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Underneath #48

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Troy acordou sobressaltado, de olhos esbugalhados e com muita falta de ar. O corpo rapidamente ficou sentado na cama com as costas arqueadas e a sentir uma dor terrível na cabeça, como se agulhas enormes e grossas estivessem a trespassá-la. Vozes grossas e finas, familiares e indistinguíveis, e o pior de tudo, estridentes, explodiam na sua mente. Nada de comparava àquela dor. Sentia que tinha estado apagado durante dias mas a agonia esteve sempre presente não o deixando descansar. Com as mãos a tapar os ouvidos, Troy curvou-se ainda mais tentando oprimir as vozes insuportáveis. Queria sair dali a todo o custo. Tirou o lençol debaixo das pernas com uma das mãos, voltando a colocá-la rapidamente no ouvido. A porta parecia estar tão longe. O corpo estava pesado, as suas pernas tremiam de fraqueza. Troy começara a suar, de calor, com dores. Cambaleou até à porta, abrindo-a, dirigindo-se para a frente. A visão turva nem lhe permitia destacar a ponte pouco firme. Só viu luz e isso era…

Underneath #47

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Ele pensou que com o impacto, o seu corpo desligaria. Mas não foi bem assim.      Os três Planetas racharam e ao mero toque, houve uma tremenda explosão que os separou por completo de novo e empurrou-os para longe.

Troy tinha as vozes de Qaya, Silver e Noir a ecoarem na sua mente a implorarem-lhe que não continuasse com aquilo. Em adição, ele conseguia ouvir os gritos das pessoas em Qaya e a vida deles a desaparecer bem como as dos próprios Planetas e os seus respectivos satélites. Saeva tinha-o encurralado num círculo de névoa negra e quando voou até ele, o espírito voltou a corroer o seu corpo.       Troy não conseguia lutar tudo ao mesmo tempo. As vozes eram demasiado altas, o fogo demasiado quente e a Escuridão começava a tornar-se imparável. O brilho que saía da sua marca não parecia ser o suficiente. Os seus braços não conseguiam aguentar o peso da sua galáxia e Saeva fazia os possíveis para acabar a ligação entre a Estrela e os seus Planetas. O destino dos Alexander paira…

Underneath #46

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Troy despertou em choque, ofegante e confuso. Os seus olhos abriram-se em pânico e os ouvidos foram preenchidos com gritos, sons de ataques e riso - o riso de Saeva. A visão clareou, e Troy conseguia ver o que o seu corpo fazia e em que cenário estava inserido.       Uma luz branca surgiu das suas mãos que quase o cegou e em seguida conseguiu ver Sol numa t-shirt e calças pretas. O seu símbolo brilhava pela t-shirt num tom dourado. Nos seus antebraços tinha mangas de couro e na mão direita empunhava um punhal ornamentado que brilhava no mesmo tom que o seu manejador. Luna estava mesmo ao lado dele, de cabelo entrançado. O colar prateado com uma meia-lua e um sol unificados balançava no seu pescoço. O olhar azul mostrava uma frieza que ele nunca tinha visto ou esperava ver. Terra, Mercúrio e Úrano estavam quase ao lado do casal mas um pouco mais atrás. Melody estava entre Terra e Mercúrio e Violet entre Mercúrio e Úrano. Todo o grupo tinha uma expressão carregada e apenas Saeva se…

Underneath #45

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Com as mãos em concha, Troy começou a soprar e o seu hálito arrefeceu criando formas dançantes em torno das suas mãos. Essas formas flutuaram até aos cantos mais escuros da sua mente e tornaram-se numa luz que lhe mostrou um caminho. Troy, ao mesmo tempo que sentia a Escuridão a caminhar pela sua pele, sentia a Luz a tentar libertar-se. Ele não pensava que fosse resultar mas ainda bem que resultou e ao andar pelo caminho iluminado por uma fraca luz branca, Troy viu-se rodeado pelas suas memórias e percebeu que o Saeva nunca lhe poderia tirar o que já era seu. As suas memórias e os seus sentimentos eram isso mesmo, seus, e enquanto ele as tivesse, estaria tudo bem. O som do batimento do seu coração ecoava cada vez com mais força e ele sentia o seu próprio corpo a puxá-lo de volta para o controlo. As imagens dançantes no fundo negro forneciam-lhe energia que até naquele momento não sabia que precisava e por instantes, Saeva era absolutamente nada. A Estrela Vital estava a colher o…

Underneath #44

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- Sabias que a maioria dos Planetas não utiliza o seu poder principal? - Como assim?      Jade arrancou uma planta pelas raízes do canteiro. A trança negra caiu das suas costas suadas, pairando ao lado do seu rosto.  - O meu poder principal é a Cura. Eu utilizo-o frequentemente mas é, de longe, o poder que eu uso menos. E no entanto, é nele em que demonstro maior mestria e eficácia.       Catarina passara a manhã na casa da Jade, almoçou com a mãe e voltou em seguida para a casa pouco habitual da personificação da Terra. Júpiter não mostrou nenhum outro sinal de comunicação e por isso, as duas seguiram para o grande terraço aberto coberto de plantas, pequenas árvores e flores. Jade começou a contar-lhe pormenores sobre a vida dos Planetas que a deixaram cada vez mais curiosa. Ela estava ansiosa por perguntar-lhe se as representações tiveram algum papel com a época greco-romana.  - Faz sentido o teu poder ser a Cura. A natureza encontra sempre uma maneira de se curar e florir.       Ja…