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Underneath #3

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As aulas da manhã tinham acabado e Troy juntamente com Ryan foram até à sala das artes buscar Catarina para irem todos almoçar num café ali perto. - Catarina? - Troy chamou da porta da sala. - Estou aqui! Entrem - disse ela do fundo da sala.       O chão de madeira da sala tinha salpicos de tinta aqui e ali. A sala era larga e na parede paralela à porta erguiam-se uma fila de quatro janelas altas. Longas prateleiras decoradas com objectos pintados por alunos e professores, copos com pincéis, várias caixas onde se guardavam lápis de cor e cera, telas de tamanho A4 e livros sobre variados artistas encontravam-se encostadas nas paredes laterais.       Catarina encontrava-se no beco da sala, junto ao lavatório e à pilha de telas de tamanho grande. O cabelo castanho e longo estava apanhado num puxo com apenas uma mecha livre. O seu rosto tinha uma mancha de tinta e as suas mãos estavam todas pintadas, como já era habitual.  - O que estás a pintar? - ele perguntou enquanto a abraçava …

Underneath #2

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O fim de semana passara a voar. Troy acordara mais tarde que o costume. O relógio marcou as sete e meia e ele ainda estava a dormitar na cama. Como os seus pais já se tinham habituado a que ele madrugasse para ir surfar, não o chamaram para tomar o pequeno-almoço. Qual foi o espanto dele quando abriu os olhos por meros segundos e viu as horas.     O corte na sua perna já não doía tanto mas andar ainda era uma acção bem dolorosa para Troy. Com alguma dificuldade, vestiu uns calções de ganga, uma t-shirt de alças e um cardigan, calçou umas meias e os ténis. Lavou os dentes e a cara, pegou na mochila e enquanto caminhava para a cozinha, rezou para que alguém ainda estivesse em casa. Não queria nada andar de bicicleta para a escola com a perna naquele estado.  - O que estás ainda aqui a fazer? - perguntou o seu pai do outro lado da cozinha.  - Bom dia para ti também - resmungou. O seu pai continuava a pedir uma resposta - Bem, adormeci. Podes levar-me? Acho que não consigo andar de b…

Underneath #1

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O Troy começou a correr na esperança de conseguir ir a tempo da primeira ronda do campeonato de Surf de Crystal Waters. A adrenalina começou rapidamente a pulsar nas suas veias. A energia contagiante só o fazia correr mais depressa. Ele ia conseguir, finalmente, mostrar o surfista que é. Com tanto entusiasmo, Troy nem conseguiu ver com quem colidiu e caiu. Primeiro, preocupou-se com a sua prancha, e depois com a pessoa com quem chocou.  - Vê por onde andas - disse o rapaz. - O que...? - Troy encarou o rapaz. Os seus olhos não acreditavam no que viam. Porém, aquele tom de azul dos seus olhos não enganavam, ou aquele sorriso. - Ryan? Ryan Bennett? - Estava a perguntar-me quanto mais tempo irias demorar a perceber. Francamente, andas a ficar mais burro ou é só impressão minha? - Ryan sorriu a estender-lhe a mão.       Troy levantou-se e abraçou-o, ignorando por completo a mão dele.
- O que fazes aqui? Desapareceste da face da Terra. Já lá vão... - Seis anos, penso eu - completou el…

Underneath #0

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Charlotte abriu as janelas. O sol brilhava, o cheiro a sal e a frescura do mar chocaram com o seu rosto. Ela sorriu.
- Rapazes! Vamos lá, acordem! - Charlotte berrou a caminho da cozinha.
    O primeiro a acordar foi o seu marido, Steve, que lhe deu um beijo no rosto antes de lhe dizer bom dia. Depois de ambos estarem vestidos e terem tudo pronto foram acordar o pequeno Troy que teimava em ficar na cama. Era o décimo aniversário dele. Charlotte e Steve escolheram uma prancha novinha em folha para ele. Agora, Steve podia ensinar-lhe alguns truques mais avançados que nunca tiveram oportunidade de experimentar.
     Assim que Troy acordou e soprou as dez velas do seu bolo, de ananás e chantilly, eles foram a caminho da praia. Durante o caminho o ar foi preenchido por risos e animação. Charlotte levava um cesto cheio com as comidas preferidas de Troy, água, sumos e sobremesas, e uma grande toalha vermelha e branca. Steve colocara Troy nos seus ombros e fingia ser um avião comandado pel…
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De repente comecei a ressuscitar pensamentos há muito mortos, ou assim julgava. Porque vi-te de novo passado longos meses e os teus olhos continuavam do mesmo tom e com a mesma simplicidade que sempre me cativou. A sua cor ainda mais realçada sendo assim impossível de ser ignorada, por mim. Como se, mesmo que tentasse, o meu sorriso para ti, independentemente da distância entre nós, nunca desaparecesse. E a verdade é mesmo essa. Para ti, o meu sorriso nunca irá desaparecer. Talvez, feliz ou infelizmente, eu nunca irei esquecer o teu riso parvo ou como gosto quando te metes comigo. Tenho saudades tuas, isso é certo. E se pudesse voltar atrás, eu voltava sem pensar duas vezes. Mas agora é tarde de mais e eu já compreendi e aceitei isso. Mesmo sem estar perto de ti a todo o minuto, ainda consigo ver-te como és. E isso é suficiente e sempre irá ser. Porque tu és suficiente para mim.

As Fases da Lua

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Espero que tenham gostado desta nova história. Eu adorei escrevê-la e fiquei mesmo apegada às personagens. Houve imensas coisas que podia ter aprofundado sobre esta força de poder dos planetas, mas isso alongaria muito a história e não iria desenvolver como queria. Além disso, acho que é sempre bom ter algum mistério sobre o assunto para podermos imaginar as nossas próprias teorias. No entanto, se quiserem saber das minhas teorias, basta comentar abaixo. E se tiverem outros comentários que gostassem de divulgar, força, adorava lê-los. ♥

And They Lived Happily Ever After #59

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Luna 


     Depois do funeral da Vénus, eu e a avó decidimos fazer um belo jantar para toda a gente. Comida é praticamente o sinónimo de felicidade.
     Eu e a avó estávamos na cozinha, enquanto que os rapazes estavam na sala que nem uns moribundos, a preparar o jantar. Decidimos até fazer a sobremesa para não permitir que a nossa cabeça pudesse pensar no assunto do momento. A avó estendeu-me uma travessa, agarrei-a e de súbito senti uma tontura que percorreu-me o corpo inteiro e a travessa caiu, tornando-se em mil pedacinhos de vidro.  - Luna! - ouvi a avó antes de desligar-me.      A minha visão não era do futuro. Não era uma mensagem como Tema me enviara. Era uma visão do presente que estava a passar-se naquele momento.       O Tema e a Vénus estavam juntos de novo a caminhar em direção a uma poderosa luz branca mas então vi o corpo dele deitado junto ao seu caixão. Morto. Tema encontrava-se morto. E então ouvi uma voz familiar. A Lua.  - Luna, por favor vai ao encontro do corpo…