amigo. Sol cada vez mais me dá na cabeça. Diz que estou a ficar demasiado obcecada, que não estou bem. Mas eu estou. Estou quase perfeita aliás. Eu só tenho de o encontrar, só isso... E só o farei se continuar à procura, se continuar mais noites sem dormir por ter tantas coisas a fazer, para ligar os pontos que vão surgindo, só vou conseguir encontrá-lo se continuar assim, se continuar com os olhos no objectivo.  
     Finalmente, depois de tanto pensar, encontrei uma pista no paradeiro do meu pai. Saí do meu quarto, e desta vez não foi para buscar mais café, mas sim para ir directo ao local onde o meu pai poderia estar. Estava tão empolgada, imaginava mil e um cenários de como seria o nosso encontro. 
      Ia em direção ao carro mas de repente algo em mim parou. Os meus joelhos fraquejaram, toda a energia que havia no meu corpo se perdera, a minha mente ficara vazia e num instante tudo o que via era preto. Desmaiei.  
      Acordei tonta e no meu quarto, não tinha percebido o que tinha acabado de conhecer. 
Finalmente me apercebi que tinha desmaiado... Sol deve ter sentido a minha fraqueza e foi ajudar-me. Mas eu não posso ficar na cama o dia inteiro, tenho de ir encontrar o meu pai.  
Levantei-me e fui procurar Sol, avó e Mercúrio. Não estavam na cozinha ou na sala, portanto fui ver no jardim. Ouvi, vindo do jardim, uma grande discussão. 
- É por causa dele que Luna está assim, Mercúrio - gritou Sol a sentir-se culpado. 
- Tens de ter calma Sol, tens de perceber que o Plutão é pai dela - disse Mercúrio. 
- Não consigo! Plutão sempre foi assim, fugia das responsabilidades e isto é só mais um dos seus jogos - gritou -  ele não quer saber da Luna. 
- Não digas isso Sol...
- Vais defendê-lo Mercúrio? A sério? 
- Parem de gritar, a Luna ainda pode ouvir-vos - disse avó. 
- Não comeces Mondy. Isto é tudo culpa tua aliás - acusou Sol. 
- Não vás por aí Sol - desafiou Mercúrio.
- Não vou porquê? É a verdade. Se a Mondy não tivesse dito à Luna que Plutão estava vivo, ela nem ficava com a ideia de poder ter o pai de volta.  
      E foi neste instante que percebi que isto era a minha visão a concretizar-se. A discussão entre eles estava a acontecer e a culpa era minha. Toda e somente minha. 
- A culpa é minha por querer que a minha neta saiba a verdade sobre os pais? É Sol? Vá diz-me - gritou Mondy. 
- É! O melhor para a Luna era nunca saber do Plutão! Tu sabes que ele é um irresponsável e não sabe dar valor à Luna. Ele mal deu valor à Mel. Tu sabes disso melhor que ninguém - gritou.  
- O que se passa aqui? - gritei da porta do jardim. 
- Luna... Estás aí há quanto tempo? - perguntou avó. 
- O suficiente - respondi enquanto ia em direção a eles. 
       Mal conseguia andar. Estava demasiado fraca e Sol sentia-o. 
- Luna - disse e aproximou-se de mim - agarra-te - sussurrou quando chegou perto de mim e fez-me apoiar nele. 
- Obrigada e parem de discutir por favor. A decisão é minha, seja ela má ou não. Eu quero conhecê-lo. 
- Mas Luna... Ainda não reparaste o mal que ele já te está a causar? - disse Sol. 
- Mas isto é tudo culpa minha Sol, eu é que não soube cuidar de mim mesma - confessei - e peço desculpa por colocar-vos aflitos. Não queria que nada disto acontecesse...
- Eu é que peço desculpa, a ti e a vocês - e olhou para avó e Mercúrio. 
- Pedimos todos - disse avó a mostrar o sorriso mais reconfortante. 
      Coloquei a minha cabeça no ombro de Sol e ele percebeu que tinha de ir descansar mais. Levou-me para o quarto e preparou-me um banquete com a ajuda da avó. Estava proibida de sair da cama, a não ser para ir à casa de banho. Mercúrio trouxe o tabuleiro com o meu jantar e o seu rosto mostrava seriedade. 
- Passa-se alguma coisa? 
      Mercúrio colocou o tabuleiro a meu lado na cama e pensou muito antes de proferir qualquer palavra. 
- Luna, acho que Sol tem razão. Eu sei que queres conhecer o teu pai mas talvez não seja o melhor. 
- Não vamos falar disto outra vez pois não? Pensava que já tinham percebido que eu quero conhecê-lo. 
- Percebi e tu sabes que eu quero o melhor para ti, mas Plutão pode não o ser. 
- Não te preocupes, eu fico bem. Tenho-te a ti - sorri - O Sol e a avó, também. 
- Tenho um mau hábito de subestimar-te - confessou - mas sei que és capaz de superar tudo - deu-me um beijo na testa. - Se precisares de mim, grita está bem? 
- Sim - sorri. 
      Comecei a comer assim que Mercúrio saiu do meu quarto. A refeição que prepararam estava mesmo boa.
      Bateram à porta. 
- Entra! 
- Então, como estás? - sorriu - A comida está boa? - sentou-se na cama. 
- Estou bem e a comida está ótima, obrigada - sorri. 
- Ainda bem que gostaste. 
      Reparei que Sol queria falar de algo, como era de prever seria sobre o meu pai. 
- O que se passa Sol? Desembucha.  
- Luna, eu acho que estás a levar isto tudo do teu pai demasiado longe. 
- Eu sei que fui a um extremo, mas não vai voltar a repetir-se Sol - ele não parecia convencido - Não confias em mim? 
- Confio Luna, é claro - disse com todas as certezas, porém, havia um mas. - Mas é no teu pai que eu não confio. Ele deixou-te sozinha Luna, deixou-te em bebé. No momento em que mais precisavas dele, ele deixou-te... Eu não consigo parar de pensar que se ele conseguiu-te deixar em bebé, ele irá conseguir deixar-te agora e não quero que te desiludas. 
      Sol ao dizer isto levantou-se e ficou de costas viradas para mim com as mãos na cabeça. Ele tinha razão, mas eu não podia pensar assim. Obriguei-me a levantar e abracei-o por trás.  
- Hey, olha para mim - virou-se e os nossos olhos encontraram-se. 
- Desculpa, estou a ser egoísta. 
- Eu percebo, se fosse contigo eu provavelmente iria reagir pior - sorri. - Mas eu preciso de o encontrar. Eu preciso de respostas, preciso de o conhecer Sol... Ele é o meu pai, não é? Eu mereço conhecê-lo. 
- Mas ele não merece conhecer-te Luna. 
- Talvez, mas isso já é decisão minha. E espero que me apoies em qualquer decisão que faça, seja do teu agrado ou não. 
- Claro - disse meio magoado e meio rabugento. 
- Não fiques assim, vá lá - pedi. 
- Como queres que fique quando acho que estás prestes a mergulhar numa desilusão enorme? Ainda por cima se não sou capaz de o impedir - confessou. 
- Sol ele é meu pai! O meu pai! - afastei-me dele. - Toda a vida quis conhecê-lo, mesmo sabendo que ele pode não ser a pessoa que estou à espera, ele continua a ser o meu pai. Isso não vai mudar. Parte de mim é parte dele, por isso não pode ser assim tão mau não é? 
- Luna tu não tens nada a ver com ele! 
- Então deixa-me verificar isso com os meus próprios olhos! Sei que achas isto uma má ideia, mas eu não vou desistir Sol, nunca. E se não estás disposto a aceitar as minhas decisões, por favor sai. 
- Luna? Estás a falar a sério? - perguntou perturbado e confuso.
- Estou. 
      Sol fez uma cara de espanto. Estava chocado com o que acabei de lhe propor e uma parte de mim queria que ele saísse, mas outra só queria que ele percebesse e apoiasse. Porém, ele não conseguiu tomar a decisão acertada e saiu porta fora do meu quarto. Quando dei por mim, o meu coração tinha-se partido aos mil e um bocados e os meus olhos derramavam lágrimas sem fim. 

bright petals.