The Moonlight #5




- Desculpa por aquilo de há bocado - disse - Não queria parecer mandão. 
- Pois, mas pareceste. - qualquer sorriso meu para ele se desfez num instante.
- Não era a minha intenção Luna. Só que eu nunca não consegui ler a mente de alguém, fiquei assustado com isso - explicou. 
- Pronto, está bem. Não vamos mais pensar nisso. 
       Fiquei admirada comigo própria pela facilidade com que me chateava com Sol e depois o perdoava. Será que também era assim com a avó? E estava meio que aliviada que ele não conseguisse ler os meus pensamentos. Só tinha que treinar a barreira agora para a avó. E sinceramente, tenho de começar a ler aquele caderno que ela deu. 
- Posso perguntar-te uma coisa? Já que não te posso ler.. - disse Sol. 
- Bem, podes - respondi. 
- Achas-me atraente?
      Ri-me imenso. 
- Isso é um não? 
- Estás a falar a sério, Sol? 
- Sim, muito - ele sorriu num tom de gozo mas também algo me dizia que ele estava a falar a sério.
- Na verdade, acho-te super bonito mesmo - ele já ia soltar aquele sorriso engatatão quando falei - Mas, a tua personalidade é horrível. 
- Como assim? Horrível?! 
- Sim - levantei-me. 
- Luna, explica-te. 
- Talvez numa próxima. A avó precisa da minha ajuda. Depois falamos. 
      Fui-me embora deixando-o à nora. Nem eu sei onde quero chegar com isto. Foi uma coisa do momento. Acho que se pode chamar isso. 
       Entrei na cozinha e avó já tinha tudo pronto. O bolo, o jantar, tudo. 
- Voltaste a usar os poderes? Já te avisei que é perigoso avó. 
- Sim  mas hoje é uma ocasião especial. 
- São todas, não é? 

      Sentei-me e a avó chamou Sol para jantarmos. Sol e avó contaram-me histórias que se passou com eles, eu e a avó contámos a Sol outras. Foi um bom jantar. Éramos só os três porque assim que decidi juntar-me a esta cruzada, a minha vida, os meus colegas e o meu trabalho tinham de ficar para trás.
     E a minha hora preferida chegou! Fomos para o jardim à frente do alpendre. Estava uma noite linda. A Lua estava mais luminosa que nunca, um quarto crescente tão definido e tão brilhante que era lindo de ver. 
- Estás linda, Luna - disse Sol. 
- Obrigada - disse, nada à espera do comentário dele.
      A avó colocou o bolo na mesa do alpendre e festejámos o meu aniversário sobre a Lua. E os meus 21 anos estavam quase completos. 
- Parabéns minha princesa, minha Lua. - olhou-me orgulhosa - Amo-te muito querida, e espero que consigas cumprir todos os teus objetivos neste novo ano - disse a avó, quase em lágrimas e a sorrir. 
- Obrigada, avó, por tudo. Amo-te muito! - abracei-a com um sorriso enorme. 
- Luna - chamou Sol. 
- Sim? 
- Podes vir cá um minuto, por favor? 
      Separei-me da avó e fui ter com ele perto da árvore no canto do jardim.
- Sim, Sol? - perguntei. 
- Queria dar-te isto - mostrou um colar prateado com a lua e o sol unidos, num só. 
- Sol! Não era preciso teres comprado um colar - disse babada. 
- Não comprei, Luna, fiz eu próprio.
- Oh, ainda pior! Não era preciso teres perdido tempo com presentes... 
- Então, não gostaste? - perguntou triste.
- Não, nada disso. Adorei mesmo, obrigada - sorri. 
       Sorriu - Deixa-me colocar-te - pediu. 
      Levantei o meu longo cabelo escuro e virei-me de costas para Sol para poder colocar o colar no meu pescoço. Preparei-me para o frio que traria o colar mas surpreendi-me. O colar estava quente, um quente reconfortante. As mãos de Sol, nem chegaram a tocar-me enquanto me colocava o colar mas, emanavam um calor abrasador e único. Era calmo e trazia paz, serenidade. Aquecia-me a alma. Depois de colocar o colar, tocou-me nos ombros, acariciou-os e percebi que sorria. Virei-me. 
- Que tal me fica? - perguntei tímida. 
- Perfeita, ainda mais - respondeu. 
      Naquele momento, nenhum defeito dele me ocorreu na cabeça. Éramos só nós à luz da Lua e o momento era perfeito. Os seus olhos âmbar ficaram num tom dourado maravilhoso, a cor da sua pele realçava ainda mais com a luz perfeita da Lua e tudo nele era maravilhoso. Pensei em ficar assim com ele para sempre, afinal, ele podia nem ser tão mau quanto eu pensava. Pensei em perder-me naquele dourado que era o seu olhar e ficar ali o resto da vida. Estava a perder-me por Sol. E eu, apesar da nossa imensa atração, não iria permitir tal coisa.
- Hum, tenho de ir...ali.. - disse apontando para o alpendre - hum, depois falamos? Sim, depois falamos, até já - e fui-me embora procurar o buraco mais perto para me esconder. 
     Reparei que Sol tentara dizer alguma coisa para ficar, mas a minha consciência agiu mais depressa e fui-me embora. O que se tinha passado ali, debaixo daquela árvore? Graças a Deus que Sol já não conseguia ler os meus pensamentos... só a minha figura... O chato era a avó a estar a revistar cada segundo do que se passou ali na minha cabeça. Tenho a certeza que se ela lesse os meus pensamentos, nada diria porque mais constrangida não posso ficar.
     Fui ter com ela para cortar-mos o bolo e cantarmos a tradicional canção dos parabéns. Como sempre não sabia como reagir, principalmente agora que Sol estava mesmo à minha frente, a um bolo de distância de mim. Sorria apesar do ambiente estranho entre nós. 
     Apaguei as velas, e cada um ficou com uma fatia de bolo. Fui sentar-me no chão do alpendre, de maneira a ver a Lua enquanto saboreava o maravilhoso bolo feito por mim e pela avó (mais pela avó) e pensar nas coisas. De como a minha vida daqui para a frente iria mudar por completo. Já sentia falta dos meus velhos hábitos.
- Vai tudo correr bem, eu prometo - disse Sol quando se sentou ao meu lado. 
      Não lhe respondi, não era preciso. Apenas ficámos ali os dois, a observar a Lua, a esperar que o futuro nos reserve coisas boas e a tentar descobrir o que nós os dois tínhamos. 
águas cristalinas que trazem serenidade, a cor do céu dum azul pacífico e sincero lembram-me de ti; do teu perfeito ser que nunca irá pertencer-me. vivendo num sonho onde não quero acordar, onde o mundo é felicidade e o ar que respiro é amor. dia após dia vive-se melhor. dia após dia ganha-se força e confiança. confiança para nada por entre as águas me rodeiam que me fazem tão bem quanto aparentam. admirada pela cor perfeita da água encontro-me perdida no mais magnífico olhar teu, na esperança que dure para sempre. 

The Practise #4

      



Tentei encontrar alguma coisa no meu armário que desse para servir como fato de treino. Com muita procura, lá no fundo da gaveta encontrei umas leggings e usei uma camisola velha que lá tinha. Calcei os meus odiados ténis e lá fui para o jardim. Ia treinar primeiro com a avó antes de estar com Sol. Ela queria ver onde as minhas habilidades físicas iam. Tínhamos parado de treinar à quase seis meses.
- Bem Luna, vamos lá ver o que és capaz - disse ela.
       Pensei eu que ia ser fácil, a minha avó não está propriamente na idade nova. Vai ser canja, dizia eu para mim própria. Até que ela veio a correr para mim, pronta para me atacar e eu só fugi na esperança de escapar a qualquer pontapé um murro que ela pudesse me dar.
- Luna! Não podes fugir! - gritou ela.
- Mas avó, ias matar-me - refilei.
- Vá, vamos fazer outra vez.
      Desta vez fiquei no meu sítio, pronta para contra-atacar mas acabei por cair nos truques mais fáceis do mundo. A avó apenas chegou-se a mim, tocou-me umas duas vezes e quando reparei já estava deitada no chão a queixar-me das dores.
- Que alguém nos ajude - disse a minha avó enquanto ia buscar uma garrafa de água no alpendre.
- E parece que é a minha deixa - disse Sol.
      Ele entrou, literalmente, a brilhar pelo jardim a dentro, praticamente despido e a soltar um sorriso encantador que me irritava imenso.
- Anda, toma a minha mão - disse -me estendendo a mão como forma de ajuda para me levantar.
     Aproveitei, já estava cansada e só tinha estado lá fora 2 minutos.
     Agarrei a mão de Sol que estava quente. Um quente acolhedor e bom. Ele puxou-me para cima, de maneira a que ficássemos frente a frente, pela segunda vez. Perdi-me no olhar que guardava mil e um segredos e desejei por segundos ficar assim para sempre. Mas caí em mim rapidamente e olhei para outro lado. Atirei a ideia de Sol ser uma pessoa séria e capaz de entender-me para o lixo e continuei a viver na realidade de ele ser infantil como tudo. A minha faladeira mental foi interrompida quando ele falou:
- Andaste a treinar a barreira?
- Sim, porquê? Queres entrar na minha mente é? - menti sobre ter treinado a barreira.
- Não, nem por sombras - disse calmo.
- Olha, como é que há sol se tu estás aqui? Está sol - perguntei parecendo uma parva por não saber já a resposta.
- Luna, não tens estudado o caderno que te dei - refilou a avó.
- Desculpa, mas eu tinha que trabalhar avó.
- Tenho os meus poderes Luna. Mandei alguns dos meus raios para o espaço para manter a normalidade no sistema - explicou Sol, compreensivo com a minha burrice.
- Hum, obrigada.
      Sorriu-me como resposta.





     Passámos a tarde a treinar e Sol apenas assistiu. Ria-se de vez em quando das minhas falhas no treino, o que me irritava imenso, e criticava a maneira como executava as posições que a avó me ensinava, o que me irritava ainda mais. A sério, quero saber o segredo da avó que conseguiu aturá-lo tanto tempo.
- Luna, podemos falar? - pediu Sol depois do treino.
- Diz.
- Eu realmente queria que nos déssemos bem - disse ele, sério.
- Eu também queria muita coisa Sol - ia-me embora quando ele puxa-me o braço.
- Que foi agora? - perguntei chateada.
       Olhou nos meus olhos durante o que pareceu anos, não falou nada, apenas olhou.
- Sol?
- Tu não tens barreira... - disse baixinho.
- Han?
- Eu não te consigo ler.
- Não é da barreira? - disse, mentindo e esperançosa que ele acreditasse. 
- Luna, isto é péssimo. Não te consigo ler!
- Péssimo? Achas que te vou deixar entrar na minha mente de livre vontade? Pelo amor de Deus Sol - larguei-me do braço dele e fui-me embora dali, a bater com o pé a cada passo que dava.
     Sol tinha realmente me irritado. Estava mais que irritada, quem é que ele pensa que é? O meu dono? Só porque sou sua protectora não lhe dá o direito de me ler. Que raio. Com tanto calor ele deve ter queimado o cérebro, só pode. 
     Tentei acalmar-me, não queria passar o resto do dia irritada e nervosa mas sempre que tentava, Sol fazia alguma coisa que me estragava ainda mais. Começava a ficar mesmo farta dele. 
- Tens que ter calma Luna. Ele não é fácil e para piorar, tu não és fácil. 
- Eu sei avó, mas ele mexe com o meu sistema nervoso. Irrita-me tanto - disse. 
- Está bem, mas tens de encontrar maneira de ultrapassar isso. 
- Eu tenho tentado, mas não é fácil. 
- Hás de te habituar querida. 
      Ajudei a avó a preparar o meu bolo de anos, ia ser de bolacha este ano. Tentamos sempre fazer um diferente desde que sei cozinhar. E até agora temos-nos saído muito bem. Sol estava lá fora, no alpendre, a fazer nada. 
- Vai lá falar com ele - disse a avó após ler-me a mente.
     Nem lhe liguei. Já nem valia a pena. Só tinha a certeza de que tinha de treinar isso da barreira. 
     Ia falar com o Sol. Não sei porquê, mas as minhas pernas andavam em direção a ele automaticamente como uma força e eu não queria nem conseguia pará-las. 
- Olá - disse - está tudo bem?
- Oh, olá Luna. Mais ou menos, senta-te.
- Posso saber o que se passa? 
- Bem, para não falar no assunto principal, deixei todos lá. 
- Todos? Lá? Lá onde, Sol? 
- Os outros planetas Luna, deixei-os sozinhos na galáxia. 
- O quê? Há formas humanas dos planetas? 
       Riu-se - Sim Luna, há. 
- Uau, sinto-me completamente burra. 
- Não tem mal, a tua avó também não sabia deles. 
- Pronto, já me sinto um pouco melhor - sorri. 
Espero que estejam a gostar da nova história :)

The Memories #3

      



     Levei, depois de comer, um tabuleiro com o prato específico para Sol. Nem me atrevi a perguntar o que era, tinha um aspecto tão esquisito e fiz logo má cara. Cheirava a um típico prato indiano, cheio de especiarias, algo que ele não devia comer nestas condições. Mas não dei a minha opinião. 
- Sol? Estás acordado? Trouxe-te comida - disse baixinho. 
- Luna?  
- Sim, Sol, sou eu. Trouxe-te o jantar. 
- Ah, obrigado. Podes colocar aí ao lado, se não te importares? - perguntou-me gentilmente.
- Claro...Olha, queres que traga mais alguma coisa, hm, vais dormir já? - perguntei super atrapalhada.
- Eu sei o que queres saber, senta-te. 
- Mas tu e a avó têm de parar de me ler a mente, a sério. 
- Desculpa - riu-se - é o hábito. 
- Mas então, explica-me.
- Eu e a tua avó é apenas amizade, nunca se passou nada entre nós. Aliás, devias perguntar-lhe quem é lhe ocupava o coração quando apareci. Sabias que ajudei-a muito em relação a ele? 
- Espera, o quê? Mas o que se passa aqui? - parecia tão desorientada que até fiquei tonta.
- Calma Luna, não foi nada de mais. Já passou, mas se queres mesmo saber, pergunta-lhe. Não te custa nada. Se não perguntares sabes perfeitamente que ela te lê a mente. 
- Tenho mesmo que treinar essa coisa da barreira. 
       Riu-se. 
- Estás a rir do quê mesmo? - perguntei atrevida e sem paciência. 
- Soas tão nova para os teus 21 anos. 
- Olha quem fala. 
- E já agora, feliz aniversário. 
- Obrigada. Precisas de mais alguma coisa? - fez não com a cabeça. - Então pronto, vou dormir. Se precisares de algo grita ou assim, boa noite. 
- Bons sonhos, Luna. 
      Apesar de me ter desejado bons sonhos, o que ficou na minha cabeça foi ele ter me ter chamado de criança indirectamente. Se calhar estou a exagerar. Foram umas horas muito confusas. 
- Vó! Onde estás? - gritei pela casa.
- Que foi Luna? 
- Vou dormir, boa noite - dei-lhe um beijo na bochecha. 
- Boa noite querida - a avó retribuiu-me o beijo e foi para a cozinha. 
       Fui tomar um duche rápido, vestir-me e secar o cabelo.





- Os meus olhos cada vez clareiam mais - reparei em voz alta, arregalando os olhos no espelho.
      A cor azul dos meus olhos, diz a minha avó e pelas fotografias, eram dum azul escuro muito escuro. Quase nem se distinguiam a pupila da íris. Desde que completei 4 anos que os meus olhos clareiam cada vez mais. Agora estão num azul claro esbranquiçado. Sempre adorei os meus olhos, com a cor clara ou escura. A avó diz que tem a ver com os meus poderes com a Lua, assim como a cor do meu cabelo. Um preto como a cor do céu que a envolve e comprido como o mesmo. A avó sempre estimou o meu cabelo longo, acho que ela sempre adorou, fazia-a lembrar da minha mãe. Nunca a conheci. A avó disse que ela morreu durante o parto e que a última coisa que disse foi "Diz à Luna que ela é muito amada por mim, sempre será". Apesar de nunca a ter conhecido acho que, independentemente de tudo, amamos a nossa mãe. É algo que já nasce connosco. E eu amo-a muito e quando puder vou estar com ela sempre. 
      Enfim, é melhor ir-me deitar...Já ando a pensar no que não devo.






      Oh merda, estou atrasada! Vesti-me o mais rápido que pude e fui em direção à cozinha buscar um pão e um sumo qualquer. 
- Onde pensas que vais Luna? - ralhou a minha avó.
- Trabalhar, para onde havia de ser? 
- Na na na, tu agora tens outro trabalho. 
- Han? Como assim avó? - suspirei - A sério, estou mesmo atrasada.
- Luna, pára por um segundo e ouve-me! - Ela fez-me aquele olhar e sentei-me logo - Tu não vais trabalhar mais. Temos que treinar os teus poderes. 
- Avó, o dinheiro não cai do céu - refilei. 
- Isso não é problema para nós, tu sabes disso. Para além disso, já tratei de tudo no escritório.
      Apesar de querer exaltar-me e dizer-lhe para não se meter nas minhas coisas, sabia que não ia resultar em nada e iria acabar no mesmo sítio onde estou.
- Okay, mas eu ainda preciso do meu dinheiro. Ainda preciso de sapatos. 
- Podes parar com brincadeiras? Estamos a falar do Universo, Luna. Tens que estar preparada, e agora que completaste os 21 anos os teus poderes estão no auge. Temos que aproveitar a energia deles e treinar-te. 
- Pronto. Está bem. Mas não acordo mais cedo que 10 da manhã. 
- Oito e meia.
- Nove e cinquenta. 
- Nove.
- Nove e meia. 
- Feito - desistiu ela. 
      A avó fez panquecas e eu estava a devorar aquilo que nem um monstro. Como é óbvio o Sol apareceu nesse momento e tinha de comentar a minha figura. 
- Calma Luna, ainda te engasgas! - riu-se ele. 
- Cala-te Sol. 
- Não a irrites, Sol. Come em paz, vá - disse a minha avó numa tentativa de fazer com nem começássemos uma discussão. 
- Pronto, desculpa Luna. 
- Está bem. 
      Ainda era de manhã e Sol já estava a irritar-me. E por falar nisso, ele não sabe o que é roupa? Aparece pela casa apenas de calças, e onde está a t-shirt e isso? Não existe? Sinceramente. Nem abri a boca para falar nada, já sabia que ia causar mau ambiente e decidi guardar isso para mim mesma.

The Attraction #2

     


     Luna cresceu sem pais, apenas conheceu a sua avó e com o passar dos anos isso era mais que suficiente. Mondy cuidou de Luna como se fosse sua filha, deu-lhe todo o carinho que tinha no seu coração e preparou-a para quando Sol aparece-se. Mondy também já fora uma das encarnações da Lua, ajudou Sol a preparar-se para a guerra entre a sua galáxia e outra. Usou a sua ligação com a Lua para o ajudar, mas o poder não foi suficiente e por isso surgiu Luna. Mondy tem vários poderes. Assim como Luna irá ter quando completar os seus 21 anos idade, ou seja, nesta meia-noite.




     Olhei para o relógio e eram 00:01. 
- Temos de te levar para a casa da minha avó - disse eu para Sol. 
- Luna, eu mal me consigo mexer - refilou. 
- Sol, temos que ir andando! Passa um minuto da meia-noite. 
- Mas mal me consigo mexer.
- A sério? Podes parar de refilar? Temos um sistema solar para salvar está bem. 
       Soou tão esquisito que nem acreditei no que tinha dito. 
- Pronto, ajuda-me a levantar por favor - pediu. 
- Vamos. 
- Onde vocês pensam que vão? - perguntou uma enfermeira.
       Oh não! Vá-se embora por favor, não quero problemas. 
      Sol olhou para mim a sorrir. A enfermeira começou a ir-se embora sem dizer nada. 
- Parece que os teus poderes já estão a começar a aparecer Luna - falou divertido com a situação. 
- Não te rias! - suspirei - Vamos lá despachar. 
      Saímos do hospital sem problema. A chuva era cada vez mais forte, talvez para disfarçar a queda da maior estrela do nosso sistema na Terra.
- Sol - disse surpreendida pelo seu nome já sair tão facilmente da minha boca -, achas que sou capaz? 
- Como assim, Luna? De conduzir por entre a chuva? 

- Podes levar isto a sério por um segundo? Isto é grave. Era suposto teres ganho a guerra contra Tema e não teres caído em forma de humano na Terra. 
- Pronto. Desculpa. Só queria desanuviar o ambiente. Já estás tão centrada no objetivo e eu ainda só aqui estou por 40 minutos. 
- Pois, não és tu que vais ter que erguer uma estrela caída na Terra - disse eu cheia de raiva de Sol.  
      Depois do que disse, o caminho para casa foi em silêncio. Sol tinha medo de me irritar ainda mais e eu tinha medo de desistir de o ajudar só por não o suportar. Quando chegámos a casa foi tudo estranhamente estranho. 
- Sol! Como vais? - disse Mondy. 
- Mondy! Já tinha saudades tuas! - falou enquanto se abraçava à minha avó. - Estás cada vez mais linda - sorriu, com as mãos no rosto suave da avó.
- Não há necessidade disso, Sol - respondeu a minha avó. - Mas obrigada.
- Alguém me explica o que se passa aqui? 
- Não sabias que a tua avó já foi, também, a forma humana da Lua? - perguntou Sol. 
- Sabia, mas não fazia ideia da vossa "amizade" - fiz questão fazer o gestos das aspas. 
- Luna, não é nada disso! Sol e eu somos muito amigos. Eu era muito rígida com ele até, e ele sempre tentou fazer com que fosse mais simpática...
- Não consegui, a tua avó é um osso duro de roer - interrompeu a minha avó. 
- Mas até que gostávamos muito um do outro, e não iria perdoar-me se ele morresse na guerra contra Tema. Afinal, fui eu que o preparei. 
- Mas avó, ele perdeu... - disse eu. 
- Não por completo, e é por isso que tu és nova forma humana da Lua - retorquiu a avó - vais ajudar Sol a preparar-se para a nova guerra, vais melhorá-lo. Duma maneira que eu não consegui. Aliás, a luta que ocorreu hoje foi só um percalço. Tema apareceu sem avisar, não foi? - Sol assentiu. - Pelo menos, temos-te a ti agora - ela olhou para mim com uma onda de esperança. 
      E se eu não conseguir? E se por minha causa a nossa galáxia morre? 
- Querida não te preocupes, tu és capaz de tudo o que desejares. 
- Avó, já disse para parares de ler-me a mente - refilei. 
Ela riu-se - E que tal irmos comer? Preparei os vossos pratos preferidos e sei que ainda não jantaste Luna. 
- Pronto, vamos lá então. 
      Mudei de roupa e depois ajudei Sol a ir para o seu quarto, ele precisava de descansar. 
- Hum, Luna? 
- Sim - respondi-lhe enquanto ajeitava o lençol no seu peito de maneira a não atrapalhar nas ligaduras. 
- Podes depois trazer-me o caril que a tua avó preparou por favor? Estou a morrer de fome. 
- A sério? Estás a falar mesmo a sério? 
- Sim... Porque haveria de mentir-te? 
- Nunca pensei que algo como tu podia ter fome. Quer dizer, és humano e tal, mas não completamente humano... Se é que isto faz sentido. 
- Até faz, mas em qualquer caso, temos fome. 
- Então eu depois trago-te algo. 
- Obrigado, Luna - e lançou um olhar meigo para mim.





      Fui o caminho todo, do quarto para a cozinha, a pensar que Sol era mesmo bonito, não um bonito normal, um bonito wow. Ele era incrivelmente perfeito, e apesar de me sentir super atraída a ele, a sua personalidade fazia com que ficasse pouco atraída por ele. O que era completamente chato porque não sabia em que pé estava em relação a ele. 
- Problemas com o Sol? 
- Já te disse milhões de vezes para não entrares na minha mente. 
- Que foi? Tenho de saber se andas a praticar a barreira. 
- Como é que eu podia saber se tinha a barreira de pé na minha mente se os meus poderes só chegam aos 21? 
- Pronto, estás de mau humor. O que se passou? 
- É o Sol. 
- Então, que fez ele? 
- Então que nem parece que leva isto a sério. 
- Isto? 
- Sim, isto! Isto de ter caído na Terra, isto de ter de lutar contra Tema e isto de eu ser a forma humana da Lua! - explodi mais do que queria. 
- Tens que ter calma, ele não é fácil de lidar no início - disse calmamente enquanto se abraçava a mim. - Basta um pouco de paciência agora. Ele rapidamente irá adaptar-se a ti. 
- Pois, está bem.

The Fall #1

     



     Chovia imenso. Estava toda encharcada às voltas no parque de estacionamento a tentar encontrar o meu carro. Quando o finalmente encontrei fiquei chateada por o ter molhado. Ainda no outro dia o tinha limpado, e ele ficou num brinquinho. Pois bem, ficou. Quando finalmente estava a ligá-lo parar ir directa a casa, descansar e dormir, uma luz enorme quase me cega os olhos. A luz era forte, mesmo forte. Não eram os faróis dum carro, nem uma lanterna gigante e certamente não era o sol. Estava de noite, plena noite. Que estranho, pensei. Passou pela minha cabeça ir ver o que era, passou pela minha cabeça apenas ligar o carro e ir para casa, mas a minha curiosidade falava mais alto. Afinal, o que poderia ser de mal? Saí do carro, fui em direção ao local onde a luz se alastrou e apagou e não vi nada. Procurei por entre os carros e nem sinal de nada nem ninguém. Quando me dirigia para o carro, ouvi um barulho, virei-me e vi um vulto negro a mexer-se. Era certamente uma pessoa, um homem. Comecei a andar rápido para o meu carro, fiquei com medo. Podia ser um assassino, um ladrão, um pedófilo... 
- Espera, por favor. Não quero fazer mal - uma voz fraca se pronunciou.
     Parei ali. Não consegui andar mais. Não sei porquê. O tal homem aproximava-se cada vez mais de mim, tinha cada vez mais arrepios e medo, não sabia o que fazer. Finalmente ele chegou perto o suficiente para conseguir ver o seu corpo com a apenas calças de ganga vestidas. No entanto, com aquela chuva toda, não tremia de frio. Aliás, parecia-me suado. De alguma maneira a chuva nem lhe fazia efeito, o seu cabelo estava seco. Completamente seco. 
- Por favor ajuda-me - pediu-me aflito. 
      Fui para perto dele, ele agarrou-se a mim como se fosse um suporte para se manter em pé.
      Era o homem mais bonito que alguma vez vira. Tinha um corpo e um rosto que pareciam ter sido esculpidos e emanava um calor abrasador. Os seus olhos eram castanhos avelã, o cabelo meio ruivo meio castanho e a sua pele dum tom dourado magnífico. O seu corpo perfeitamente em forma. Porém, ele estava completamente ferido. Sangrava dum braço e tinha feridas pela cara e pelo peito. O que será que lhe aconteceu? Pela forma como estava a sofrer, tinha de certeza uma ferida interna.
- Vou levar-te ao hospital - disse-lhe enquanto o colocava confortável no carro. 
      Nem me respondeu. Calculei que as dores falassem mais alto e que não teria energia para tudo. 
Quando lá chegámos fui logo atendido. Foi tudo normal até que o estranho aconteceu. Quando a enfermeira foi perguntar o nome dele, para registos médicos, ele disse que se chamava Sol. Mas quem é que tem um nome desses? Teria ele batido com a cabeça? Porém, a marca que tinha no peito era mesmo o símbolo da Estrela Sol.
- Chamo-me Sol e sou a estrela mais importante neste sistema. Eu e outra estrela, doutra galáxia declarámos guerra. Eu perdi. Caí na Terra em forma de humano para não matar este planeta e tu Luna, estás destinada a salvar-me. Estás destinada a ajudar-me a levantar-me. 
- Tenho a certeza agora que bateste com a cabeça. Enfermeira!
- Achas que a marca da Lua que tens atrás do pescoço é coincidência? És tu Luna, a forma humana da Lua. Tu sabes disso melhor que ninguém, eu tenho consciência disso. Chega de jogos - disse ele, num tom sério e dominante. 
      Sol tinha razão, eu sei o meu destino. Sei perfeitamente quem eu sou e do que estou destinada. Eu sou a forma humana da Lua. Eu, Luna Brown, tenho de ajudar Sol a voltar a brilhar no nosso sistema e ajudá-lo a derrotar esta estrela inimiga. Mesmo que custe a minha vida, é esse o meu dever.
      Eu fitei tais olhos ambarinos, pronta para abandonar a minha vida normal.
- Conta comigo.

bright petals.