Leva-me Contigo - XI


Não sei quanto tempo passou, pareceu-me ser infinita aquela operação mas quando o médico disse "Correu tudo bem, não era uma operação de grande alarme, acontece muito aos jovens. Ele já está a ir para o quarto, daqui a pouco podem ir visitá-lo" saltei de felicidade e fui abraçar a mãe dele. Ela sabia assim como o Martim que eu estava uma pilha de nervos, e até ela não estava tão preocupada quanto eu. Ela tinha a consciência de que era uma operação comum e estava calma.  
Fomos para o quarto dele, ele estava ainda meio parvinho por causa da anestesia. 

- Correu tudo bem? Fiquei sem um braço? - perguntou. 
- Martim! Nem com anestesia deixas de dizer parvoíces! - disse a mãe dele.
- Ahah au! Tenho que animar aqui o ambiente. 
- Dói-te muito o braço? - perguntei.
- Um pouco, mas já passa. Quando tenho alta? 
- Não sei filho - e entra o médico no quarto. - Ah Doutor, na hora H. 
- Então? Precisam de alguma coisa? - perguntou.
- Quando tenho alta? - perguntou o Martim.
- Pode ficar até amanhã de manhã, só para termos a certeza que a operação fez mesmo resultado e depois aplicarmos o gesso para manter o braço direito e de maneira a curar mais depressa. - explicou.
- Hum está bem.  
- Eu fico aqui com ele - disse.
- Nem pensar! Tem aulas amanhã Margarida. 
- O Martim é mais importante! - disse enquanto dava-lhe a mão. 
- Ela pode ficar até o final do dia ou hora de jantar, depois ir para casa. - sugeriu o Martim. 
- Quero ficar a noite toda e a manhã ok - retorqui. 
- Bem, Sra. Ferreira, vamos lá fora conversar? 
- Sim vamos doutor. 
- Aposto que lhe vai pedir o número - disse o Martim depois do médico e da mãe saírem.
- Ahah que tonto Tim. - sorriu-me e adormeceu um pouco. Observei-o, mexi no cabelo dele e sorri. Tenho tanta sorte de o ter só para mim, de ele estar bem... Dei-lhe um beijo e ele abriu os olhinhos verdes dele e sorriu-me.

A minha mãe ligou quando era quase hora do jantar. Eu ainda estava no hospital, e não ia sair dali até o Martim ter alta.

- Margarida, onde estás filha?
- Estou no hospital mãe...
- A fazer o quê?! Magoaste-te?!
- Mãe, eu mandei-te um sms a avisar. O Martim foi operado ao braço e estou aqui com ele.
- Vens já para casa! O teu pai vai-te buscar agora.
-  Mas mãe!
- Mas nada, amanhã tens aulas - desliguei a chamada.

Queria mesmo ficar com o Tim, pensava que a minha mãe ia compreender. Fui ter com ele ao quarto dizer-lhe que me ia embora.

- Não faz mal princesa, amanhã falamos.
- Mas eu queria ficar aqui...Sabe-se lá se não te acontece alguma coisa.
- Mar, é uma operação ao braço. Que mal me pode acontecer?
- Não sei, coisas de medicina.
- Ahah, sim claro.
- Opa! Eu preocupo-me está bem?
- Eu sei, e eu adoro isso, mas acredita em mim quando digo que estou bem. O pior já passou - sorriu.
- Pois, deves ter razão - recebi uma sms, era o meu pai, já tinha chegado. - Bem, vou indo amor, dorme bem - dei-lhe um beijo.
- Tu também pequenina, amo-te muito - disse-me sorrindo.
- Eu também príncipe - sorri.

Despedi-me da mãe dele que estava a ir para o quarto com a comida para o Martim. Fui para o carro e não disse nenhuma palavra ao meu pai no carro. Assim que cheguei em casa fechei-me no quarto e só fui comer depois de eles já terem ido dormir. Eles nem tentaram falar comigo, já sabiam como eu era. A minha mãe ouvi-me a fazer barulho na cozinha e foi ver-me.

- Se quiseres podes tocar bateria com as panelas - disse. Nem lhe respondi. - Sei que ficaste chateada de não teres ficado com o Martim, mas como tu disseste foi uma operação ao braço, ele não vai morrer se não estiveres lá.
- Eu sei, mas mesmo assim queria ter lá ficado.
- Se quiseres amanhã podes faltar às aulas - sorri imenso - mas só na parte da manhã!
- AAAAAAH MÃE OBRIGADA - dei-lhe um abraço do tamanho do mundo e fui dormir logo com um humor diferente.

Estava ansiosa para fazer a visita ao Martim de manhã. Ele ia ficar muito surpreso. Fui dormir com a camisola dele vestida e tive uns sonhos cor de rosa. 

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