Lara vivia no mundo da fantasia, muito louca e divertida. Assim a descreviam quando perguntavam o que achavam dela. Completamente o oposto de Jay. Mas eles não sabiam da existência um do outro. Andavam ocupados a olhar para pessoas que os prendiam e não deixavam ver a luz e ser feliz como mereciam. Jay foi recuperar os seus irmãos, companheiros e amigos. Lara estava "apaixonada" por Henry, assim ela o dizia. Todos os achavam os mais queridos e lindos, mas no fundo ela sabia que algo não estava certo entre os dois. E foi aí que Henry decidiu mostrar-se. Lara levou com a sua raiva e quando reparou um risco fino de sangue saía do seu nariz. Ela chorava, paralisada, com medo dele, e quando pensava que ele podia ser pior ele acariciou o seu rosto, passou com o dedo pelo traço vermelho e pediu-lhe desculpas a chorar. «Desculpa Lara, não sei o que me deu, desculpa-me...Sou um monstro, olha o que te fiz» disse Henry, em lágrimas e nelas Lara parecia ver o arrependimento. Afastou-o e disse que precisava de um tempo. Lara era meio maluquinha, mas não lhe faltava juízo. Saiu da casa dele, e foi para a sua onde a partilha com Sophie, a sua melhor amiga. Ela sabia que a esta hora Sophie estaria com Ben, seu namorado, portanto a casa estaria vazia para uma boa sessão de choro. Jay esboçava um sorriso de felicidade, não falso, mas verdadeiro. Sentia-se vivo de novo, sentia que tinha algo por que lutar. Para ele só vale a pena viver se tivermos algo que valha a pena lutar, se não, qual é o objectivo? Vestiu, da pouca roupa lavada que tinha, uma camisola normal preta e um casaco tipo Baseball verde, com as calças cinzentas e uns sapatos que encontrou no fundo do armário. Ligou ao Ben, e ele disse para ir ter com ele e o pessoal ao parque. Já não ia lá a algum tempo, ia fazer-lhe bem.
Underneath #50 Parte II
Luna e Sol teletransportaram-se para o sotão onde guardavam algumas das coisas que as gémeas usaram em crianças. Não estavam ali apenas para recolher os materiais, mas sim para enfrentar assuntos do passado. - Sol, eu sei o que estás a pensar... O que eu disse... Bem... O seu marido estava a alguns passos mais adiante de costas viradas para ela. De certo modo, ela não percebia o comportamento dele mas por outro lado compreendia totalmente. Depois das gémeas terem nascido, os dois concordaram em não terem mais filhos, mas Sol sempre trouxe o assunto à conversa. Luna sempre pensou que era uma espécie de piada ou que não devia levar a sério... Até agora. Tantos anos a ignorar as suas deixas para aceitar os bebés que nada lhe eram. - Luna, não estou zangado - abanou a cabeça e colocou o braço de modo a Luna poder agarrar-lhe a mão. - Mas... - Eu sei. Desculpa - ela apertou com ambas as mãos a mão de Sol. - Mas vê isto como u...

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