Delírios de Amor - XXVIII


 Quando acordei, foi dominada pela fome. Levantei-me, e em vez de dirigir-me para a pequena cozinha do quarto não. Fui directa à casa de banho com uma vontade enorme de vomitar. Como o meu corpo mandou, lá deixei sair todo o tipo de resíduos , líquidos ou outra coisa qualquer, do meu corpo. No final, sentia-me cansada, sentia nojenta e só queria lavar a cara, a boca. Assim o fiz, e depois decidi ir comer, mesmo que me fizesse mal era o que queria fazer.
 Passei a manhã em casa, não me apeteceu sair. Depois do almoço me senti melhor e fui dar uma volta para ver a cidade e também para ver se encontrava uma farmácia.  No final de uma hora, finalmente encontrei a farmácia que vendia medicamentos a preços mesmo altos, mas pronto.  (...)

  Os dias foram passando, até que chegou o dia em que iria de novo para Portugal. Estava a fazer as malas, mas lembrei-me de deixar o bikini, toalha e protector de fora, pois estava um dia realmente lindo e sol brilhava imenso e ele dizia-me para dirigir-me até à praia. Lá cheguei e deitei-me no sítio do costume e "assei-me" ao sol. Durante a semana, fui indo à praia mas não notei a presença de Lourenço lá, e naquele dia esperava encontrá-lo nem que seja para me despedir. Afinal ele ajudou-me naquela noite. E apesar de ter ficado com o número dele não queria falar-lhe por móvel, mas sim, cara-a-cara. Não o avistei em lado nenhum, e perdi a esperança de o encontrar lá e para remover isto da minha cabeça fui dar um mergulho naquelas águas límpidas. O mar estava tão bom que não me apetecia sair dali, não queria mesmo. Mas num movimento não controlado por mim, um impulso, eu olhei para a frente, vi o Lourenço e fiquei a olhar para ele como um burro para um palácio. Fui empurrada pela onda até a areia e deixei de olhar para ele tão fixamente. Fingi que não tinha feito aquilo e continuei o meu caminho até a toalha e deitei-me na tentativa de que ele nem ligasse e continuasse a sua vida.
E mais uma vez, enganei-me redondamente. Para além de ter vindo falar comigo, tapou-me o sol.

Lourenço: A observar-me ? - Deu um sorriso de engatatão.
Iara: Eu ? Achas mesmo ? - Nem mentir consigo, fogo.
Lourenço: Completamente, se não não ficavas com aquela cara ali à bocado.
Iara: Eu não estava a olhar para ti, mas sim para os teus abdominais. Eles sim são lindos !
Lourenço: Vá, engana-me que eu gosto. - Riu-se e sentou-se ao meu lado e sentei-me também.
Iara: Vou-me embora hoje.
Lourenço: Já ?
Iara: Sim, e daqui a pouco vou buscar as coisas e meter-me a caminho da estrada.
Lourenço: Nem pensar ! - Olhei-o tipo "hãn?"
Iara: Então ? Tenho que ir, dinheiro não estica.
Lourenço: De que é que precisas ?
Iara: Para cá ficar ? - Ele acenou sim com a cabeça. - Para já, um quarto. Já disse que ia embora e que depois fazia check out. 
 Ele começou a ter um ar pensativo, até que finalmente disse o que estivera a pensar.
Lourenço: Isso resolve-se. Dormes comigo, ah quer dizer no meu quarto. Tenho um saco cama e tu dormes na minha cama e eu nele.
Iara: Para quê ? Só te vou incomodar.
Lourenço: Quase não passei tempo contigo, e mesmo que nos vemos em Portugal não é a mesma coisa.
Iara: Oh, pois.
Lourenço: Fica ! Não tens nada a perder, pensa bem.
 Ele tinha razão, ficava para me abstrair até voltar, ficava mais morena e ainda me divertia. O que tenho a perder ?
Iara: Bem, eu aceito. Pode ser divertido. - Sorri-lhe. - Mas, nada de abusos.
Lourenço: Achas ? Nunca, ahah.
 Ele foi buscar a toalha dele e deitou-se ao pé de mim, descobri que ele é canhoto, é do Sporting, sabe cantar e tem uma tatuagem no pé de uma rosa. Fiquei a conhecê-lo um pouco melhor e realmente, gostei imenso. Parecia mesmo bom rapaz.
Foi ficando de noite e eu e ele fomos buscar as minhas coisas para mudar-me para o quarto onde ele estava. Depois de deixar todas as minhas coisas lá, ele quis ir sair para divertirmos-nos na minha ultima noite lá.  Fomos para a praia, e vimos lá perto um bar. Entrámos lá e pedimos bebidas alcoólicas para nos soltarmos um pouco. Confesso que não bebo muito, e bastou-me 4 shots para estar totalmente passada da cabeça, ele bebeu 6 e ainda estava meio normal, e se não estava nem reparei. Depois, fomos dar um passei beira mar e estava tão animada que às vezes até saltava e olhava para trás e lá estava ele a olhar para mim a sorrir e a rir sem parar.
Iara: Que é que foi ? Vem também !
 Ele apressou o passo e chegou perto de mim e despiu o casaco e a t-shirt (estava com calções de banho.) e foi para o mar.
Iara: Mas és doido ?
Lourenço: Eu ? Alguma vez ? Ahaha .
  Lembrei-me que ainda tinha o bikini vestido, e despi-me e fui ter com ele. Soube tão bem, o mar nem estava frio o que estranhei. Estava calmo, morno e agradável.
 Começámos a brincar com a água. Eu atirava-lhe água e ele a mim, não parava de rir que nem uma parva. Brincamos durante mais um bocado e decidimos vestir-nos. Estava com frio e  ele emprestou-me o seu casaco. Estava cheia de energia e vontade de a gastar não me faltava. Só não sabia o que fazer com ela, não sabia como aproveitá-la. E por isso deitei-me de repente na areia, com um acto de impulso deixei-me cair e acabei deitada na areia. Comecei a observar as estrelas.
Lourenço: Que estás a fazer ?
Iara: Olhar para o céu.
 Ele deitou-se a meu lado.
Iara: Sabes, preferia ser uma estrela. Mas uma que ficasse para sempre no céu e que pudesse iluminar para sempre o caminho de alguém. Como tu. - E olhei para ele.
 Ele olhou para mim e ficámos assim minutos, que pareciam horas. Comecei a ter aquele pensamento esquisito, de desejo. A delirar como faço sempre que começo a gostar de um rapaz. Mas não queria envolver-me com ele pensando no Fábio ou no Pedro. Isso não. Fechei os olhos a tentar esquecer todo este sentimento, mesmo sabendo que ele me observava. Tarde de mais. Senti os seus lábios nos meus, um sentimento diferente, um beijo diferente, calmo , intenso e bom. E não fui capaz de o afastar. Não consegui.
Dei por mim a olhar para ele, e ele para mim. O seu sorriso não enganava, e sorri também. Foi um momento bom, mas não passava disso. Não podia passar. Olhei de novo para as estrelas e quando pensei que ficara tudo bem e que o meu olhar dissera tudo o que tinha na cabeça, ele faz o contrário, exactamente o contrário.

continua. 

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