ela estava no fundo, no fundo do mar. onde o azul escuro predomina e criaturas cintilantes ganham vida. ela sabia que ali seria o seu lar, não as profundezas, mas sim o imenso mar. ela ganhara o que mais desejara, uma nova vida. e de onde a pequena Sereia queria sair, ela queria entrar. viver sobre a corrente, ser livre de tudo e todos à volta e ser outra pessoa. na cabeça dela, era uma decepção para todos, um fardo. «sou inútil» pensava ela. e lá de longe, um alguém a observava, desde sempre. esse alguém soube do acontecimento e foi como se lhe espetassem uma faca no coração. quer dizer, o seu amor perdera-se numa mancha azul e agora o que seria de si? «não posso fazer nada, perdi-a» pensava Jay enquanto no seu rosto uma chuva caía dos seus olhos. ela sentia-se acarinhada pelo mar, pelos seus seres, pelos seus segredos e ela sabia que ainda era só o começo, havia ainda tanto por descobrir. e ela tinha o tempo todo do mundo. Jay, fora à praia, sentou-se na areia olhando para o mar e pensando se Anita estaria feliz lá. ele trouxera uma fotografia dela de quando tinha o cabelo aos caracóis. atirou-a para o mar na esperança de ela a encontrar. dessa maneira saberia que ele estaria à sua espera na praia. ela sempre soube dele, mas de um momento para o outro todas as pessoas de quem gostava viraram fantasmas, na sua mente só via fumo, as pessoas desapareceram. deixaram de se preocupar e viraram-lhes as costas. dessa maneira ela saltou dum penhasco, caiu na água, e como se o mar a percebesse, a transformaram. ela não sabe como, quando acordou junto das algas, se apercebeu. enquanto Jay chorava com aquilo, Anita sorria como não fazia à meses, talvez anos. e enquanto nadara junto à superfície encontrara a sua fotografia quase sem cor. ficou o que pareceu anos a olhar para a fotografia e a lembrar-se do quão era bonita em criança. Jay apareceu na sua cabeça e ela soube. ela o encontrou e ele sorriu outra vez.
Underneath #50 Parte II
Luna e Sol teletransportaram-se para o sotão onde guardavam algumas das coisas que as gémeas usaram em crianças. Não estavam ali apenas para recolher os materiais, mas sim para enfrentar assuntos do passado. - Sol, eu sei o que estás a pensar... O que eu disse... Bem... O seu marido estava a alguns passos mais adiante de costas viradas para ela. De certo modo, ela não percebia o comportamento dele mas por outro lado compreendia totalmente. Depois das gémeas terem nascido, os dois concordaram em não terem mais filhos, mas Sol sempre trouxe o assunto à conversa. Luna sempre pensou que era uma espécie de piada ou que não devia levar a sério... Até agora. Tantos anos a ignorar as suas deixas para aceitar os bebés que nada lhe eram. - Luna, não estou zangado - abanou a cabeça e colocou o braço de modo a Luna poder agarrar-lhe a mão. - Mas... - Eu sei. Desculpa - ela apertou com ambas as mãos a mão de Sol. - Mas vê isto como u...

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