ela estava no fundo, no fundo do mar. onde o azul escuro predomina e criaturas cintilantes ganham vida. ela sabia que ali seria o seu lar, não as profundezas, mas sim o imenso mar. ela ganhara o que mais desejara, uma nova vida. e de onde a pequena Sereia queria sair, ela queria entrar. viver sobre a corrente, ser livre de tudo e todos à volta e ser outra pessoa. na cabeça dela, era uma decepção para todos, um fardo. «sou inútil» pensava ela. e lá de longe, um alguém a observava, desde sempre. esse alguém soube do acontecimento e foi como se lhe espetassem uma faca no coração. quer dizer, o seu amor perdera-se numa mancha azul e agora o que seria de si? «não posso fazer nada, perdi-a» pensava Jay enquanto no seu rosto uma chuva caía dos seus olhos. ela sentia-se acarinhada pelo mar, pelos seus seres, pelos seus segredos e ela sabia que ainda era só o começo, havia ainda tanto por descobrir. e ela tinha o tempo todo do mundo. Jay, fora à praia, sentou-se na areia olhando para o mar e pensando se Anita estaria feliz lá. ele trouxera uma fotografia dela de quando tinha o cabelo aos caracóis. atirou-a para o mar na esperança de ela a encontrar. dessa maneira saberia que ele estaria à sua espera na praia. ela sempre soube dele, mas de um momento para o outro todas as pessoas de quem gostava viraram fantasmas, na sua mente só via fumo, as pessoas desapareceram. deixaram de se preocupar e viraram-lhes as costas. dessa maneira ela saltou dum penhasco, caiu na água, e como se o mar a percebesse, a transformaram. ela não sabe como, quando acordou junto das algas, se apercebeu. enquanto Jay chorava com aquilo, Anita sorria como não fazia à meses, talvez anos. e enquanto nadara junto à superfície encontrara a sua fotografia quase sem cor. ficou o que pareceu anos a olhar para a fotografia e a lembrar-se do quão era bonita em criança. Jay apareceu na sua cabeça e ela soube. ela o encontrou e ele sorriu outra vez.
Underneath #5
O relógio acabara de marcar as seis e todo o pessoal de Crystal Riders parecia já estar despachado para ir a caminho de casa. Melody viu-se encurralada entre a espada e a parede e tentava o mais possível fazer tempo. Ela encarregou-se de tratar de Ace e fez questão de demorar o processo. Benjamin de vez em quando apercebia-se que ela estava stressada e até lhe perguntou se havia algum problema. Além disso, ele insistiu bastante em ser ele a tratar do cavalo. Melody, desajeitadamente, recusou sempre. No entanto, quando pensava que a situação não podia ser pior, ela foi presenciada pela pessoa que menos queria ver em qualquer momento e em qualquer circunstância. - O que estás a aqui a fazer? Melody levantou o olhar do chão para os seus olhos frios. - Podia perguntar-te o mesmo. - É Melody, certo? - ela assentiu, irritada. - Ouve lá, Melody - ele apontou-lhe o dedo - eu espero que não me estejas a seguir. - O quê!?...

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