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Underneath #15

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Aos tropeções, ela corria pela rua fora. O cabelo ondulado colava-se-lhe à testa e o ar começava a faltar-lhe. Via tudo às rodas, a cabeça doía-lhe como se tivesse um ferimento provocado por um pedregulho e a rua... A rua de alguma maneira ficava cada vez mais íngreme e algo na escuridão aproximava-se dela velozmente. Ela não tinha a coragem de olhar para trás pois receava perder a pouca força que ainda tinha e cair ficando à mercê do que quer que estivesse atrás dela.       Não era dia nem noite, mas pairava um ambiente entre os dois onde o céu tinha pinceladas de laranja-vivo e negro de vários tons. Um nevoeiro místico sobrevoava as casas e os prédios de cada lado da rua que se sobressaíam devido às luzes laranjas elevadas ao longo do seu caminho. Tentáculos negros surgiam nas sombras que se reflectiam nas paredes e um grito ficou encurralado na sua garganta. O ar parecia tóxico, queimando-lhe os pulmões e destruindo o fluxo do seu sangue. À medida que as forças se iam esgotan…

Underneath #14

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Ela estava tão paralisada que não sentiu os braços que se envolveram à sua volta. Os gritos ainda ecoavam nos seus ouvidos, aquele rosto ainda assombrava a sua visão e para sempre teria aquele momento na sua cabeça como um lembrete de que era fraca e miserável. Melody não tinha conseguido superar o seu maior medo - a sua insegurança - quando chegou ao seu planeta. Ficara com os braços estendidos o máximo que pode até que os gritos vindos dos reflexos nos espelhos a deixaram surda e paralisada. A sua respiração estava acelerada e o seu coração ainda mais. Ela não conseguia perceber bem o porquê depois de tudo. Não conseguia perceber o porquê de se ter ido abaixo tão facilmente.       Violet foi buscá-la depois de ter conseguido concluir o seu enigma. Para suceder no teste, Violet teve de refletir sobre cada porta. Não demorou muito, como ela pensava que iria, e concluiu que todas as portas que vira eram portas de entrada, portas da frente. Ou seja, a porta correta era uma das tra…

Underneath #13

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Assim que os dois saíram, Luna chegara a casa. Viu-os no caminho e disse-lhes olá. A presença daquele rapaz era amarga e não o queria perto das suas filhas. Por muito que ele não fosse Tema. - Violet? Melody? Estou em casa - chamou do hall. - Trouxe o almoço.       Elas deram-lhe um beijinho e carregaram os sacos que a mãe trazia para a cozinha. Estavam loucas para almoçar mas também para que a mãe deixasse escapar alguma informação sem querer. O que acontecia de vez em quando se elas estivessem atentas o suficiente.   - A visita foi boa?  - Sim.  - Nós já tínhamos ido àquele museu antes. Tinha algumas coisas novas, mas nada de mais - respondeu Melody.  - Acho que há uma exposição nova num museu da cidade. Depois combinamos com o vosso pai e vamos. Que tal?  - Parece-me bem - disse Violet a comer uma batata frita.  - O que estava o Troy e o amigo a fazerem aqui? - inquiriu a buscar os pratos.       As gémeas entre-olharam-se. Não sabiam ao certo o que lhe responder. Se dissessem…

Underneath #12

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Os pais abandonaram o quarto dele assim que explicou as coisas sobre a família das gémeas e o historial que tinha com a Escuridão. O sacrifício da Mondy foi difícil de eles engolirem, porém, estavam mais que gratos por ela o ter salvado. A mãe fez questão de repetir umas mil vezes que queria ir à casa dos Brown agradecer e mostrar os seus pêsames pela Mondy. Troy não conseguiu convencê-la do contrário e por isso tinha que combinar uma data com as gémeas para a ida da mãe à casa delas.
     Depois daquela confusão toda durante a noite, Troy não conseguiu dormir mais. A sua imaginação continuava a trabalhar, criando cenários onde ele era um assassino que matava os seus próprios pais por estar possuído pela Escuridão. Por mais que tentasse, os tentáculos negros e pesados do Saeva o prendiam sem chance de escapar. Às vezes, sonhava que se tinha deixado ceder ao poder do obscuro e que os dois se tinham tornado num só. Um monstro. Só que ele tinha o sentimento estranho que não passara…

Underneath #11

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As gémeas perguntaram-lhe se ele queria ficar mais um pouco em casa delas mas Troy tinha de
ficar sozinho por um bocado. A sua cabeça estava a jorrar informação por todos os cantos. Apesar das várias perguntas que ele ansiava ter uma resposta, a que mais o assombrava era se devia contar isto à Catarina. Esconder-lhe isto ia ser difícil porque ela conhece-o demasiado bem. Ela sabe lê-lo como se fosse um livro aberto. Acrescentando que ela pode correr imenso perigo se souber disto e isso só o faz ficar mais tenso. No entanto, Troy também não sabe o que poderá acontecer. O que esta marca e identidade podem trazer. A única coisa que ele realmente sabe é que a Escuridão vem aí para apanhá-lo e não vai preocupar-se em magoar as pessoas que ele ama. Ele tem a Mondy como exemplo, que sacrificou-se por ele sem sequer hesitar.
     O medo apoderou-se dele quando ficou consciente que Catarina se sacrificaria por ele. Sem pensar duas vezes, sem dormir sobre o assunto, sem sequer ouvir um ou…

Underneath #10

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Troy riu-se. A sua gargalhada ecoou pelo alpendre inteiro causando olhares confusos entre os Brown. Troy respirou fundo e passou o antebraço pela cara, limpando as pequenas lágrimas que queriam descer pelo seu rosto.  - Ok, vocês quase que me apanharam - disse ele finalmente.  - Troy, eu não acho que estejas a perceber - começou Melody.  - Oh, eu estou sim. Estrela central - murmurou e soltou um risinho. - Acho que sim.       Ele estava tão descontraído que quando Sol bateu com a mão na mesa ele podia ter ido à Lua e voltado. Quase pensou que a mesa se ia rachar, mas não o fez. Num sobressalto, Troy fitou os olhos âmbar de Sol e engoliu em seco. O seu corpo emanava um calor intenso. Sol estava zangado e o pior de tudo é que a sua raiva dirigia-se toda para si.  - Pai, por favor - Violet interveio.   - Não te metas, Violet - Sol virou-se para Troy - Nós os dois vamos dar uma volta.        Sol agarrou no braço de Troy e uma luz dourada rodopiou à volta deles. Troy encarou o olhar …