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O Diário de Jay #11 (último)

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Para Jay, Anita quase nem fazia parte do seu pensamento. Lara tinha ocupado o lugar de Annie no seu coração e na sua mente. Ela era tudo o que ele sempre desejou, tudo o que lhe fazia bem e agora...E agora ele já não a tinha mais. A parte negativa ele sempre tentava esquecer, mas era difícil não ter o sorriso dela a melhorar o seu dia. Às vezes pensava que podia ter guardado melhor as memórias e os momentos que passaram juntos, por filmes e fotografias. Porque essas não se apagam ou morrem, essas ficam guardadas. E as memórias, por muito boas que sejam, eventualmente se trancam numa gaveta na nossa mente e não abrem mais. E Jay detestava essa ideia. Detestava como algo tão bom possa ser esquecido, mesmo não querendo que isso aconteça. Enquanto podia, fazia questão de relembrar tudo de bom que passaram antes de dormir. De vez em quando até a desenhava e guardava as poucas fotos deles os dois como se fossem a coisa mais valiosa de todo o mundo. Eram realmente a coisa mais val...

O Diário de Jay #10

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Jay tentava dormir tranquilamente mas os pesadelos eram cada vez mais perturbadores e causavam imensas dores de cabeça. uma dor forte e aguda que nem inúmeros comprimidos pudessem curar. ele de certa forma sabia que isto não era normal, mas ainda assim marcava consultas em diferentes lugares, pois os médicos diziam-lhe que ele não tinha absolutamente nada. nada. Jay ficava sempre boquiaberto com isto. como é possível ele não ter nada, se de noite grita de dores e possíveis alucinações? Jay não se droga, quanto mais beber álcool. «Sou saudável, não tenho motivos para ter estas tais dores e alucinações, mas a verdade é que tenho» era o que dizia a todos os médicos depois de lhe entregarem o resultado de análises e testes. Jay, não compreendia, nem queria compreender. não tinha tempo, não tinha razões para. esquecer a Lara, concentrar-se nos estudos eram agora a sua única prioridade. mas ainda assim, no fundo do seu ser, sem mesmo dar-se conta disso, Jay sabia que isto não era algo norma...

O Diário de Jay #9

31 de Dezembro de 2004  Ainda não consegui sair da cama. Estou a escrever isto nela, aliás. Da última vez que escrevi aqui parecia que ia cometer suicídio. Passou-me pela cabeça, não digo que não, mas...Não sei. Porque haveria de fazer isso? Viver sem elas vai ser difícil. Mas eu acho que sou capaz de aguentar. Aguentei anos sem a Annie e a Lara antes de as conhecer. O que me impede de fazer isso de novo? No entanto, parece que se fizer isso, seguir em frente assim tão rápido, parece que as esqueci e que nem valem a pena ser relembradas. Mas não é nada disso...Arh, não consigo explicar-me. Eu amo-as. Eu amo a Lara. Eu sei que amo. Agora sei...Mas eu dei-lhe valor enquanto ela viveu, enquanto eu e ela partilhámos o mais bonito sentimento do mundo, eu dei-lhe valor. Dei valor às duas. No entanto a Annie não soube aproveitá-lo tanto assim...Bem, isso não interessa. Só desejava ter a Lara por mais um pouco, sentir o seu beijo, o seu olhar no meu, e os seus dedos entrelaçados a...

O Diário de Jay #8

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30 de Dezembro de 2004  Nem sei o quê e como escrever. O meu mundo deu uma volta de 180 graus e eu nem sei como voltar ao normal, se for possível. A Lara morreu e eu não consigo engolir as lágrimas.  Até o papel já está manchado por algumas delas. Os meus olhos parecem torneiras, não consigo fechá-las.   Estou a escrever tão torto, aos zigue-zagues; Como foi isto acontecer-lhe? Num dia estávamos perfeitos e no outro ela morre.  Afogada. Foi assim que ela morreu.  Eu não iria acreditar se não visse com os meus próprios olhos o corpo dela ensopado pela água salgada do mar. Só me apetece morrer também. Sem a Annie, sem a Lara, como irei seguir o caminho para a frente sem nenhuma delas? Sem nenhuma das minhas esperanças? É suposto isto fazer-me mais forte? Se é, acho que não está a resultar. Só me está  a fazer ainda mais fraco. Eu lidei com a ida da Annie e por isso encontrei a Lara. Agora tiraram-ma. Como é suposto viver bem depois de todo o mal...

O Diário de Jay #7

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28 de Dezembro de 2004   Enquanto admirava a Lara a ser simplesmente ela, durante o nosso jantar, pensei na Anita e na sua diferença. Na sua maneira de ser, que também não era muito distinta há de Lara, mas ainda assim, as duas conseguiam ser bem diferentes. No entanto, olhava para a Lara e via Anita a rir. Será normal? Será algo que não devia acontecer? Já nem sei o que pensar em relação a mulheres. A Lara compreende-me, mas será que essa compreensão vai durar como não aconteceu com a Anita? Era como se a Anita fosse a minha única, mas a Lara era a que me iria amar como a Anita não o fez. Não sei, se calhar eu estou só a levar isto tudo como se o destino me tivesse as colocado no meu caminho por algum motivo. Estou a levar isto demasiado a peito. Se calhar...bem..eu lá no fundo ainda a amo como não irei amar ninguém. Tenho saudades dela. Saudades essas que ninguém vai conseguir fazer-me esquecer, nem mesmo a Lara. 

O Diário de Jay #6

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27 de Dezembro de 2004   A Lara apareceu cá ontem. Fizemos o jantar juntos, sujámos a cozinha toda como era de esperar, mas a comida até saiu bem boa. Cozinhámos uma especialidade dela, esparguete à bolonhesa. Era delicioso. Fomos depois aninhar-mos no sofá, vimos um filme e namorámos um bocadinho. Nem sei se namorar era o termo certo. Não sabia se  éramos  namorados sequer, não que precise de colocar nomes em tudo, mas é sempre bom ter a certeza duma coisa tão importante para nós. Ela adormeceu no meu colo. Dormia  pacificamente, e parecia cansada. Fui deitá-la na cama e fui preparar um chocolate quente. Continuei a ver televisão e a Lara levantou-se. Admirei-me porque nem fiz quase barulho nenhum. «Tinhas tanto sono, porque levantas-te?» perguntei-lhe. «Vim aqui para estar contigo, não para dormir» disse-me com um sorriso. Estiquei o braço de maneira a ela agarrar a minha mão e puxá-la para o sofá. Depois dei-lhe um beijo e ela colocou a sua mão no meu cabelo e...

O Diário de Jay #5

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26 de Dezembro de 2004   Nem me apercebi que era Natal. Apesar de todas as decorações na rua, nem quis saber. Temos idade suficiente para passar o Natal longe dos nossos pais e família. Pelo menos, já há 2 anos que o nosso grupo não o celebra em família. Parece que a Lara também assim o faz. Enfim, nem quero falar disso. Águas passadas. Passei a noite passada a fazer nada. Não tinha nada para fazer. As aulas recomeçam daqui a nada e não me apetece voltar a ouvir os professores e voltar à universidade. É só o meu primeiro ano e já me fartei de tudo aquilo. Mas tenho de me aplicar. Posso não falar com os meus pais, mas eles pagam-me os estudos. Não vou gastar assim o dinheiro deles. Acordei à bocado, não tinha nada para fazer, vim escrever. Estou a pensar em mudar de casa. Não agora, porque vivo perto da universidade, mas depois que acabar o curso, e arranjar um emprego decente. Quero uma casa grande, com um jardim imenso e piscina. Porque quando casar quero ver o jardim rodeado ...

O Diário de Jay #4

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25 de Dezembro de 2004  Passei a manhã com a Lara e depois ela foi para a casa dela. Fui à praia na esperança de encontrar a Anita, ela ainda era a minha melhor amiga apesar de tudo, e queria contar-lhe da Lara. Ela poderia ter respostas para mim. Cheguei lá e chamei-a. Chamei-a umas mil e uma vezes e ela não aparecia. «Será que ela não estava mais por perto?» perguntei-me. Saí dali sem respostas. Começou a correr um vento enorme, frio e interminável. Apressei-me para ir para o carro e fiquei lá dentro a observar o mar. Quantos segredos vão por aquelas ondas. Nem eu sei metade deles. Liguei o carro e fui para casa. Bebi chocolate quente e fui-me deitar na cama. Adormeci e devia ser um sonho, mas vi a Anita. Ao meu lado, a sorrir para mim. Eu conseguia senti-la, parecia tudo tão real. Quando nos tocámos, eu senti. A minha mão sentiu-a.   «És mesmo tu?» perguntei. «Sou eu Jay, voltei» disse-me a sorrir, «Mas como?», «Não sei, acordei na praia com as minhas pernas e vi...

O Diário de Jay #3

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24 de Dezembro de 2004  Estou a escrever isto enquanto admiro o rosto da Lara iluminado pelo raio de sol vindo da minha janela. Ela estava lá quando cheguei ao bar com os rapazes e sorriu-me quando os nossos olhares se cruzaram. Sentei-me ao lado dela e conversámos sobre o que gostávamos, o que não gostávamos, o que fazíamos pela vida, se estudávamos ou não, que música ouvíamos, que lugares costumamos frequentar e que deixámos de o fazer, que comida mais nos dava água na boca e as ambições do futuro. Os temas eram infinitos, os sorrisos eram imensos, o brilho nos nossos olhares eram algo para recordar. Depois toda a gente decidiu ir-se embora cedo e nós ficámos ali, a resmungar por querermos divertirmos-nos. Logo nos lembrámos de ir-mos nos divertir, fomos dar voltas pela cidade. Como fomos ao bar, não tivemos oportunidade de ir à feira em grupo, portanto aproveitámos e fomos nós os dois. Andámos na montanha russa, comprámos um algodão doce do tamanho da Lua, fomos ao  car...

O Diário de Jay #2

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23 de Dezembro de 2004  O dia agora começou... Bem, ainda é uma da manhã, mas é um novo dia. Não a encontrei, não quis ligar ao Ben a perguntar onde a Sophie morava. Isso não traria nenhum desafio não é? A Anita ocupou também parte do meu pensamento durante a noite, enquanto pensava onde poderia a Lara morar. Mas ela abandonou-me no final das contas, ela deixou-me desamparado, sem o que mais me importava no mundo: ela. Ela quer que eu siga em frente, e custa-me imenso ter que abandonar algo que sempre quis, mas o que posso fazer? Ela não vai voltar para mim, ela não quer. Portanto não vou persistir numa coisa que sei que não vai resultar. Um novo futuro espera-me, e a Lara está nele, disso eu tenho a certeza.  Bem, acho que vou dormir.  Já é hora de almoço, olhei para o telemóvel na esperança de ter uma mensagem da Lara mas logo apercebi-me de que ela não tem o meu número. É, que génio. Pelo menos já não pareço um monstro com olheiras. Vou sair daqui a bocado, vo...

O Diário de Jay #1

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21 de Dezembro de 2004 Faz uma semana que estive com a Anita, entrei no quarto e não saí desde então. Não existia razão para sair portanto deixei-me ficar quieto, a pensar. A pensar em tudo, em nós os dois e por estranho que pareça pensei na nova rapariga, a Lara. A Annie disse-me que ela era para ser a minha tal e única. Isso não me saí da cabeça por mais que tente. Persegue-me até nos sonhos...Ou pesadelos. Também já me apercebi de que pensar nisso não vai ajudar-me a perceber o que ela quis dizer. Pensar nisso não me vai ajudar a ver o futuro, ou regressar no passado e tanto me faz. Se é essa Lara a minha única, se é a Anita ou se é uma Fernanda ou uma Maria,  não quero saber quem será. Desde que não me abandone, não me fira, não me mal trate, mas acima de tudo, que me ame. Acho melhor parar de escrever e ir arranjar-me, o Ben vem buscar-me para jantar com o pessoal. Acho que vou escrever mais vezes, sinto falta disso. Faz-me lembrar dela. 22 de Dezembro de 2004  ...
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No seu íntimo, Lara deixava crescer o bichinho da curiosidade por ele, mesmo sem dar conta.  Jay amava Anita, por agora.  Anita amava Jay e ele será o único rapaz que ela amará de verdade para sempre e ela estava preparada para vê-lo a ser feliz com outro alguém, porque esse alguém era melhor para ele e completava-o melhor que ela alguma vez poderá completar. Annie já deveria tê-lo abandonado à tanto tempo, nunca devia ter voltado a vê-lo como fez. Abdicou dele por uma barbatana, por uma vida para lá do horizonte e agora fica voltando atrás, com saudade do que sempre foi dela. Logo no primeiro dia em que a sua transformação ocorreu, ela viu o futuro, viu o Jay. Viu-o feliz, com outra rapariga, se era Lara ou não ela não sabia, mas quando alguém começasse a tomar o lugar dela no pequeno coração de Jay, Anita saberia e saberá sempre. É o preço a pagar por toda a nova vida. Ela achava que era justo, mas no fundo queria ter a opção de voltar mesmo que nunca o fizesse, go...
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«Não não sou Jay...»  «Porque dizes isso Anita?» disse revoltado, surpreendido e um pouco magoado. «É ela...A outra é que está destinada a ser a tua única»  «Não digas disparates Annie, eu gosto é de ti, não dela» - Anita estava a olhar para baixo - «Hey, olha para mim, - olhou - , não digas essas coisas esta bem?»  «Mas Jay, eu tenho a certeza»  «Annie... explica-me isso»  «Eu devia ir andando Jay...as pessoas podem ver-me»  «Não está aqui ninguém - ri-se -, não tenhas medo»   Ficaram aninhados um no outro durante o máximo de tempo que puderam, Anita e Jay ainda eram os melhores amigos mesmo tendo um sentimento mais forte do que amizade, um pelo o outro. Jay ficou a pensar no que Anita disse:  A outra é que está destinada a ser a tua única , estas palavras flutuavam na cabeça de Jay e pareciam não desaparecer.  «Não penses mais nisso, Jay»  «Annie, existe alguma hipótese de voltares ao normal?» perguntou, mu...
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Quando chegou a casa não foi logo dormir, ficou a olhar para a janela tentando encontrar algo nas estrelas. Nelas viu o rosto de Anita a sorrir para si, e sorriu-lhe de volta. Sentia tantas saudades dela, amava-la tanto ainda, e queria abraçá-la mais que tudo no mundo. Agarrou nas chaves do carro, eram quatro da manhã e as luzes dos vizinhos estavam todas apagadas, assim como nas restantes casas à volta. Entrou no carro na esperança que Anita ouvisse o seu chamar e viesse vê-lo. Ele sabia que era praticamente impossível, mas a palavra impossível já era subestimada. Colocou a música deles a tocar, Shakira - La Tortura ft Alejandro Sanz. Foi com esta música que se conheceram. Estavam numa festa com amigos comuns, Jay tinha acabado com a sua namorada na altura e não lhe apetecia fazer nada e foi então que Anita apareceu, para agitar o seu mundo. Ela puxou-o para dançar a música, conheceram-se e nunca mais se largaram, até agora. Lara passou pela sua cabeça no meio disto tudo, mas...
«Que andas-te a fazer para ter um sorriso na cara?» perguntou Sophie, «Hum? Nada...(sorri de novo)» respondeu Lara. «Claro, depois contas-me», Lara sorriu-lhe como resposta, e perguntou-se o motivo daquele sorriso. Mais rápido do que ela pensava, ele desapareceu. «Que estás aqui a fazer Henry?», perguntou admirada e chocada e numa mistura de outros sentimentos. A sorte dela, pelo que era pensava, é que ainda estava com o grupo. «Vim falar contigo, não achas que tenho que pedir-te desculpas? Ainda és a minha namorada». "...a minha namorada" , soou tudo tão mal, tudo tão confuso na cabeça de Lara. Estava sem palavras, não conseguia falar. «Lara, perdoa-me», pedindo, Henry ajoelhou-se abrindo uma caixinha com um anel. «Henry...o que...o que pensas que estás a fazer?», «(sorriu)Não te estou a pedir-te em casamento, mas acho que merecias algo, mesmo que não mude nada, simboliza-nos não achas?». Lara estava confusa, não sabia o que dizer, era tanta coisa para processar duma vez só...
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Jay lembrava-se constantemente de Anita. E se ele estivesse a traí-la? Ele não queria que ela conhecesse alguém como ela, ou uma pessoa normal. Não queria ser  substituído. Ele não queria substituí-la. Mas ele não podia negar a atração que sentia por Lara, mesmo que tenham falado mínimas coisas como o tempo ou se vivem perto daqui. Ben, observador nato reparou neles, «Então? Porque estás aí especado e não vais falar com ela?» disse em tom divertido mas sério. «Oh, não sei...Ainda disseste que ela tinha namorado» respondeu Jay, admirado por indirectamente admitir o interesse nela. «A Sophie disse que eles acabaram» e logo acrescentou «Aproveita que ela está de coração mole» e riu-se. Jay riu-se mas não lhe deu ouvidos. Ele sabia que era errado aproveitar-se assim de alguém, mas ele tinha que falar com ela. Sabe-se lá se no fundo ela não é uma pessoa meio chata e aborrecida e perde o interesse? Afinal, aparências iludem.   Estava quase na hora de se irem embor...
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Lara acordou no sofá com um cobertor que não se lembrava de ter ido buscar e apercebeu-se de que Sophie o teria posto lá. Decidiu esmerar-se no pequeno-almoço e preparou umas panquecas, limonada e iogurte com morangos, framboesa e mirtilos. Ela nem sabia de onde tinham vindo todas estas frutas, simplesmente apareceram no frigorífico. Sophie de sono leve, levantou e foi à cozinha reclamar o barulho mínimo que Lara fazia. Quando começou a reclamar a soltar as sua fúria reparou na mesa com todas aquelas coisas deliciosas que Lara tinha preparado para elas. «Lara... foste tu que fizeste? Que bom aspecto ok», Lara riu-se pela sua cara babada e sentaram-se a comer aquilo, que era tão bonito quanto sabia. Lara enquanto esboçava um sorriso por ter feito algo delicioso e comestível, logo lembrou-se de Henry e o sorriso desapareceu. Sophie apercebeu-se disso e foi direta ao assunto. «Que se passa Lara? Nunca ficas a dormir no sofá e quando ficas é porque o Castle dá mais tarde e on...
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Olhou à sua volta e viu as árvores todas despidas. Andou um pouco até chegar ao habitual banco onde todos se encontravam e ninguém lá estava. Pensou em sentar-se, mas o banco estava coberto de neve. Pensou em ligar-lhes, mas tinha as mãos muito geladas. Pensou em gritar pelo nome deles, e enquanto tinha esse pensamento algo o abalou. Sentiu umas mãos fortes, mas familiares nos seus ombros e risinhos. Virou-se com um sorriso na cara por saber que Ben não mudara durante estes meses e que a sua malta estava igual. Cumprimentaram-se, conversaram sobre o tempo separados até que algumas apresentações foram feitas. «Jay esta é a Sophie, a minha namorada» disse Ben, com um sorriso. «Dou-te os parabéns por aguentares este urso todos os dias Sophie!» disse Jay, feliz por saber que o seu amigo tinha encontrado alguém. Brincaram, comeram muito, riram ainda mais e divertiram-se. Já Lara não podia dizer a mesma coisa. Sentia-se horrível. Com ela. Com Henry, com tudo. Ela sabia que tinha de acab...
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Lara vivia no mundo da fantasia, muito louca  e divertida. Assim a descreviam quando perguntavam o que achavam dela. Completamente o oposto de Jay. Mas eles não sabiam da existência um do outro. Andavam ocupados a olhar para pessoas que os prendiam e não deixavam ver a luz e ser feliz como mereciam. Jay foi recuperar os seus irmãos, companheiros e amigos. Lara estava "apaixonada" por Henry, assim ela o dizia. Todos os achavam os mais queridos e lindos, mas no fundo ela sabia que algo não estava certo entre os dois. E foi aí que Henry decidiu mostrar-se. Lara levou com a sua raiva e quando reparou um risco fino de sangue saía do seu nariz. Ela chorava, paralisada, com medo dele, e quando pensava que ele podia ser pior ele acariciou o seu rosto, passou com o dedo pelo traço vermelho e pediu-lhe desculpas a chorar. «Desculpa Lara, não sei o que me deu, desculpa-me...Sou um monstro, olha o que te fiz» disse Henry, em lágrimas e nelas Lara parecia ver o arrependimento. Afasto...
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O cheiro da chuva era adorado por Jay. Ele simplesmente gostava. O casaco preto que tinha vestido estava a pesar nos seus ombros. A areia à sua volta agarrava à sua roupa, as gotas que caíam uniam-se às suas lágrimas e as nuvens, essas escondiam o sol que a levaram. O mar parecia chamá-lo. As ondas esforçavam-se para ir até ele. Levantou-se e a sensação foi como se estivesse bêbado. O equilíbrio faltava-lhe, a visão não era clara e a mente não estava nos seus melhores dias. Com a pouca força que lhe restava despiu o casaco preto, comprido e espesso, e deixou-o caído no chão. Caminhou até ao mar, nadou até não ter pé, e deixou-se cair. Fechou os olhos enquanto a água o envolvia, mas logo os abriu. Queria ver o mundo dela, de Anita. Apercebeu-se que o ar faltava-lhe. «Que idiota, achas mesmo que irias respirar aqui em baixo génio?» pensou ele, mais ou menos. O seu corpo só reagia meio em pânico, e a certo momento achou que a melhor opção era mesmo adormecer. Lá em baixo ele...